As instituições culturais de SP que você precisa conhecer e frequentar

O interior da Pinacoteca do Estado de São Paulo: projeto de Ramos de Azevedo dos anos 1900 com intervenção incrível de Paulo Mendes da Rocha nos anos 1990 (dois grandes nomes da arquitetura brasileira), e a instituição é o nosso museu favorito em São Paulo. Para conhecer e frequentar.

São Paulo, assim como outras importantes cidades do Hemisfério Sul, não tem grandes museus ou uma programação cultural à altura de cidades como Nova York, Paris e Londres. E é provável que muitas das coisas que você veja aqui, você já tenha visto lá fora, e em escala bem menor. Mas, muito foi feito nos últimos vinte e cinco anos para fomentar a cultura na cidade. Desde maiores investimentos para o cinema e teatro, reformas de museus e prédios antigos e a brava tentativa de trazer para o país companhias de dança, orquestras e exposições de todo o mundo (geralmente de artistas com maior apelo popular). E posso dizer que, hoje, nossa programação anual de música e dança é bem boa… A seguir, você confere os lugares que a gente mais ama — e frequenta — em São Paulo.

PINACOTECA DO ESTADO [Centro] Ótimo acervo, a melhor programação ao longo do ano

instituicoes-culturais-museus-sao-paulo-sp-1200-3-pinacoteca-do-estado instituicoes-culturais-museus-sao-paulo-sp-1200-4-pinacoteca-do-estadoFundado em 1905 como uma coleção de pinturas para estudantes de arte num edifício imponente de tijolos aparentes em estilo neoclássico italiano (projetado por Ramos de Azevedo, o mesmo arquiteto do Theatro Municipal, do Mercadão, da Casa das Rosas), a Pinacoteca do Estado é o museu mais antigo de São Paulo (outro gigante da arquitetura nacional seria responsável pela bem-sucedida reforma de 1998: Paulo Mendes da Rocha). E o acervo permanente, uma coleção de 9 mil obras — das quais 1000 permanentemente expostas no segundo andar — é uma importante viagem pela arte brasileira dos séculos 19 e 20. É aqui que venho para ver as obras de Almeida Júnior (das 48 obras dele que o museu tem, não perca Caipira Picando Fumo  e Saudade, uma das coisas mais lindas da arte brasileira), Oscar Pereira da Silva (Escrava Romana), Eliseu Visconti (Torso de Menina), esculturas de Rodin, Maillol e Bourdelle e até uma fonte de Niki de Saint-Phalle. A curadoria das exposições temporárias (são quase 30 ao longo do ano) é sempre interessante e a Pinacoteca está ao lado da Estação da Luz (“A Inglesa”; e o metrô sai na porta) e dentro do agradável Parque da Luz, o primeiro espaço de lazer — e de apreciação de várias esculturas — dos paulistanos, fundado em 1825. Imperdível para conhecer e frequentar. PINACOTECA DO ESTADO: Praça da Luz 2, ao lado de uma das saídas do metrô Luz, Centro, 11 3224-1000. Segunda, das 10h às 17h30; terça-feira fecha; e quarta a domingo, das 10h às 17h30, com permanência até às 18h. Tem bicicletário e estacionamento gratuito. Ingresso a R$ 6 e grátis aos sábados. Para acessar o site, clique aqui.

SALA SÃO PAULO [Centro] Uma das salas de concerto mais lindas do mundo

instituicoes-culturais-museus-sao-paulo-sp-1200-11-sala-sao-paulo instituicoes-culturais-museus-sao-paulo-sp-1200-12-sala-sao-pauloNão só é considerada uma das melhores — e mais lindas — salas de concerto do mundo, a Sala São Paulo tem uma programação enorme com quatro a dez apresentações sinfônicas, corais e de câmara por semana (mais de 200 concertos por ano), só tirando férias nos meses de janeiro, fevereiro e algumas semanas de julho, quando a OSESP sobe para Campos do Jordão para o Festival de Inverno da cidade. Ocupando parte de uma antiga estação de trem (a outra parte do prédio continua a ser uma estação da CPTM!), para ter acesso aos melhores lugares, o ideal é fazer a assinatura anual (o público que faz as assinaturas ano após ano é cativo e é bastante gente), mas dá para comprar ingressos em bons lugares para os espetáculos menos concorridos. Para ir sempre e deixar se sensibilizar pelo som tridimensional da orquestra em ambiente solene. Para saber TUDO sobre a Sala São Paulo, confira a nossa matéria exclusiva, clicando aqui. SALA SÃO PAULO: Praça Júlio Prestes 16, Luz, uma caminhadinha do metrô Luz (melhor ir de carro ou táxi), 11 3367-9500. Ingressos variam de R$ 40 a R$ 250, dependendo de quem se apresenta (quanto mais famosa a orquestra ou o solista, mais caro). Para acessar o site, clique aqui.

MASP [Paulista] Acervo internacional no edifício-ícone da cidade

instituicoes-culturais-museus-sao-paulo-sp-1200-8-maspinstituicoes-culturais-museus-sao-paulo-sp-1200-7-maspSímbolo de São Paulo, o projeto da arquiteta italiana modernista Lina Bo Bardi (uma caixa de concreto e vidro de 74 metros de comprimento suspensa por apenas quatro colunas vermelhas nas extremidades — para que a gente não perdesse a vista para a Serra da Cantareira :- ) tem um acervo à altura: a mais importante coleção de arte europeia da América Latina. Fundado em 1968 depois de doze anos de trabalho, o MASP é o lugar para ver obras de alguns dos grandes nomes da arte mundial sem sair de São Paulo: Rembrandt, Velázquez, Goya, Degas, Renoir, Van Gogh, Modigliani, Toulouse-Lautrec, Matisse… Muito felizmente, depois de anos descaracterizada por uma tentativa mal-sucedida de “modernizar” o museu que já nasceu moderno, a administração resolveu trazer de volta os cavaletes de vidro do projeto original de Bo Bardi. No andar inteiro sem paredes, é como se as 120 obras — do século 4 a.C. a 2008 — estivessem flutuando pelo salão. É único. Grande parte das exposições temporárias são recortes do acervo. MASP: Avenida Paulsita 1578, Paulista, metrô Trianon-Masp, 11 3251-5644. Segunda-feira fecha; terça e quarta, das 10h às 17h30; quinta-feira, das 10h às 20h; sexta a domingo, das 10h às 17h30, com permanência até às 18h. É o mais caro dos museus paulistanos: ingresso a R$ 25 e grátis nas terças-feiras. Para acessar o site, clique aqui.

CCBB [Centro] Prédio lindo, programação extensa, circulação confusa

instituicoes-culturais-museus-sao-paulo-sp-1200-9-CCBB-SP instituicoes-culturais-museus-sao-paulo-sp-1200-10-CCBB-SPO Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo não é tão grandioso quanto o do Rio, mas não é menos bonito (o Banco ainda tem outro centro cultural — só que modernista — em Brasília). Ocupando um edifício histórico de esquina, construído em 1901 e que foi comprado pelo BB em 1923, numa região exclusiva para pedestres no centro da cidade, o CCBB tem uma programação extensa de música, cinema, teatro, palestras e exposições de arte que costumam atrair multidões (quando for assim, sempre agende seu horário pelo site da IngressoRápido; a entrada é gratuita para as exposições e bem baratinho para os shows, peças e mostras de cinema). O único problema do CCBB é que os andares são pequenos e as exposições ocupam o prédio todo. Aí, tem de toda hora entrar e sair das salas, pegar elevador, descer escada, indo até o subsolo. CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL: Rua Álvares Penteado 112, esquina com a Rua da Quitanda, Centro, próximo ao metrô São Bento, 11 3113-3651. Segunda-feira, das 9h às 21h; terça-feira fecha; quarta a domingo, das 9h às 21h. Tem um estacionamento conveniado que te leva de van até o CCBB: o Estapar da Rua Santo Amaro 272. Para acessar o site, clique aqui.

MAC [Ibirapuera] Coleção importante, Niemeyer e vista para o parque

MAC São Paulo MAC SPSão dez mil obras de arte moderna e contemporânea brasileira, latino-americana e internacional, que ficavam escondidas lá na USP e que, felizmente, desde 2012, ocupa o edifício de seis andares anexo ao Ibirapuera também projetado por Oscar Niemeyer (é só cruzar uma ponte passando por cima da avenida 23 de maio para chegar ao parque) . Quase todo o acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (mais fácil MAC mesmo) vem do antigo MAM, formado pelas coleções particulares do casal de mecenas Ciccillo Matarazzo e Yolanda Penteado, que continuou a crescer com as aquisições do museu — e muitas doações — ao longo das últimas décadas. A entrada é gratuita e não deixe de subir até o terraço no último andar para uma bela vista do parque, do obelisco, de São Paulo. MAC: Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301, Parque Ibirapuera, não tem metrô próximo, 11 2648-0254. Segunda-feira fecha; terça a domingo, das 10 às 18h. Ingresso gratuito. Para acessar o site, clique aqui.

THEATRO MUNICIPAL [Centro] Óperas e concertos em volta no tempo

instituicoes-culturais-museus-sao-paulo-sp-1200-13-theatro-municipal instituicoes-culturais-museus-sao-paulo-sp-1200-14-theatro-municipal É uma pena que, com a crise, a programação de ópera foi cortada pela metade em 2016. Mas o Theatro Municipal agradou MUITO nos últimos dois anos na montagem de grandes óperas do repertório internacional — umas mais, outras menos conhecidas do público brasileiro —, sob a direção do maestro John Neschling, sempre com a presença de ótimos solistas brasileiros e estrangeiros (graças ao maestro e à Orquestra Sinfônica Municipal, não perca também a programação de concertos). Inaugurado em 1911 pelo prefeito Antônio Prado, depois de grande pressão por parte da elite paulista nos anos 1900 — que tinha de viajar para o Colón ou o Scala para ver óperas, imagina —, tanto o Municipal de São Paulo quanto o do Rio foram inspirados no Opéra de Paris, desenhada por Charles Garnier (em uma escala bem menor, claro). E, apesar das duas grandes reformas, de 1951 e 1991, frequentar o Municipal é como voltar no tempo, mas com as ótimas comidinhas do Capim Santo para beliscar antes e durantes os espetáculos THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO: Praça Ramos de Azevedo, Centro, próximo ao metrô Anhangabaú, 11 3053-2100. Para acessar o site, clique aqui.

FUNDAÇÃO MARIA LUISA E OSCAR AMERICANO [Morumbi] Casa e jardim

instituicoes-culturais-museus-sao-paulo-sp-1200-5-fundacao-maria-luisa-oscar-americano instituicoes-culturais-museus-sao-paulo-sp-1200-6-fundacao-maria-luisa-oscar-americanoMeio fora de mão (tem de ir de carro lá pro Morumbi), a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano faz parte da série milionários-que-transformaram-suas-casas-e-coleções-em-museus. Em São Paulo tem também a Fundação Ema Klabin, na Avenida Europa (mas não sei por que, eu gosto mais da Fundação Eva Klabin, a casa de sua irmã tão-rica-quanto, na beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro). A bela casa-caixa-de-mármore modernista em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado, foi desenhada pelo arquiteto Oswaldo Bratke em 1950 e serviu de residência para a família do engenheiro Oscar Americano por 20 anos. Só quando sua esposa Maria Luisa faleceu, em 1974, Oscar decidiu transformar a casa, o enorme jardim (praticamente um parque com 75 mil metros quadrados e 25 mil árvores, incluindo jacarandás e paus-brasil!) e a coleção de mobiliários, pratarias, porcelanas, tapeçarias e arte sacra, dos séculos 17 ao 20 (móveis portugueses, Companhia das Índias, Frans Post, Di Cavalcanti), em uma fundação.  FUNDAÇÃO MARIA LUISA E OSCAR AMERICANO: Avenida Morumbi 4077, não tem metrô próximo, Morumbi, 11 3742-0077. Segunda-feira fecha; terça a domingo, das 10h às 17h30. Ingresso a R$ 10 e grátis aos sábados. Para acessar o site, clique aqui.

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shoichi.simonde@gmail.com