Música


Billie Holiday e Louis Armstrong em cena emocionan...

Beirando os limites do French Quarter, Storyville  era a zona de luz vermelha de New Orleans — e um dos grandes berços do jazz —, onde a prostituição foi legalizada em 1897 (hoje, ela é ilegal em todo o território estado-unidense, com exceção de alguns counties  no estado de Nevada, mas apenas em bordéis regulamentados). Dos anos 1890 até a Primeira Guerra Mundial, quase CEM bordéis de luxo — saloons  onde a dança, a bebida, o jogo, o jazz  e as quase 700 meninas listadas por ordem alfabética no Blue Book, um diretório com todas as informações que os visitantes do Vieux Carré  podiam comprar — tomavam a região como era conhecida a Basin Street, paralela à icônica Rampart Street (nas ruas de trás, quartos minúsculos com apenas um colchão, chamados de “cribs”, serviam como local de trabalho das meninas independentes). E nesta cena do filme New Orleans, de 1947, os grandes Louis Armstrong e Billie Holiday dão adeus à Storyville, momentos antes de a polícia fechar a região por conta dos “vícios”, como diz Billie no trecho: “The law stepped-in and called it sin to have a little fun”. Mas como inicia Mr. Armstrong no começo da cena, “how about one more tune before we leave?” (Que tal uma última canção antes de partirmos?). Obrigado, Nilma Raquel, por te me feito relembrar deste lindo filme!

Para ver a cena completa, com menos qualidade, clique aqui.

VEJA MAIS

Voyage, voyage: Viaje eternamente e nunca mais vol...

Seja pela melodia, pelo videoclipe em clima noir  ou pela letra cheia de referências — do Saara ao Fuji, passando por sikhs, “tapetes de ventos” e capitais —, Voyage, voyage, lançada pela cantora francesa que se autointitulou Desireless (“Sem Desejo”), nos faz, há exatos 30 anos (a música é de dezembro de 1986), viajar por espaços e tempos físicos e mentais. E foi uma das raríssimas músicas cantadas inteiramente em francês que chegou às listas das mais tocadas em rádios de todo o mundo (não foi diferente aqui no Brasil, quando me lembro de, ainda criança, escutar a música sendo tocada no rádio do carro, enquanto eu via a cidade pela metade na janela do banco de trás). Abaixo, você assiste ao clipe, canta junto e acompanha a versão para o português, feita por mim, em tradução livre-livre-livre. É só clicar no play. {Confira também as músicas francesas do nosso coração — para inspirar a sua próxima viagem a Paris —, clicando aqui}

Ver Mais →

VEJA MAIS

As instituições culturais de SP que você precis...

São Paulo, assim como outras importantes cidades do Hemisfério Sul, não tem grandes museus ou uma programação cultural à altura de cidades como Nova York, Paris e Londres. E é provável que muitas das coisas que você veja aqui, você já tenha visto lá fora, e em escala bem menor. Mas, muito foi feito nos últimos vinte e cinco anos para fomentar a cultura na cidade. Desde maiores investimentos para o cinema e teatro, reformas de museus e prédios antigos e a brava tentativa de trazer para o país companhias de dança, orquestras e exposições de todo o mundo (geralmente de artistas com maior apelo popular). E posso dizer que, hoje, nossa programação anual de música e dança é bem boa… A seguir, você confere os lugares que a gente mais ama — e frequenta — em São Paulo.

PINACOTECA DO ESTADO [Centro] Ótimo acervo, a melhor programação ao longo do ano

instituicoes-culturais-museus-sao-paulo-sp-1200-3-pinacoteca-do-estado instituicoes-culturais-museus-sao-paulo-sp-1200-4-pinacoteca-do-estadoFundado em 1905 como uma coleção de pinturas para estudantes de arte num edifício imponente de tijolos aparentes em estilo neoclássico italiano (projetado por Ramos de Azevedo, o mesmo arquiteto do Theatro Municipal, do Mercadão, da Casa das Rosas), a Pinacoteca do Estado é o museu mais antigo de São Paulo (outro gigante da arquitetura nacional seria responsável pela bem-sucedida reforma de 1998: Paulo Mendes da Rocha). E o acervo permanente, uma coleção de 9 mil obras — das quais 1000 permanentemente expostas no segundo andar — é uma importante viagem pela arte brasileira dos Ver Mais →

VEJA MAIS

Paris: As músicas francesas do nosso coração

Com já dizia Josephine Baker, a vigorosa dançarina e cantora negra norte-americana que seduziu Paris nos anos 20 (apresentando um show  vestida apenas com – pouquíssimas – plumas): “J’ai deux amours, mon pays et Paris…”  (tenho dois amores, meu país e Paris) Nenhum outro lugar do mundo foi tão retratado em versos, seja na literatura ou na música, quanto a Cidade-Luz. E em Paris, aproveitar a bela paisagem urbana flanando com uma trilha sonora genuinamente française  pode intensificar a experiência e marcar na memória a combinação {paisagem + música} para sempre (além de nos fazer sentir aquela mesma melancolia profunda que está nos genes dos parisienses). Seja pelas ruazinhas de Montmartre acompanhado por Edith Piaf e Yann Tiersen; à beira do Sena no fim da tarde ou pelo Quartier Latin com Charles Aznavour; pelo Louvre, Opéra, Comédie Française e Palais Royal com Ravel; ou pela Saint-Honoré com Vive la Fête, a música Ver Mais →

VEJA MAIS

A magia dos concertos

Nós não guardamos seus rostos, não sabemos seus nomes. Mas cada um daqueles anônimos que agora estão nesse palco sem qualquer cenário, sobriamente vestidos, passou a vida inteira se dedicando ao estudo da música, a maioria a um único instrumento, para ser capaz de executar obras de compositores, que também viveram esse universo de forma quase obsessiva. Para estar ali, no palco, nestes dia e horário, com o instrumento em mãos, além do estudo da música, foram necessárias muitas horas e muitos dias de ensaio, individual e coletivo, conquistando uma harmonia em que cada instrumento é essencial para o todo, sob enorme pressão, praticando uma ou duas composições escolhidas pelo maestro especialmente para aquele dia, entre as milhares criadas nos últimos séculos, respeitando cada nota, cada tempo… Nós? Apenas nos vestimos, pegamos o carro e nos Ver Mais →

VEJA MAIS

Lohengrin, de Richard Wagner

E foi a ópera que trata da dúvida sobre o amor — deve o amor pelo outro ser incondicional; a confiança, inabalável? — que nos deu uma das mais populares e a mais linda e melódica das marchas nupciais, a Treulich Geführt, tocada em casamentos no Ocidente há mais de 150 anos (a outra, mais imponente, é a de Mendelssohn, que ele compôs para a peça Sonhos de Uma Noite de Verão). Apesar de o nome do protagonista, Lohengrin, ser também o nome da ópera (e aparecer nos letreiros de tradução do teatro durante o espetáculo), é preciso ter em mente que todos os personagens vão conhecer o nome do cavaleiro do cisne no terceiro ato, após mais de três horas e meia do início desta história que trata de justiça, confiança em Deus (e nos outros) e obrigação com o Santo Graal.

Nesta história musicada que te deixará completamente envolvido apesar da longa duração (com os intervalos são 4h30 de ópera, mas vá sem medo), Elsa, filha do Duque de Brabante, é acusada pelo Conde Friedrich von Telramund, de ter assassinado seu irmão Ver Mais →

VEJA MAIS

Música, cerveja e comidinhas no Manioca

A chef  gaúcha Helena Rizzo, do Maní, vai cozinhar, neste próximo domingo, um menu com pratos de inspiração chinesa a pedido do cantor capixaba Silva, que se apresenta no mesmo dia que o cantor paulistano — que também canta em inglês — Thiago Pethit. Tudo regado à cerveja de origem mexicana Sol (mas hoje também fabricada no Brasil). #ILoveSaoPaulo

Em clima de fim de tarde de domingo com amigos (são apenas 200 lugares), com música brasileira, comidinhas, cerveja e michelada  (a cerveza preparada  com molhos inglês e de pimenta, chilli, suco de limão e sal) e num cenário que a gente adora, o Manioca (ali, de paredes coladas com o Maní), a segunda edição do Sol Sunday Sessions acontece neste domingo, dia 26 de julho, das 16h às 22h, com o show  do Pethit às 18h e o do Silva às 19h. Antes, depois e entre os Ver Mais →

VEJA MAIS

Festival Música em Trancoso

Se há 45 anos Campos do Jordão tem seu impecável festival de música clássica que atrai pessoas para a cidade apenas para aproveitar a programação de Arthur Nestrovski / Marin Alsop num clima de montanha, Trancoso segue a mesma direção, sob as mãos de Sabine Lovatelli, da Mozarteum, com um festival de música à altura, mas que mistura do erudito ao popular, que tem tudo a ver com a Bahia. 

O Festival Música em Trancoso — o MeT —, já em sua quarta edição acontece este ano de 7 a 14 de março (de sábado a sábado), no belo Teatro L’Occitane, que fica no complexo Terravista (tem de ir de carro até lá porque é bem longinho do Quadrado).

Na programação, que conta com nomes importantes da música, como a soprano búlgara Vesselina Kasarova, o tenor argentino Enrique Folger, os maestros Roberto Minczuk, Carlos Moreno e Benoît Fromanger, o música Cesar Camargo Mariano e o sambista Paulinho da Viola, entre outros, cada dia é dedicado a um estilo de música: na abertura, no sábado dia 7, From America to France  faz uma viagem de Gershwin a Saint-Säens; no dia 8, Tango Meets Samba traz Piazzola e Caymmi no mesmo programa. Ainda tem um dia dedicado à bossa nova e outro à ópera. Para conhecer a programação completa, é só clicar aqui.

Os ingressos estão sendo vendidos a R$ 100 por noite pelo site ingressorapido (clique aqui, apesar de alguns dias já estarem com ingressos esgotados). Para a comunidade, eles custam R$ 10 (muito legal isso).teatro loccitane musica em trancoso terravistaOs dois teatros, cada um com capacidade para 1000 pessoas, sendo o da direita a céu aberto. :- )
teatro loccitane musica em trancoso terravista
E CONFIRA O NOSSO GUIA COMPLETO  DE TRANCOSO:
Trancoso: Informações Práticas
Trancoso: O Quadrado
Trancoso: Praias
Trancoso: Hospedagem
Trancoso: Restaurantes
Trancoso: Comidinhas

VEJA MAIS

Arte misândrica

Misógino é aquele que sente ódio, aversão ou desprezo pelas mulheres. É um sentimento ainda bastante presente — na música, na literatura, nas opiniões — seja de forma explícita, seja de forma velada, no discurso machista de homens E mulheres, apesar da atração sexual que possa existir entre o interlocutor e o objeto de seu desejo-desprezo. Mas, talvez como uma forma de lutar contra séculos de opressão (ou mesmo se vingar de uma traição, do desprezo e da humilhação por um homem), cada vez mais artistas mulheres produzem obras misândricas, principalmente nos últimos vinte anos, seja através de músicas, como as cantoras Tori Amos, Nicki Minaj e Beyoncé-Who-Runs-The-World-Girls-Knowles, ou mesmo nas artes plásticas, como Sophie Calle (que, na obra intitulada Take Care of Yourself, expôs o email que o seu ex-namorado lhe escreveu para terminar o relacionamento Ver Mais →

VEJA MAIS

As Bodas de Fígaro

As duas primeiras peças que compõem a trilogia de Pierre Beaumarchais, 1. O Barbeiro de Sevilha e 2. O Matrimônio de Fígaro, se transformariam em óperas conhecidas mundialmente: O Barbeiro de Sevilha duas vezes, primeiro por Giovanni Paisiello e depois por Gioachino Rossini (que é a versão mais famosa), e O Matrimônio, que recebeu o título de As Bodas de Fígaro e seria uma das obras-primas do repertório operístico de Mozart (a terceira, La Mère Coupable, também viraria ópera de Darius Milhaud). Apesar da censura ao texto de Beaumarchais em Viena (a cidade ainda fazia parte do Sacro Império Romano-Germânico, antes mesmo do Império Austríaco e do Império Austro-Húngaro), o bem articulado libretista italiano Lorenzo da Ponte retiraria as partes ofensivas à monarquia, à religião e à ordem pública e conseguiria a aprovação do libretto com o Imperador José II antes mesmo de Mozart começar a trabalhar a música desta opera buffa (ópera cômica), — apesar dos esforços de sabotagem de Antonio Salieri, o arqui-inimigo de Mozart na corte. Com sua estreia em Viena, Ver Mais →

VEJA MAIS

Sala São Paulo

Assim como o Orsay, museu parisiense dedicado ao Impressionismo, a Sala São Paulo ocupa uma estação de trem, a Júlio Prestes, que era a estação central da Estrada de Ferro Sorocabana, por onde safras de algodão e café do interior paulista chegavam à capital até os anos 1920. A única diferença com relação ao Orsay, no entanto, é que a Júlio Prestes ainda segue operando como uma estação da CPTM, o que torna a Sala ainda mais especial: essa dupla-ocupação do edifício neoclássico — do auge da música erudita ao transporte popular, dos notas puras da música ao barulho dos trens nos trilhos — aconteceu na década de 1990, quando o jardim interno da estação se converteu na mais incrível sala para concertos (construída exclusivamente para esse fim) da América Latina, que hoje é a sede da OSESP, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, e também do Cultura Ver Mais →

VEJA MAIS

Etiqueta em concertos

PONTUALIDADE
— Chegue com antecedência para tomar um café e apreciar a arquitetura, as pessoas, antes de o concerto começar. Nada pior que chegar na sala atrasado, correndo, esbaforido. Você mal consegue sentir a música quando ela começa. Ah, aproveite para fazer xixi. Sair da sala no meio do concerto não é uma opção.
— Concertos não têm a regra dos “três sinais” comum no teatro, que sempre nos dá aqueles quinze minutinhos de tempo extra. Se o concerto está marcado para começar às 21h, ele vai começar às 21h.

PROIBIDA QUALQUER TIPO DE DISTRAÇÃO
SILÊNCIO TOTAL enquanto se ouve a música. Se precisar tossir ou espirrar, use um lenço para diminuir o barulho; se tiver uma crise de tosse, saia da sala da maneira mais discreta possível, ciente de que você não vai mais poder retornar ao seu assento.
— Se é proibido filmar, gravar ou fotografar o espetáculo, simplesmente não o faça.
— Telefones celulares, tablets etc. devem permanecer DESLIGADOS durante o concerto, não só no modo silencioso. A luz que as telas emitem também incomodam, distraem. Assim, se você quiser levar seu filho pequeno — que não tem paciência para permanecer no concerto — e acha que pode deixá-lo com um smartphone  jogando para ele se distrair, não o leve. É horrível ir ao concerto e ver uma tela colorida e eletrizante emitindo luzes coloridas ao seu lado ou na fileira da frente.
— Brincos e pulseiras podem fazer barulho. Atenção na escolha dos acessórios.
— Abrir balar durante o concerto? NÃO. A acústica das salas de concerto é tão perfeita que é capaz de o maestro ouvir e querer uma bala. Você não vai querer dividir, né?
— Última regra  de ouro do silêncio absoluto: NÃO comente sobre o concerto durante o concerto. Espere o intervalo ou o fim para dividir suas impressões. Se o seu acompanhante não tem o hábito de frequentar concertos e quer informações sobre a música, oriente-o antes e não durante o concerto.

APLAUSOS
— Talvez a parte mais “complicada”. É tradição aplaudir apenas ao final das obras. Geralmente, uma obra é composta por vários movimentos, e existem pausas entre eles. Se você não conhece a música completa, é difícil saber quando acabou (mesmo seguindo o programa, às vezes o maestro faz uma pausa maior entre movimentos; outras vezes, você mal percebe que um movimento acabou e outro começou). Conclusão: na dúvida, não aplauda até ter certeza que não tem mais nenhum movimento para ser tocado. E NÃO siga os outros porque aplauso é contagioso: quando alguém começa errado, vai um monte atrás.
Se a música te emocionar, aplauda, grite, levante. Sem vergonha.
— É fundamental que você se sinta confortável. Na Sala São Paulo, por exemplo, não é obrigatório o uso de trajes sociais, mas também não é permitida a entrada de pessoas usando bermudas, shorts e chinelos. Jeans, camiseta e tênis é ok.

DEU SONO?
— Se bater aquele soninho, pode cochilar (a não ser que você ronque). Nada mais luxuoso que ter a trilha sonora dos seus sonhos sendo executada ao vivo por uma competente orquestra em um templo de música.

Ver Mais →

VEJA MAIS

London Grammar

London Grammar é uma banda inglesa que lançou seu primeiro álbum em 2013 e já conquistou milhares de corações — ou os destruiu — all over the world. As músicas tristes e melancólicas — perfeitas para momentos de desilusão amorosa — são interpretadas pela voz potente de Hannah Reid (a primeira vez que escutei achei que era uma voz masculina). Strong, Nightcall, Wasting My Young Years já são favoritas. Se você curte Florence, Feist ou mesmo Lana del Rey, vai gostar. É só clicar abaixo e escutar. Ver Mais →

VEJA MAIS

Zaz no Brasil

Atenção, atenção! Uma de nossas divas francesas vivas, a cantora de voz grave, rouca, com ares — e letras — de pura liberdade e uma certa rebeldia, Isabelle Geoffroy, aka ZAZ, fará shows em Belo Horizonte (19 de março), no Rio (20 de março, no Circo Voador) e em São Paulo (nos dias 22 e 23 no Sesc Pompeia). Em São Paulo, os ingressos vão custar R$ 40 e começam a ser vendidos pela internet  apenas no dia 10 de março. Coloque a data na agenda. No sábado dia 22, o show é às 21h30, e, no domingo dia 23, às 19h30. Can’t wait. Confira abaixo algumas de nossas músicas prediletas para entrar no clima. Os ingressos para o Rio já estão à venda, clicando aqui.

Ver Mais →

VEJA MAIS

Maria Callas who?

Uma senhora, no início dos anos 2000, entra numa loja de CDs e pede a uma jovem vendedora para ver os álbuns de Maria Callas. A jovem prontamente responde: “Vem cá, eu vou te mostrar, mas a pronúncia não é essa… É Maráia Kérry.” #HistóriasVerídicas

bette-davis-1937-everett_2_WHAT Ver Mais →

VEJA MAIS

Universo adolescente com a batida perfei...

Sua aparência e voz potente não são de uma garota de 16 anos. A neozelandesa Lorde lançou esse ano seu primeiro álbum The Love Club, e a música Royals já conquistou corações na Oceania, na Europa e nos Estados Unidos. Trata com fidelidade o tédio do universo adolescente: “(…) a verdade é, metade do tempo não estamos fazendo nada além de brincar com isqueiros ou esperar numa estação. Por isso, isso tinha de ser real. E eu estou nessa estação toda semana. Esses garotos são meus amigos…”.

VEJA MAIS

I Want A Little Sugar In My Bowl

I Want A Little Sugar In My Bowl fez parte do álbum Sing The Blues, lançado em 1967, por Nina Simone, baseada em uma música de Bessie Smith. Uma das minhas músicas prediletas.

Ver Mais →

VEJA MAIS

Estreia de Attila no Met, em Nova York

Uma première  está sempre cercada de ansiedade por parte daqueles que dela participam. Ainda mais quando Miuccia Prada estreia assinando figurinos para uma ópera, Herzog & de Meuron – ganhadores do Pritzker Prize 2001, o Oscar da arquitetura – idealizam a cenografia, Pierre Audi dirige a cena e o maestro Riccardo Muti conduz a música. E a estreia da nova montagem de Attila no Metropolitan Opera de Nova York (Met, para os íntimos) não fugiu à regra das noites operísticas. Débuts, acertos, bravos e vaias, marcaram a noite de 25 de fevereiro.

A estreia de Attila, em 1846, no teatro veneziano La Fenice (reaberto em 2003 depois de uma grande reforma), não foi diferente. A nona ópera de Giuseppe Verdi surgiu como uma composição jovem e com vigor patriótico mostrando nuances humanas dos personagens, característica que permearia todas as obras e definiria o estilo do compositor. Os críticos inicialmente não apreciaram a obra, que conta a história do impiedoso rei huno e de sua invasão ao Império Romano no século 5 d.C., mas sua energia patriótica contaminou as massas em performances por toda a Itália, no contexto político do Risorgimento (movimento que buscou a unificação da Itália que, na época, era um grupo de pequenos estados submetidos a potências estrangeiras).

O maestro Riccardo Muti demonstrou por que, ao longo de quase 20 anos, conseguiu a façanha de reger o Scala de Milão – sendo quase um déspota, porém, esclarecido. Sua estreia no Met  foi ovacionada desde que o napolitano deu seus primeiros passos rumo à orquestra. Sua regência foi leve, sutil e impressionou ao atrelar com maestria a orquestra, os cantores e o coro. Foi aplaudido de modo curioso pela plateia que, ao final da récita, fez questão de demonstrar que as vaias conferidas à montagem a ele não se dirigiam.

Passagem especial de sua regência foi a ária Avrai tu l’universo, resti l’Italia a me!  (“Você pode ficar com o universo, mas deixe a Itália para mim”), que possui significado especial para todos os italianos. E dá para imaginar o quanto tal reivindicação comoveu o público em 1846, quando a Itália ainda estava sob a égide francesa e austríaca e clamava por sua tão almejada autonomia política. Na estreia da ópera, a performance teve que ser interrompida inúmeras vezes, tamanha a comoção do público veneziano.

O figurino idealizado por Signora  Prada impressionou a plateia jovem do Met, que se maravilhou com o capacete luminoso de Attila, o vestido amarelo reluzente de Odabella, a capa de couro portentosa do general romano Ezio, o branco cativante das vestes do Papa Leo I, acompanhadas, é claro, dos sapatos vermelhos que a Prada confecciona para o atual Papa Bento 16. Entretanto, a tentativa da designer  de contextualizar os figurinos de modo mais jovial, moderno e direto, não foi unanimemente bem recebida pela tradicional plateia. O New York Times, por exemplo, comparou o look  de Odabella à Marge Simpson e o capacete reluzente de Attila a um artefato espacial.

Ainda mais controvérsia gerou os cenários by Herzog & de Meuron e a direção de Pierre Audi que, ao entrarem no palco, foram vaiados de pé por parcela significativa do público. Tais vaias também foram ouvidas na première de Tosca, que contou com cenários ousados e abordagens pouco ortodoxas quanto à direção de cena. Sem querer entrar nas vicissitudes da montagem de Tosca, nota-se que há algo em comum entre as duas montagens, o que pode ter despertado a repulsa do público nova-iorquino.

Ambas as montagens afastaram-se do modelo tradicional de encenação, que segue à risca a descrição dos libretistas e compositores quando da elaboração do libretto, realçando nuances que constam no texto, mas que não são tão óbvias à primeira leitura. E tal movimento, em uma plateia acostumada a irrestritamente aplaudir as montagens não tão ousadas do italiano Franco Zeffirelli, pode não ser bem-vindo.

A ÓPERA
Attila começa a ser encenada em cima dos escombros da cidade romana de Aquilea. Os cantores cantam a quase 5 metros acima do nível do palco, cercados por expressiva destruição. Tal cenário oprime, sufoca, impressiona. Condizente, portanto, com a aniquilação de uma cidade. O segundo e terceiro atos ocorrem no acampamento de Attila, retratado por Herzog & de Meuron como uma densa floresta, cujas cores e exuberância mais remetem à floresta amazônica do que a uma floresta temperada italiana. As escolhas de certo modo limitaram o jogo de cena entre os personagens, pois realçam a exuberância das cercanias do acampamento de Attila, mas não se constrói uma relação direta com a psique dos personagens. Nas palavras de Herzog & Meuron: “Nossa abordagem restringiu-se às descrições que Verdi apoiava: destruição, ruína, lagoas, florestas e escuridão – tudo abordado de modo naturalista”.

Interessante notar que na noite seguinte à première  de Attila assisti a La Bohème, com cenários de Franco Zeffirelli. O retrato fidedigno de Paris maravilhou a plateia. A cada mudança de cena, as senhoras que me cercavam ecoavam um longo “Ahhh” e aplaudiam. Zeffirelli sabe como poucos retratar o belo, que muitas vezes em suas mãos se torna óbvio. Acredito que suas montagens foram e são fundamentais para o mundo da ópera, que é um gênero artístico capaz de contemplar tanto o tradicional quanto o novo. Importante, contudo, não se esquecer do novo.

Por Paulo Guimarães

Nova York, 18 de março de 2010.

VEJA MAIS

SIGA A SIMONDE

Interaktiv
Wordpress SEO Plugin by SEOPressor