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Arte


Fondazione Prada: Quando uma ex-comunista cria uma...

Durante toda a sua visita, deixe o ingresso no bolso, com acesso fácil, pois ele será pedido em cada um dos 10 pavilhões, de todos os formatos imagináveis, espalhados nos 19 mil metros quadrados (duas vezes maior que o novo Whitney do Renzo Piano em Nova York) que formam a Fondazione Prada, o maior espaço dedicado à arte contemporânea de Milão (incrivelmente, a mais internacional — e rica — das cidades italianas e uma das capitais mundiais da moda e do design  não tinha nada parecido; só o HangarBicocca, da Pirelli, do outro lado da cidade com 15 mil metros quadrados). Fundada em 1993 (a fundação) mas com a sede inaugurada apenas em maio de 2015, ela é resultado do recente interesse por arte da herdeira-que-nunca-quis-ser-estilista  que se tornou um dos maiores nomes da indústria (o grupo Prada — Prada, Miu Miu, Church’s, Car Shoe e Pasticceria Marchesi — tem hoje faturamento anual de mais de € 3,5 bilhões). Mas a resistência de Miuccia Prada de entrar para a moda, assumindo, em 1978, a marca criada por seu avô na Milão de 1913 (assim como o desconforto que ela sente em comprar arte, gesto que ela acha nada nobre) tem Ver Mais →

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Fundação Eva Klabin: Um micro British Museum num...

Passeando pela Lagoa, a pé ou de carro, ninguém  pode imaginar que por trás das paredes de uma discreta casa em estilo normando existem 50 séculos de arte, com mais de 2 mil peças, incluindo obras de Botticelli, Ghiberti, Rembrandt, Gainsborough, Reynolds, Pissarro. Eva Klabin, junto com sua irmã Ema (descendentes de lituanos de ascendência judaica), é a nossa Frick-Morgan dos trópicos. Colecionadora das clássicas, juntou obras que vão do Egito antigo e do mundo greco-romano a Lasar Segall, passando por importantes exemplares da arte renascentista. É impressionante. (Sem falar que Eva já usava Goyard bem antes de a marca ter seu revival  no século 21: é numa caixa de chapéu para viagens da maison  que ficam os protetores para sapatos que devemos calçar para andar pela casa-museu ;-).

Destaque para a coleção de prataria judaica (única no Brasil) e inglesa, a moldura de lareira gótica da sala e a boiserie (também gótica) na sala de jantar trazida da França.

Milionária e esteta, Mme. Klabin dormia durante o dia e recebia muitos amigos e personalidades em sua casa – sempre depois da meia-noite: do amigo e paisagista Roberto Burle Marx, que planejou o charmoso jardim da casa, a ilustres como Juscelino Ver Mais →

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As instituições culturais de SP que você precis...

São Paulo, assim como outras importantes cidades do Hemisfério Sul, não tem grandes museus ou uma programação cultural à altura de cidades como Nova York, Paris e Londres. E é provável que muitas das coisas que você veja aqui, você já tenha visto lá fora, e em escala bem menor. Mas, muito foi feito nos últimos vinte e cinco anos para fomentar a cultura na cidade. Desde maiores investimentos para o cinema e teatro, reformas de museus e prédios antigos e a brava tentativa de trazer para o país companhias de dança, orquestras e exposições de todo o mundo (geralmente de artistas com maior apelo popular). E posso dizer que, hoje, nossa programação anual de música e dança é bem boa… A seguir, você confere os lugares que a gente mais ama — e frequenta — em São Paulo.

PINACOTECA DO ESTADO [Centro] Ótimo acervo, a melhor programação ao longo do ano

instituicoes-culturais-museus-sao-paulo-sp-1200-3-pinacoteca-do-estado instituicoes-culturais-museus-sao-paulo-sp-1200-4-pinacoteca-do-estadoFundado em 1905 como uma coleção de pinturas para estudantes de arte num edifício imponente de tijolos aparentes em estilo neoclássico italiano (projetado por Ramos de Azevedo, o mesmo arquiteto do Theatro Municipal, do Mercadão, da Casa das Rosas), a Pinacoteca do Estado é o museu mais antigo de São Paulo (outro gigante da arquitetura nacional seria responsável pela bem-sucedida reforma de 1998: Paulo Mendes da Rocha). E o acervo permanente, uma coleção de 9 mil obras — das quais 1000 permanentemente expostas no segundo andar — é uma importante viagem pela arte brasileira dos Ver Mais →

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Humor, glamour, arte e espiritualidade: dicas para...

A Simonde foi convidada para assistir a um espetáculo que faz parte de uma interessantíssima programação promovida pela Embaixada da Austrália e a dois filmes que estrearam em circuito bem reduzido na última quinta-feira, dia 19. Experiências diferentes mas cheias de estética que se transformaram em nossas dicas para este fim de semana na cidade.

TWENTY SIXTEEN, circo contemporâneo cheio de poesia e humor

Twenty-Sixteen-Circus-OzEm sua primeiríssima edição no Brasil, é uma pena que o festival Australia Now, que está com uma programação incrível — de performances  aborígenes a espetáculos de dança e teatro, com o melhor da cultura australiana — não seja uma programação anual. O festival já passou pela Índia, Vietnã e Turquia, e nos próximos anos, são as vezes do Japão e da Alemanha. E a dica para este fim de semana é o espetáculo Twenty Sixteen (ou seja, 2016), da companhia de circo contemporâneo — sem animais! — de Melbourne, Circus Oz, que fica em cartaz no Sesc Vila Mariana até domingo, dia 22 de maio. Misturando números acrobáticos muito criativos com humor, poesia, trilha sonora impecável — ao vivo — e figurinos inusitados, é daqueles programas para todas as idades e que fazem com que você saia leve e feliz depois do espetáculo. E já aviso para quem for assistir: quando você achar que o que eles estão fazendo já está MUITO difícil, eles vão fazer as coisas ficarem ainda pior! :- ) Twenty Sixteen, do Circus Oz, em cartaz no Sesc Vila Mariana, que fica na Rua Pelotas, 141. Sexta-feira, dia 20, às 21h; sábado, dia 21, às 21h; e domingo, dia 22, às 12h e às 18h.

SÃO PAULO EM HI-FI, a pauliceia cheia de glamour dos anos 1970 e 1980

Sao-Paulo-Em-Hi-Fi-Lufe-SteffenA cidade de São Paulo tem a maior população LGBT da América do Sul. E os shows  de travestis em transformistas em boates cujos garçons usavam luvas atraíam muita gente famosa e alta sociedade paulistana na década de 1970. E é essa história de glamour  com o capítulo triste da chegada da AIDS nos anos 1980 que conta São Paulo em Hi-Fi, documentário do diretor Lufe Steffen. Com muitas cenas de shows  e entrevistas com pessoas importantes da cena cultural da época, o filme é IMPERDÍVEL para todos os gays, de todas as idades, e um interessante recorte da cidade de tempos que não voltam mais. Confira a nossa matéria exclusiva sobre filme, clicando aqui. O filme São Paulo em Hi-Fi está em cartaz no Cinesesc, que fica na Rua Augusta, 2075, e será exibido na sexta, dia 20, às 14h, às 16, às 19h30 e às 21h30; no sábado, dia 21, às 14h e às 16h; no domingo, dia 22, às 19h30 e às 21h30; e de segunda, dia 23, a quarta, dia 25, às 14h, às 16h, às 19h30 e às 21h30.

GRUPO SANTA HELENA, Bonadei, Volpi, Rebolo juntos mais uma vez

rebolo-2Formado de maneira espontânea nos anos 1930 nos ateliers  dos artistas Francisco Rebolo e Mario Zanini no Palacete Santa Helena, na Praça da Sé (o edifício foi demolido quando da construção da estação do metrô), o Grupo Santa Helena se transformou no celeiro de alguns dos mais importantes artistas plásticos brasileiros do século 20. E a Proarte — que está mudando um pouco o foco das atividades, de casa de leilões e galeria para um híbrido de galeria e museu, já que grande parte das obras não está à venda — reúne em seu espaço na Gabriel Monteiro da Silva, muitas — e lindas — obras de Aldo Bonadei, Alfredo Volpi, Clóvis Graciano, Francisco Rebolo, Fulvio Pennacchi, Manoel Martins e Mário Zanini. A exposição fica aberta ao público até o dia 10 de junho de 2016, na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1644, de segunda a sexta, das 10h às 19h e sábados, das 10h às 16h. E é grátis. Na foto, Natureza Morta, óleo sobre madeira de Francisco Rebolo. Imagem: Reprodução.

ESPAÇO ALÉM, Marina explora espiritualidade do jeitinho brasileiro

Uma das precursoras da performance art, a artista sérvia — parte da ex-Iugoslávia — Marina Abramović, tem como foco atual de seu trabalho a discussão sobre o tempo e a espiritualidade (mas ela continua ainda testando os limites de seu corpo e mente em suas obras). Nessa busca, não haveria melhor país-laboratório que o Brasil e os rituais de tantas religiões, seitas e grupos esotéricos (ela começou a vir para cá em busca de pedras para suas obras nos anos 1970). Filmado no Brasil entre 2012 e 2015 — quando de sua exposição Terra Comunal, no Sesc Pompeia —, o documentário Espaço Além – Marina Abramović no Brasil, de Marco del Fiol, mostra a artista com o médium João de Deus, tomando chá de ayahuasca  e participando de rituais que vão do candomblé a processos xamânicos em Curitiba dos quais eu nunca tinha ouvido falar. Marina está completamente exposta no filme, tanto física como emocionalmente, e é uma interessante viagem por esse nosso país de tradições tão sincréticas. Confira nossa matéria exclusiva sobre Marina Abramovic, clicando aqui. O filme está Espaço Além está em cartaz no Cinemark do Shopping Iguatemi, no Espaço Itaú de Cinema (Frei Caneca e Pompeia) e no Reserva Cultural. Estreou em 19 de maio de 2016.

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Wallace Collection, o melhor da arte clássica em ...

Para quem ama arte, artes decorativas e beleza — ou apenas quiser ter a dimensão de como era uma mansão de nobres de séculos passados por dentro —, visitar a Wallace Collection é um dos passeios mais incríveis de Londres (e é gratuito; você só paga pelo audioguide, £ 4). A Hertford House, a construção mais imponente em volta da praça-jardim-privado Manchester Square, abriga uma coleção que levou 200 anos para ser construída e envolveu cinco gerações de uma mesma família — quatro marqueses (Hertford) e um Sir  (Richard Wallace) — que foi doada para o estado inglês e inaugurada ao público em 1900 pelo Prince of Wales da época, HRH The Prince Edward VII. É um sucesso desde então (na quinta temporada de Downton Abbey, os empregados do Conde de Grantham visitam o museu, quando em Londres para o casamento de sua sobrinha, e a história se passa em Ver Mais →

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Museu Picasso

Pablo Picasso é daqueles artistas que se dariam muito bem no mundo atual das redes sociais, onipresente que ainda é, mesmo tendo morrido nos “longínquos” anos 1970. É o artista mais prolífico de toda a história da arte. Em seus 78 anos de vida foram quase 150 MIL OBRAS que abasteceram três museus com seu nome, todos em cidades onde viveu, criou e produziu: um em Málaga, onde nasceu (aberto em 2003, com quase 300 obras), um em Barcelona (aberto em 1963, com mais de 4000 obras) e outro em Paris (inaugurado em outubro de 1985, com mais de 5000 obras); sem falar na coleção de 864 obras desse mestre incontestável da arte moderna no Museu Ludwig, em Colônia, e outras milhares de pinturas, gravuras, esculturas e cerâmicas espalhadas nos principais museus de todo o mundo, do Reina Sofía ao MoMA, e em coleções particulares.

O Musée Picasso, que reabriu em 2014 depois de cinco anos em reforma, fica no Hôtel Salé, um dos maiores e mais extravagantes châteaux  parisienses construídos no século 17 (apenas uma  construção da época rivalizaria com a casa do coletor de gabela, o famigerado imposto sobre o sal — daí o nome “salé” —, Pierre Aubert de Fontenay: o château  de Ver Mais →

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A Dama Dourada

Não há quadro com história mais incrível no — difícil e muitas vezes obscuro — mundo das artes que Goldene Adele ou Woman in Gold, da fase dourada do pintor austríaco Gustav Klimt, cuja história é retratada no filme A Dama Dourada. Esse é o nome que o quadro recebeu quando foi roubado pelos nazistas para esconder o fato de que a retratada, a grande dame  da sociedade vienense Frau Adele Bloch-Bauer, era judia. São quase 100 anos entre a pintura do quadro em 1907, a morte repentina de Adele em 1925, o roubo do quadro pelos nazistas (junto com outras 67 grandes obras de arte da coleção de Ferdinand Bloch-Bauer, marido de Adele) em 1938, o começo do processo em 2000 e a restituição pela Justiça e venda para o colecionador Ronald Lauder, herdeiro do império de cosméticos Estée Lauder, em 2006, por 135 milhões de dólares; o maior preço pago por um quadro na história até então. O processo judicial complexo e inédito — com desfecho Ver Mais →

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Fondation Louis Vuitton: A arquitetura eclipsa a a...

A concorrência é fortíssima. A construção é tão escultural que você não conseguirá apreciar a arte na primeira visita; precisará voltar outras vezes quando talvez a arquitetura ficar mais invisível  na sua cabeça. Com a água caindo por uma escada-cascata em direção ao edifício-caravela projetado por Frank Gehry — que deixa as “escamas” de titânio que marcou seus últimos projetos culturais e agora adota velas de vidro (que “escondem” a estrutura) —, é como se a Fondation Louis Vuitton fosse um barco futurista eternamente navegando pelos jardins do maior parque da cidade, “pulmão” de Paris, antigo terrain  de caça dos reis franceses, o Bois de Boulogne.

Um pouco distante do centro da cidade e no meio de uma floresta urbana, a Fondation tem uma localização inusitada, e o chegar lá faz parte da experiência. A cada quinze minutos e custando € 1 (R$ 4), saem navettes elétricas (um miniônibus que não polui) da avenue de Friedland, em frente a uma das saídas da estação de metrô Charles de Gaulle-Étoile, do Ver Mais →

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Marina Abramović

O artista faz uma performance. O público, que geralmente é apenas espectador, interage com o artista e se torna, junto com o criador, a própria obra, que é filmada, editada, transformada numa instalação-nova-obra e exibida para outros públicos. “Performance vira vida e vida vira arte”. Essa é uma das fórmulas de exposição utilizadas pela artista sérvia — parte da ex-Iugoslávia — Marina Abramović, uma das precursoras do gênero performance art, que já registrava em vídeo suas primeiras apresentações na década de 1970, quando submetia seu corpo a condições extremas, com direito a cortes e sangue, quase morrer no meio de uma estrela de fogo (o fogo consumia o oxigênio e Marina desmaiou) e quase ser baleada quando colocou seu corpo completamente à disposição dos espectadores.

Se antes Marina chocava o público com suas apresentações nuas e/ou arriscadas, hoje, a artista é uma guru do tempo, uma xamã da observação e da paciência. Com nossa atenção Ver Mais →

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Arte misândrica

Misógino é aquele que sente ódio, aversão ou desprezo pelas mulheres. É um sentimento ainda bastante presente — na música, na literatura, nas opiniões — seja de forma explícita, seja de forma velada, no discurso machista de homens E mulheres, apesar da atração sexual que possa existir entre o interlocutor e o objeto de seu desejo-desprezo. Mas, talvez como uma forma de lutar contra séculos de opressão (ou mesmo se vingar de uma traição, do desprezo e da humilhação por um homem), cada vez mais artistas mulheres produzem obras misândricas, principalmente nos últimos vinte anos, seja através de músicas, como as cantoras Tori Amos, Nicki Minaj e Beyoncé-Who-Runs-The-World-Girls-Knowles, ou mesmo nas artes plásticas, como Sophie Calle (que, na obra intitulada Take Care of Yourself, expôs o email que o seu ex-namorado lhe escreveu para terminar o relacionamento Ver Mais →

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Ron Mueck

Lembro-me bem da repercussão que teve a primeira exposição de Ron Mueck na Fondation Cartier, que é a origem da exposição no Brasil este ano, em 2005. Recebia vários e-mails  com fotos da exposição (não existia Facebook para compartilhar na época), muitas vezes, de pessoas que não tinham o menor contato com o mundo das artes. Lembro-me também de como eu me senti quando vi uma obra sua na Royal Academy of Arts em Londres, back in 1997, na Sensation, uma das exposições mais polêmicas da história da arte, quando seu trabalho como artista foi exposto pela primeira vez.

A pronúncia correta de seu nome é Ron “Muick”. É australiano (nasceu em Melbourne, em 1958), não tem formação artística tradicional/acadêmica e faz pouco mais de 15 anos que Ver Mais →

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Véus de mármore

Desde a Vitória de Samotrácia (de 200 a.C., hoje em posição de destaque no Louvre), uma das coisas que mais me fascinaram na vida foram os panos da Virgem Maria na Pietà, obra-prima de Michelangelo, escultura que está na Basílica de São Pedro, e da Santa Teresa, também uma obra-prima, de Bernini, no altar da Santa Maria della Vitoria, ambas as esculturas em Roma. O contraponto da leveza do tecido com o peso e a dureza do mármore e as dificuldades técnicas que implicam o panejamento, que é a escultura de “panos na pedra”, sempre  impressionam. Mas Antonio Corradini (1688 – 1752), escultor barroco vêneto do século 18, deu um passo além com suas mulheres veladas, esculturas delicadíssimas em mármore que não só retratam tecidos finíssimos, colados à pele, mas dão a impressão de que estão sofrendo a ação do vento ou da água. E não há nada mais sexy  que um véu sobre um corpo nu, como faria séculos mais tarde o fotógrafo norte-americano Herb Ritts. Ver Mais →

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Sua obra rende um bom selfie?

Artistas plásticos obcecados pela fama já podem colocar mais uma variável em sua fórmula midiática: grau de interação com a obra que favorece selfies “criativas”, engraçadinhas e fotogênicas. Nas redes sociais, é mídia espontânea na certa. Por que tem gente indo às exposições não para conhecer a obra do artista mas para tirar fotos de si mesmo.

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Zero Gruppe

Com o quase-total colapso do país após o fim da Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha foi dividida em duas e assim permaneceria pelos próximos quarenta anos, os alemães se referiam a 1945 como Stunde Null (a hora zero). Nove anos depois, em 1954, dois artistas de Düsseldorf quiseram recriar esse mesmo sentimento no campo das artes abandonando os materiais utilizados até então e preferindo os “não-artísticos”, como o tecido, o papelão, a madeira, o isopor, o plástico e, principalmente, a luz (e suas possibilidades de movimento); recusando a arte figurativa, a pincelada autoral; em exposições que duravam apenas uma noite: era a vernissage — em seus próprios ateliers — e nada mais… E fundaram um grupo não muito organizado que atraiu a atenção de outros grandes artistas da época, não só da Alemanha (Piero Manzoni, Yves Klein, Lucio Fontana, Jesús Rafael Soto, Almir Mavignier, Jean Tinguely etc.). Mais de 130 artistas participariam do projeto “Zero”.

O Zero Gruppe se transformaria em uma década num dos mais conceituados movimentos de vanguarda do século 20.  Assim como a Bauhaus (também alemã), escola que começou após o fim da Primeira Guerra Mundial, visava renovar a arte, a arquitetura, o design e o artesanato (e influenciar uma geração de artistas traumatizada pela guerra), e que foi fechada com a ascensão de Hitler ao poder (em 1933) porque a escola era muito “internacional”, o Zero Gruppe é um dos movimentos mais importantes da arte do século 20. Mas, diferentemente da Bauhaus que foi obrigada a ser fechada, o grupo programou seu fim com uma performance, em 1966, incendiando um carro e jogando-o no rio, numa festa com mais de mil convidados.

NA PINACOTECA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Para quem quiser conhecer o trabalho deste movimento numa belíssima e bem curada exposição, está em cartaz na Pinacoteca, até o dia 15 de junho de 2014, a exposição Zero, que rende ótimas fotos para o Instagram. Ver Mais →

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As pequenas princesas de Duque

As Marias da artista colombiana Adriana Duque ocupam cenários e vestem roupas (incluindo um contemporâneo fone de ouvido incrustado com pérolas e pedrarias; seriam coroas?) impecavelmente cenografados e produzidos, que nos lembram a mesma postura destemida da poderosa — apesar de também uma criança — Infanta Margarida Teresa de Habsburgo, retratada inúmeras vezes em vários momentos de sua vida por Diego Velázquez no século 17 (é ela a figura principal da obra-prima do pintor espanhol Las Meninas). As referências não param por aí: a artista também se inspira no Renascimento, na Era de Ouro da pintura holandesa (também o século 17), no Barroco e no Rococó para criar essas fotografias conectadas à história da pintura, nas palavras do curador Eder Chiodetto, que enchem os nossos olhos. Seja com o esplendor dos tecidos das cortinas, dos vestidos ou dos estofados no primeiro plano, seja com a simplicidade colorida das naturezas mortas que nos remetem às cozinhas de Vermeer. As obras de Adriana Duque estão em exibição na Zipper Galeria até o dia 12 de abril. Adriana fez as fotos com uma câmera Hasselblad e todas as fotografias foram produzidas em edições de cinco.

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Maria 14, 2014, fotografia, 150 x 180 cm, de Adriana Duque, exposta na Zipper Galeria. Imagem: Divulgação.

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The Great Contemporary Art Bubble

Damien Hirst, o big star  da arte, representado pelas duas maiores galerias de arte contemporânea do mundo — a White Cube e a Gagosian —, tem uma fábrica com 150 assistentes, produzindo suas “obras-primas” em série, em escala nada artesanal (de acordo com um catalogue raisonné dos quadros de bolinhas coloridas de Hirst — ainda não lançado pela editora —, entre 1986 e 2011 foram pintados 1365 spot paintings! Sem falar nas centenas de quadros de borboletas). Corta. Quando perguntado por Ben Lewis, o diretor do filme The Great Contemporary Art Bubble, quantos quadros de listras Anselm Reyle já tinha produzido (apenas com variações de cores e texturas, assim como as bolinhas de Hirst), o artista plástico alemão (que tem 60 assistentes), representado pela Gagosian, disse: “difícil de dizer, mas acho que uns 200 ou 250”. Tanto Jay Joplin, da White Cube, quanto Larry Gagosian, da galeria que leva seu nome, se recusaram a dar entrevistas para o documentário interessantíssimo que investiga a bolha no valor das obras de arte contemporâneas entre 2003 e 2008 (que teve seu preço médio aumentado em 800% durante estes anos; as obras de Reyler aumentaram de valor 20 vezes), até o ano em que a quebra do quarto maior banco de investimentos dos EUA levou o mundo a uma crise global. Como os preços de obras produzidas em larga escala, de qualidade duvidosa, atingiram níveis estratosféricos?

The Great Contemporary Art Bubble não é um filme que aborda a qualidade das obras ou dos artistas, ou ainda faça uma análise da arte contemporânea. O que Lewis, que é colunista de arte do jornal inglês The Guardian, investiga é apenas o método como as obras são precificadas (a eterna oferta e a demanda) e como o esquema criado por colecionadores, galerias, consultores de arte, museus e investidores (que adoram uma especulaçãozinha) pode afetar a economia como um todo (o que decepciona é ver artistas e instituições que a gente ama fazendo parte desse processo nada transparente, nada artístico). Ah, tem também o fato de o número de bilionários do mundo ter aumentado muito nos últimos anos, principalmente nos mercados emergentes, onde arte contemporânea é hype (e é uma brincadeira que os novos ricos, entre eles, têm gostado bastante de jogar).

O mercado de arte, apesar dos bilhões de dólares que movimenta, diferentemente do mercado financeiro, das commodities, não é regulamentado. E o que acontece quando colecionadores como os irmãos Mugrabi e Aby Rosen detém 10% de todos as obras importantes de Andy Warhol? (Só os Mugrabi possuem 800 quadros do artista.) Ou quando Larry Gagosian e Jay Joplin — entre outros galeristas, já que parece que é uma prática bastante comum — participam dos grandes leilões dando lances nas obras dos artistas que representam, simplesmente para aumentar o valor de mercado e, consequentemente, valorizar seus estoques? #CartelFeelings Nos outros mercados, existem leis para que alguém não detenha tanto de alguma coisa a ponto de conseguir influenciar seu preço e caracterizar monopólio. Nos anos 1990, um empresário japonês foi processado por ser dono de 5% das reservas de cobre do mundo. Mas no mercado das artes, esses limites não existem e o que gente vê é especulação, manipulação de preços, fraude; tudo em segredo.

O QUE ISSO TEM A VER CONOSCO?
Os artistas são os rock stars  dos nossos dias. Na Grã-Bretanha, hoje, mais pessoas vão a exposições de arte que a jogos de futebol. O público dos museus não para de aumentar. Bilhões de dólares têm sido gastos na construção de novos espaços culturais em todo o mundo. E o problema é que esse sistema especulativo e escuso do mercado das artes acaba por influenciar nas decisões dessas instituições, que usam dinheiro público.

Quando uma obra é vendida por milhões de dólares num leilão, a mídia que isso gera é enorme; as manchetes transformam o artista em uma estrela (não é, Jeff Koons?); os museus, cada vez mais dependentes das receitas vindas da visitação do público, acabam sendo influenciados e preferem apostar em artistas com maior capacidade de atrair público. E uma vez que um Damien Hirst é “validado” e ganha lastro através de uma exposição individual na Tate Modern (que também gera enorme mídia, por ser uma instituição de arte reconhecida — e amada), automaticamente, seu valor de mercado se consolida (e a gente se encanta; é o mesmo que pegar um sapato estranho da Prada — o que é sempre comum — e colocar numa prateleira da 25 de março ou dentro de uma elegante loja na Madison Avenue, com ele estampado em todas as maiores revistas de moda do mundo: a ambientação, a grandiosidade influenciam o valor que damos às coisas). E, assim, com os preços inflacionados, os museus precisam pagar fortunas para ter um quadro de um desses artistas. Ou então, os colecionadores, que tiveram suas fortunas multiplicadas por 20 (lembrando: graças à especulação), decidem doar os quadros milionários para as instituições de arte e conseguem deduzir outros milhões de dólares no pagamento de impostos.

Todo mundo perde. Perde o Estado e perdemos, nós, apreciadores das artes, que passamos a desconfiar da qualidade dos artistas, que esperamos isenção das grandes instituições e que vemos na arte uma forma de inspiração espiritual e verdadeira.

O mais interessante do documentário de Lewis é que o timing  não poderia ser mais perfeito. Sua pesquisa aconteceu em 2008, ano em que Damien Hirst decidiu dar um passo arriscado, fazendo um leilão independente, desvinculado das galerias que o representam, direto com a Sotheby’s. 2008 também foi o ano em que houve a maior crise financeiro do mundo, desde a Grande Depressão de 1929 por causa da concessão de crédito indiscriminada na economia (o mercado estava cheio de dinheiro pra quem quisesse). Obviamente, as galerias que representavam Hirst estavam aflitas com a possibilidade de um fracasso do leilão, que faria com seus estoques de obras de Hirst perdessem valor. O leilão, suportado pelo suas galerias, a White Cube e a Gagosian, foi um “sucesso” e arrecadou 111 milhões de libras esterlinas. Mas não adiantou. No começo de 2009, alguns meses depois da quebra da Lehman, o preço médio das obras de arte contemporânea cairia numa média de 75%. (Tudo bem, o mercado aqueceu não muito tempo depois). 

Pode ser que Andy Warhol tinha razão quando disse, em 1975, que “making money is art”. Talvez, marketing e showbiz também sejam formas genuínas de expressão na arte contemporânea.

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Neue Galerie

Assim como a Frick Collection e a Morgan Library, a Neue Galerie é o resultado do sonho de um colecionador apaixonado. A única diferença é que Ronald Lauder, herdeiro do império Estée Lauder, aos 80 anos, ainda está vivo. A coleção que forma a Neue Galerie (“Galeria Nova”, em alemão, inspirada na Neue Galerie de Viena) apresenta e retrata, com obras importantes (é o maior acervo dos incríveis Gustav Klimt e Egon Schiele fora de Viena), o dinamismo e o vanguardismo da arte e do design  germânico (principalmente alemão e austríaco) do início do século 20. 

Pense em quadros, esculturas, cartazes e móveis de Klimt, Schiele, Wiener Wersktätte (sem a qual a Bauhaus ou o Art Déco talvez não tivessem existido), Kandinsky, Klee, Bauhaus, Blaue Reiter, Breuer, Ludwig Kirchner, Mies van der Rohe, elegantemente organizados num château  de cinco andares, projetado por Carrère & Hastings (os mesmos arquitetos da New York Public Library), em plena Quinta Avenida. Pense nos artistas nos cafés em Viena; pense nos cabarés em Berlin. Imperdível.

Serge Sabarsky, austríaco de Viena, grande amigo de Ronald Lauder, veio para Nova York em 1939. Em 1950, Herr  Sabarsky começou a colecionar arte e, em 1968, abriu uma galeria na Madison com a 77 especializada na arte expressionista alemã e austríaca. A coleção da Neue Galerie surgiu a partir da amizade de 30 anos dos dois, que compraram o château  em 1994, inaugurando a instituição em 2001. E é aqui que está um dos quadros mais emblemáticos — e com uma das histórias mais fascinantes do mundo da arte (saiba tudo clicando aqui) — de Gustav Klimt: Adele Bloch-Bauer I, de 1907, pela qual Mr. Lauder pagou US$ 135 milhões em junho de 2006. Outro marco é Berliner Strassenszene, do Ernst Ludwig Kirchner, de 1913 (as duas obras estão na galeria aqui no post). A Neue Galerie fica na Quinta Avenida, entre o Metropolitan e o Guggenheim (a três quadras de cada uma das duas instituições) e possui um delicioso café, o Cafe Sabarsky, com deliciosos pratos, sanduíches e ainda mais deliciosas tortas típicas alemãs (só atenção porque os horários da galeria e do Cafe são diferentes), e uma livraria que é um charme só.

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O mercado de arte e os curadores

I am thinking of course of that awful art world species: the curator. When I started writing about art, there were no curators. Now they are everywhere. They go to the same biennales; speak the same meaningless art language; and control the art world from within by privileging their creativity ahead of the artist’s. For 5,000 years art survived perfectly well without curators. Now they are its gate keepers. What we need is a revolution, akin to the impressionist revolution in 19th-century France. Just as the impressionists overthrew the salon and put artists back at the centre of the art world, so someone out there needs to overthrow the Tate empire. Come on Hackney. Rise up.Waldemar Januszczak, em uma carta para o jornal britânico The Guardian.

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Picasso-ele-mesmo em diferentes fases

tumblr_mrw46zOdo61qanhszo1_1280 1896: Autoportrait mal coiffé, Barcelona, Óleo sobre tela, 32.7 x 23.6 cm, no Museu Picasso, Barcelona.tumblr_mrw46zOdo61qanhszo2_1280

tumblr_mrw46zOdo61qanhszo3_1280 1899: Self-portrait, Barcelona, Carvão sobre papel, 22.5 x 16.5 cm, no Museu Picasso, Barcelona.tumblr_mrw46zOdo61qanhszo4_1280 1901: “Yo”, Paris. Óleo sobre cartão, Mrs. John Hay Whitney Collection, New York.S0003423 Yo, Picasso (Self-Portrait), 1901. Oil on canvas, 29 x 23 7/8" (73.5 x 60,5 cm). Zervos XXI, 192. Image licenced to Elvira Allocati Scala Group S.p.A. by Elvira Allocati Usage :  - 2000 X 2000 pixels  © Art Resource, NY / Art Resource 1901: “Yo Picasso”, Paris, Óleo sobre tela, Coleção particular.tumblr_mrw46zOdo61qanhszo6_1280 1901: Self-portrait with Cloak, Paris, Óleo sobre tela, 81 x 60 cm, no Musée Picasso, em Paris.tumblr_mrw46zOdo61qanhszo7_1280 1906: Self-portrait with a Palette, Paris, Óleo sobre tela, 92 x 73 cm, no Philadelphia Museum of Art.tumblr_mrw46zOdo61qanhszo8_1280

tumblr_mrw46zOdo61qanhszo9_1280 1907: Self-portrait, Paris, Óleo sobre tela, 50 x 46 cm, Narodni Gallery, em Praga.tumblr_mrw46zOdo61qanhszo10_1280 1972: Self Portrait Facing Death, Mougins, 30 de junho de 1972, Lápis e crayon sobre papel, 65.7 x 50.5 cm, Fuji Television Gallery, em Tóquio.

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