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Artes dramáticas | Teatro


Teatro Kabuki, luxo e drama para o povo há 400 anos

“O povão gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelectual.” Essa frase do maranhense que fez história no carnaval carioca, Joãosinho Trinta, não poderia descrever melhor a diferença entre os teatros clássicos japoneses, o no e o kabuki. Enquanto o no — que vem praticamente inalterado desde o século 14 — é sóbrio, filosófico, sutil e sempre serviu de entretenimento para a aristocracia (a família imperial, os shogun — os governantes de facto  do Japão do século 12 ao século 19 — e os daimyo, os senhores feudais), o kabuki conquistou o demi-monde  de Edo (atual Tóquio) e entretém as massas desde o século 17 com suas narrativas mega dramáticas e cenários, maquiagens e figurinos exuberantes e coloridíssimos (tem até bate-cabelo com enormes perucas — uma vermelha e a outra branquíssima — entre leão pai e leão filho, uma das cenas clássicas) deste teatro em que apenas homens tocam, cantam e interpretam os papéis masculinos e Ver Mais →

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Um Bonde Chamado Desejo; outro chamado Cemitérios

Decadente e atormentada, sim. Mas Blanche DuBois não é uma patricinha bonita e surtada que vive no mundo fantasia. É uma menina bem nascida — era “meiga e confiante”, nas palavras da irmã — que não suportou o suicídio do marido, seu primeiro e único amor (“era como se uma luz ofuscante iluminasse o que sempre havia estado nas sombras”; “tudo o que eu sabia é que eu não consegui ajudá-lo com os problemas dos quais ele não conseguia falar” ), e que, após a tragédia, encontrou no sexo com muitos parceiros num hotelzinho barato para prostitutas uma maneira de preencher seu vazio existencial. E se perdeu. Se perdeu de si mesmo a ponto de só conseguir sobreviver na magia e não mais na realidade (“Magia! Sim, sim, magia! Eu tento dar isso para as pessoas.” ). Desprovida de sua honra, de sua propriedade — a fazenda Belle Rêve, que pertencia há gerações à sua família — e de seu emprego como professora de literatura depois de se envolver com um aluno menor Ver Mais →

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A Velha, dirigida por Bob Wilson

Tenho muitas dúvidas quanto à capacidade de uma peça que se utiliza de uma linguagem circense, com uma história-não-história-comédia (tragédia?), absurdista-surrealista com frases que se repetem ad infinitum, que envolve fome, morte-assassinato (ou apenas um pesadelo?), sem personagens (seriam A e B a mesma pessoa, o escritor em apuros?), que nos remete à Beckett, Ionesco ou Kafka (não tente entender a história), se fazer gostar pelo público de forma tão unânime. Mas parece que a última obra do dramaturgo norte-americano Robert Wilson, ou just  Bob Wilson, conseguiu a proeza, não só no Velho Mundo, como também no Brasil.

Não há como não se deslumbar pela beleza plástica e a sofisticação da peça The Old Woman (A Velha, em português), baseado na única novela (de 1939) do poeta e dramaturgo absurdista russo Daniil Kharms, ou Daniil Ivánovitch Iuvatchóv, seu nome verdadeiro, que a escreveu durante a Rússia stalinista. Se você algum dia tentou “controlar a luz”, essa matéria-imaterial que se espalha pelos ambientes na velocidade dela mesma sem pedir permissão, seja ao tentar iluminar um objeto para ser fotografado ou para dar aquele efeito na sala durante um jantar — SEM conseguir o efeito desejado —, vai entender o preciosismo e o rigor extremo e absoluto do trabalho do multitalento de Robert Wilson.

A luz dá o tom: encanta, colore (sem a luz, todo o cenário da peça seria simplesmente branco) e transforma o palco, os objetos e os atores, dando profundidades infinitas. Bob Wilson é conhecido por deixar um ator parado durante horas no palco, imóvel como uma escultura, para afinar a luz de uma determinada cena e, especialmente nesta peça, antes mesmo de pensar o texto, foi o trabalho de iluminação que deu início ao projeto.

Willem Dafoe e Mikhail Baryshnikov possuem uma sinergia e carisma incríveis no palco, apesar de cumprir com o rigor dos movimentos (correm, pulam, dançam, maquiados como palhaços), do texto (em inglês e em russo) e até mesmo da voz (Baryshnikov em vários momentos se utiliza de um falsete para contrapor à voz grave de Dafoe), exigidos pelo diretor.

E a graça vem do absurdo da realidade surreal: as SEIS velhas que caem do terraço e se espatifam no chão, uma após a outra, pela curiosidade de ver a velha que havia caído anteriormente; a discussão que se inicia e se alastra pelo bairro porque o personagem não sabe mais se o sete vem antes do oito ou vice-versa; ou ainda o operador de milagres que não opera nenhum milagre em toda a sua vida, nem mesmo o de reverter a expulsão pelo proprietário de seu próprio apartamento. E a sensação, ao sair do teatro, é uma mistura de prazer — por ter assistido a uma peça única com grandes nomes das artes no mundo (da dança, do cinema e do teatro) — com estranhamento — pelos mesmos motivos.

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Por que os atores da Comédie Française usam o no...

Por que a Comédie Française, esta instituição cultural francesa fundada por Luís 14 e Molière em 1680 e que ocupa o mesmo prédio desde 1799, é o único teatro do Estado francês, o único teatro que tem uma companhia permanente de 63 atores contratados exclusivamente, que apresentam uma média de 850 peças por temporada-ano, em três salas (Richelieu, a sala mais bonita, o Vieux-Colombier e o Studio-Théâtre), com um repertório com mais de 3 mil peças de teatro (só as peças de Molière foram encenadas 33.400 vezes, de 1680 a 2009). Assim, quando eles são convidados para atuar em algum filme (e parece que isto está virando uma tendência, já que quase todos os atores da trupe, quando nas telas, concorrem aos prêmios de melhores atores do César), eles são dispensados temporariamente, mas não perdem o vínculo com a Comédie Française. Por isso, no filme Yves Saint Laurent, por exemplo, o protagonista Pierre Niney é sempre apresentado como “Pierre Niney de la Comédie Française”.

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Kabuki-za V

Para quem gosta de artes, assistir a uma peça do gênero kabuki no teatro Kabuki-za é uma das experiências mais incríveis do Japão. O kabuki, junto com o no, o bunraku e o buto, é um teatro tradicional japonês que (apesar de – ou justamente por – ser luxuoso, assim como a ópera, era destinado às massas) surgiu no século 18. Todos os atores (homens, já que mulheres até hoje não são permitidas) estudam praticamente a vida inteira para especializar-se em um único tipo de papel (algo impensável para a nossa dramaturgia ocidental). Os tecidos são fabulosos; os gestos, exagerados ou elegantíssimos; a dramaticidade com que atuam é de tirar o fôlego (não se consegue imaginar tamanha “intensidade” ao ver a placidez e a delicadeza dos japoneses nas ruas de Tóquio).

Como é falado em japonês antigo, mesmo que você fale japonês, alugue um tradutor simultâneo (em vários idiomas) para entender as falas. O que é incrível é que pelo próprio fone (que você coloca em apenas um ouvido) você também escuta a peça ao vivo, o que é perfeito, já que a tradução não compromete negativamente a apreciação da peça.

As peças – ou conjunto de peças – têm geralmente 4 horas de duração com vários atos (a programação começa pela manhã e vai até à noite), mas também pode-se comprar ingressso para um único ato, ou em japonês makumi  (só que esses ingressos só dão direito de assitir a peça no último andar do teatro, lá no alto do quarto andar, o que compromete a vista). Se estiver com tempo (eu sei que é raro), compre o bilhete integral em um lugar melhor, porque você não vai se arrepender. Deixe-se levar e ser envolvido pela história. Só não se esqueça de alugar o tradutor, porque sem entender a história, a peça vira um nonsense  total (as histórias – mitológicas, de honra e amor – têm às vezes uma lógica muito própria :-)

O teatro, panteão do kabuki (todos os atores míticos passaram e estão aqui), foi inaugurado originalmente em 1889, mas um incêndio o destruiu em 1921, um terremoto destruiu sua tentativa de reconstrução em 1923, bombas o destruíram durante a Segunda Guerra Mundial em 1945, e sua última “destruição” foi em 2010 para ser reinaugurado em 2013 (por isso Kabukiza “V”: é a quinta “versão” do teatro) com toda a pompa, tradição e tecnologia sob a supervisão do starchitect  Kengo Kuma.

A não ser pelo prédio comercial de 28 andares construído atrás do teatro, as mudanças para o novo Kabuki-za foram mais estruturais que estilísticas. O teatro foi inteiramente destruído e reconstruído com as mesmas dimensões (mudou-se, no entanto, os materiais: todas as vigas que sustentam o teto, antes de madeira, e apesar de parecerem madeira hoje, são de alumínio); a sala de espetáculos possui exatamente as mesmas medidas, mas o fosso do palco está maior e as poltronas agora têm uma tela onde são exibidas informações sobre as peças e legendas; e o prédio do teatro hoje está melhor preparado para abalos sísmicos e, segundo Kuma-san, vai durar mais cem anos.

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