As companhias aéreas emirati

Enquanto Dubai em apenas trinta anos deixou de ser um deserto e se transformou num destino turístico superlativo (prédio com um quilômetro de altura, ilhas artificiais, pistas de esqui em shopping center), Abu Dhabi sempre foi a irmã mais velha, mais discreta, maior e RYKA. Simplesmente rica: 95% do petróleo e do gás natural existentes nos Emirados Árabes Unidos (a sexta maior reserva do mundo) estão no Emirado de Abu Dhabi, cuja capital é a cidade de Abu Dhabi, e que, por sua vez, é a capital dos Emirados Árabes (seguiu?).

Os Emirados Árabes Unidos são um país fundado em 1970 composto por sete — quase eram nove — emirados soberanos (o Bahrein e o Catar optaram por tornar-se independentes). Cada emirado é governado por uma família real, todos parentes, mas, especialmente os emirados de Abu Dhabi e Dubai são governados por duas famílias mais próximas, que descendem do clã Bani Yas: os Al Nahayan, que reinam em Abu Dhabi desde 1793, e os Al Maktoum, em Dubai, desde 1833.

Em 1985, os Al Maktoum fundaram a Emirates, que já no começo dos anos 1990 vivia um crescimento vertiginoso. Em 2001 e 2002, já era considerada a melhor companhia aérea do planeta e nunca deixou de figurar na lista das dez mais. E dizem os rumores que os Al Nahayan, enciumados com o reconhecimento internacional dos Al Maktoum e de Dubai, com todos os megaprojetos e a Emirates, decidiram lançar, em 2003, com um decreto real,s ua própria companhia aérea: a Etihad Airways (e uma série de projetos tão superlativos quanto os dos primos, como um parque de diversões da Ferrari, um Louvre, um Guggenheim, uma filial da New York University e uma mesquita que ocupa 30 acres e abriga o maior tapete do mundo; quase tudo pronto).

A Etihad, com pouco mais de dez anos de existência, já é uma das dez melhores companhias aéreas do mundo, com uma frota de 102 aviões (contra 221 aviões da Emirates) e todos os prêmios de melhor Primeira Classe pela Skytrax. Mas seus planos de aliar a imagem da Etihad com o luxo não param por aí: em 2015 foi lançada a Residence, uma classe acima da primeira, presente em seus A380, que consiste em um miniapartamento com sala, quarto e banheiro (com chuveiro) para uma ou duas pessoas, cuja passagem irá custar, apenas no trecho Abu Dhabi – Londres, US$ 20 mil. A ideia é fazer com que viajantes acostumados a pagar US$ 100 mil em jatos particulares no mesmo trajeto passem a usar o serviço. Nos quatro novos Airbus A380 que começam a ser entregues em dezembro de 2014 (serão dez A380 entregues até 2017), serão duas Residence, nove poltronas de Primeira Classe, 70 na Executiva e 471 na Econômica.

QATAR
Quando o Reino Unido decidiu, em 1971, acabar com os tratados de proteção vigentes desde o início do século 20 com todos os nove emirados do Golfo Pérsico, incluindo Abu Dhabi, Dubai, Bahrein, Catar etc., se sentindo vulneráveis, o xeique de Abu Dhabi, um Al Nahayan, junto com um Al Maktoum, de Dubai, decidiu criar uma união entre os emirados que se tornaria um país: os Emirados Árabes Unidos. Apesar do convite para fazerem parte do novo país, o Bahrein e o Catar decidiram se manter independentes. Mas isso não impediu o Catar, da família Al Thani, de criar sua própria companhia aérea, a Qatar Airways, também hoje uma das grandes da aviação. Fundada em 1994, ela já seria considerada, entre 2010 a 2014, ora em primeiro (duas vezes), ora em segundo (duas vezes), ora em terceiro (uma vez) lugares, uma das melhores companhias aéreas do mundo.

Enquanto praticamente todas as companhias aéreas — as nossas, principalmente — lutam para se reinventar e sobreviver, essas três jovens companhias áreas vindas de três emirados que não somam nem um milhão de nativos (o restante são expatriados), numa área minúscula do mapa onde antes era só areia, conquistaram por definitivo seu espaço nesse mercado altamente competitivo. e redesenharam o mapa da aviação mundialE são impecáveis em todos os sentidos.

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shoichi.simonde@gmail.com