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Estilo

Para além da expressão artística, a moda, a decoração e a arquitetura fazem parte do nosso dia a dia. Estilo também aborda outros "acessórios" da vida moderna que a gente anexa à nossa identidade: carros, barcos e outros meios de transporte, joias e relógios, antiguidades e claro, estilo de vida, etiqueta e comportamento


Galápagos: Como conhecer as ilhas que inspiraram ...

Uma viagem que durou cinco anos e passou pelas ilhas Galápagos (e duas vezes pelo Brasil) fez com que um jovem naturalista inglês, bem nascido mas nada brilhante na juventude (tentou a medicina e o sacerdócio, ambos sem sucesso), chegasse, a partir da observação, a uma das ideias mais brilhantes — e revolucionárias — de toda a história: a de que as características dos indivíduos de uma determinada espécie mais bem adaptados ao ambiente passariam para as futuras gerações, moldando o que somos e o percurso da evolução (assim, isso é apenas um dos pontos escrito de uma maneira bem  resumida), respondendo assim a uma das questões fundamentais da ciência, que na época acreditava que as espécies eram imutáveis (sem falar nas profundas  implicações religiosas — que dava ao acaso das mutações genéticas o poder que antes era de Deus — e filosóficas, discutidas até hoje).

E se, de 1831 a 1836 (passando por Galápagos em 1835), Charles Darwin fez a viagem no HMS Beagle, uma embarcação a vela com dois mastros, nada  confortável e numa época quando as pessoas partiam para as viagens sem saber se voltariam vivas (ou se voltariam), hoje é possível conhecer essas que são uma das paisagens mais inóspitas, únicas e protegidas Ver Mais →

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Etiqueta em restaurantes japoneses: O guia definit...

O shooyu [しょうゆ、ou em kanji  醬油] é o já famoso molho de soja fermentada criado na China há mais de vinte e dois séculos, de uma cor e brilho que nos lembra a laca e sabor complexo e intenso (#umami em sua máxima potência), presente na gastronomia da maioria dos países asiáticos. Com a proliferação dos restaurantes japoneses pelo mundo, os ocidentais já aprenderam a comer de hashi (e deixam os japoneses impressionados), mas, em compensação, quando o assunto é o uso do shooyu

USE O SHOOYU  COM MODERAÇÃO, SEMPRE

— Coloque pouco shooyu  no recipiente para o molho, não o encha; e vá se servindo conforme for comendo. O ideal é que, terminada a refeição, não sobre uma gota sequer no pratinho.
— O Japão é um país que, assim como outros países que passaram por racionamento de comida durante as guerras, abomina o desperdício. O shooyu  é um alimento que leva Ver Mais →

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Precisamos falar sobre tecidos #video

Você AMA um estilista, mas nunca pegou uma roupa da marca nas mãos. Será que tem algum problema aí quando a principal matéria-prima da moda é o TECIDO? Nesta excelente e agradável conversa, lá de Paris, da Isabel Junqueira com a Olivia Merchior, coordernadora de moda da Première Vision, a mais importante feira do mundo para a indústria da moda, você vai ficar sabendo a diferença fibras longas e fibras curtas (e por que são as fibras curtas que causam as famigeradas bolinhas), a polêmica do poliéster (usá-lo, sim ou não; e a resposta é inesperada), entre outras coisas. É só clicar, aprender e refletir. É cada vez mais importante conhecer as origens dos produtos que consumimos; é consciêcia, é repertório.

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Armani Hotel Milano, uma autêntica experiência m...

Giorgio Armani nasceu em Piacenza, cidade a uma hora ao sul de Milão, mas foi na capital da Lombardia que começou sua carreira como vitrinista da loja de departamentos Rinascente (ao lado da Duomo) e se transformou no mais bem sucedido — e rico — estilista não só da Itália mas do mundo (em segundo lugar, vem Ralph Lauren). E se a colaboração entre nomes da moda e a hotelaria não é nova (de quartos assinados por marcas e estilistas — como as suítes Dior e Tiffany no St. Regis, em Nova York, à suíte Diane von Furstenberg no Claridge’s, em Londres — aos hotéis Bulgari, Versace, Moschino e Ferragamo, com a rede de hotéis da família, a Lungarno Collection), hospedar-se no Armani Hotel, em Milão, uma das capitais mundiais da moda e do design  (Giorgio Armani além de criar roupas e acessóris também possui sua linha Casa, com móveis, tecidos, cristais, porcelanas, luminárias), e onde o estilista construiu sua história, não poderia ser maior reflexo da alma Ver Mais →

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A rota das tapeçarias na França

O luxo-ostentação como a gente conhece hoje foi criado na França de Luís 14 (rei de 1643 a 1715) e estimulado por seu visionário Ministro das Finanças, Jean-Baptiste Colbert, para quem a França deveria exportar para o mundo o estilo de vida da corte francesa — e, consequentemente, melhorar a balança comercial através do aumento das exportações e, de quebra, a imagem do rei. Assim, Paris se tornou a principal referência de estilo em todas as cortes europeias e em todas as áreas — moda, artes, etiqueta, gastronomia, vinhos, joias, e artes decorativas: floresceram nessa época as manufaturas de cristais (Saint-Louis, Baccarat), porcelanas (Sèvres, Limoges), pratarias (Christofle), rendas (Alençon, Puy), móveis e tapetes (Savonnerie) e tapeçarias (Gobelins, Aubusson e Beauvais).

Apesar de a tapeçaria ter tido grande tradição também em Flandres (atual Bélgica), essa particularidade histórica relacionada ao mercado do luxo — e até hoje um dos alicerces da economia e do soft power franceses — talvez explique por que a França hoje seja o único Ver Mais →

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A ditadura do siga-de-volta

Quero a liberdade de seguir quem eu quiser  porque os posts das pessoas que escolho seguir são interessantes para mim. Quero ter a liberdade de segui-las pelo tempo que eu quiser, sem ter de ficar explicando — para ela — por que deixei de segui-la, se um dia eu me cansar de acordar TODOS OS DIAS vendo uma selfie  com frase de motivação ou as taças de champagne com o seu cartão de embarque nas salas VIP dos aeroportos do mundo em fotos sem qualquer legenda; o que não vai mudar em NADA o meu sentimento e nossa amizade. (Eu mesmo me canso da repetição que é a vida, de postar as mesmas coisas, imagina para quem está vendo…) Vir perguntar para o amigo — ou pior, conhecido — POR QUE ele deixou de seguir ou por que ainda não está “me seguindo” — ou pior-pior!, expor isso nas redes sociais — é de imensas indelicadezadeselegância e falta de educação (qual o objetivo, constranger?). Ninguém  é obrigado a gostar das coisas que a gente posta, mesmo as pessoas com quem a Ver Mais →

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A Sagrada Família de Barcelona quando pronta

Deus criou o mundo em seis dias (e descansou no sétimo). Já a Sagrada Família, na contramão da lógica capitalista do menor-custo-menor-prazo, consumiu 40 anos da vida de seu arquiteto, o catalão Antoni Gaudí, que morreu em 1926. Mas, se tudo correr como programado, em 2026, centenário da morte de Gaudí, a mais famosa catedral de Barcelona terá levado 144 anos para ser construída. E para nós, que passamos a vida toda acostumados a visitar a catedral eternamente-em-obras (parece que os guindastes já são parte do projeto), é quase surreal imaginar que, um dia, enfim, a Sagrada Família ficará pronta. E o projeto final é — ainda hoje — absolutamente impressionante (a torre central, a de Jesus, terá 170 metros de altura, o que fará com que o Templo Expiatório da Sagrada Família seja a mais alta construção religiosa do mundo). Que estejamos sãos e vivos para apreciá-la em tamanho real. Assista ao lindo e didático vídeo abaixo:

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Wallace Collection, o melhor da arte clássica em ...

Para quem ama arte, artes decorativas e beleza — ou apenas quiser ter a dimensão de como era uma mansão de nobres de séculos passados por dentro —, visitar a Wallace Collection é um dos passeios mais incríveis de Londres (e é gratuito; você só paga pelo audioguide, £ 4). A Hertford House, a construção mais imponente em volta da praça-jardim-privado Manchester Square, abriga uma coleção que levou 200 anos para ser construída e envolveu cinco gerações de uma mesma família — quatro marqueses (Hertford) e um Sir  (Richard Wallace) — que foi doada para o estado inglês e inaugurada ao público em 1900 pelo Prince of Wales da época, HRH The Prince Edward VII. É um sucesso desde então (na quinta temporada de Downton Abbey, os empregados do Conde de Grantham visitam o museu, quando em Londres para o casamento de sua sobrinha, e a história se passa em Ver Mais →

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Em francês, hôtel pode ser hotel mas não só

A matéria sobre o Museu Rodin causou confusão em alguns leitores por causa da palavra hôtel na frase “o Hôtel Biron do Musée Rodin reabriu…” (e não, não existe um hotel dentro do museu). Esse hôtel, apesar de também querer dizer hotel no sentido que conhecemos (empresa que aluga quartos para hospedagem), tanto em português quanto em francês, aqui tem outro significado: era assim que eram conhecidas as grandes casas de nobres, burgueses e industriais em cidades como Paris ou Bruxelas. Diferentemente do palácio, residência de príncipes de sangue, essas mansões urbanas de vários andares, quase sempre sem jardim, eram chamadas de hôtels particuliers, pertenciam a um único proprietário e eram concebidas para abrigar uma única família. E era comum que essas casas levassem o sobrenome do seu dono, pelos quais até hoje são conhecidas.

Paris ainda possui cerca de 400 hôtels particuliers, mas o número já foi bem maior, perto de 2 mil. E muitas dessas casas espaçosas ricamente decoradas se transformaram em museus, escritórios do governo ou hotéis, como o Hôtel de Gramont e o de Crozat na Place Ver Mais →

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Não respondi o whatsapp; nada pessoal

Mesmo se o dia tivesse 80 horas, ainda assim seria impossível ver todas as atualizações, comentários, conversas e matérias compartilhadas pelos amigos e pessoas que seguimos nas timelines  do Facebook, do Instagram e do Twitter (e as mensagens inbox  e direct ); além de responder todos os e-mails de trabalho (prioridade), ler todos os links  interessantes das newsletters; ver todos os novos vídeos dos canais que a gente assina no Youtube, os snaps  do Snapchat (tem gente que parece não conseguir mais viver sem compartilhar cada minuto do dia) e acompanhar todas as mensagens banais, vazias, esdrúxulas dos cada vez mais numerosos grupos no Whatsapp (não participo nem dos grupos da família). Isso por que ainda tem as centenas de jornais, revistas, sites, blogs  e portais, canais e programas de televisão e séries favoritos.

A acessibilidade é uma das principais características do nosso tempo. Temos acesso a informações de qualquer parte do mundo e de qualquer pessoa. Acompanhamos diariamente a intimidade, as conquistas e as viagens não só dos perfis das pessoas que Ver Mais →

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Como saber quem compra seguidores no Instagram

Você é quantos seguidores você tem. Profissionalmente, o valor de um projeto como a Simonde, por exemplo, está diretamente ligado à taxa de engajamento do público nas redes sociais (quantos likes, quantos comentários, quantos compartilhamentos, quanto usuários únicos). O problema é quando não só o seu valor profissional é medido por essas métricas de audiência (esse conceito de métricas deveria totalmente  se manter no âmbito empresarial e, tudo bem, faz parte do jogo), mas também o seu valor social, em alguns meios. Aí, você tem um panelão onde são colocados aquela enorme ansiedade de ser popular, a competição velada — mas acirrada — entre perfis parecidos ou mesmo amigos (uma vez ouvi um caso surreal  que envolvia duas mulheres da elite de uma rica cidade do interior do Rio de Janeiro), a vontade das marcas de se apropriar desses novos canais de comunicação (até mesmo pessoas físicas que acabam por se transformar em jurídica graças à sua capacidade de atrair atenção), a fragilidade da tecnologia e da própria natureza dos números (números SEMPRE podem ser forjados) e empresas obscuras que se aproveitam do contexto para ganhar dinheiro. O Ver Mais →

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Sprezzatura

Sempre foi vulgar parecer que você está se esforçando para ser chique. Nas cortes do século 16, não bastava ser hábil nas armas, nos esportes, na música e na dança, sendo a sprezzatura uma habilidade essencial do cortesão ideal. Essa era a opinião de Baldassare Castiglione — ele mesmo um cortesão da corte da duquesa virgem de Urbino —, que ele descreve em seu livro Il Cortegiano (O Cortesão, em italiano), publicado em 1528, quando as intrigas palacianas eram rotina (e resultavam em mortes e envenenamentos), a justiça um conceito quase abstrato (a vontade do soberano era imperativa) e as aparências, ah, como elas eram cultivadas. (Opa, mas algo mudou? )

Sprezzatura é dominar completa e perfeitamente a arte de se relacionar com as pessoas, de decorar a casa ou de vestir-se bem, de forma que essas difíceis tarefas pareçam completamente sem esforço, planejamento ou preocupação (o que faz com que o Ver Mais →

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Pode levar bebidas alcoólicas no avião?

Em voos internacionais, não tem jeito. Se estiver levando ou trazendo bebidas alcoólicas, tem de despachar dentro da mala (e rezar para que as garrafas — e suas roupas — cheguem intactas no destino). Mas, nos voos dentro do Brasil, você pode levar na bagagem de mão até cinco garrafas de vinho, uísque ou de cerveja (ou qualquer outra bebida com menos de 70% de álcool), desde que cada garrafa não ultrapasse um litro.

Quando você está levando preciosas garrafas para alguém, a última coisa que você quer é lidar com a frustração de não conseguir presentear seu amigo ou anfitrião. Por isso, despachar as garrafas — sabendo como os funcionários das companhias aéreas tratam as nossas malas — pode se tornar uma Ver Mais →

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A barba, o lumber e a Gilette

Nos anos 1990, num mundo cada vez mais minimal, tecnológico e clean, parecia que a tendência entre os homens era caminhar para a ausência total de pelos, no corpo e no rosto. Mas repare — caso você ainda não tenha percebido —: grande parte dos homens hoje parece que simplesmente desistiram de se barbear ou se barbeiam com uma frequência menor. E isso trouxe más notícias para a Gilette, pois desde sua fundação, em 1901, a marca que pertence à poderosa Procter & Gambble NUNCA havia observado queda nas vendas de seus aparelhos descartáveis de barbear. O investimento é pesado e contínuo em desenvolvimento de produtos, marketing e as campanhas, milionárias.

Desde 1971, quando foi acrescentada a segunda lâmina nos aparelhos de barbear até as 5 lâminas dos últimos lançamentos, parece que essa tecnologia encontrou seu limite (pra que mesmo cinco lâminas afiadíssimas para aparar pelos quase indefesos?) ao mesmo tempo que surge na evolução comportamental masculina essa figura que a imprensa Ver Mais →

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Likes get you high?

Em 2014, eu tive dates com três caras que tinham mais de “10 k” (em inglês, um k equivale a “000”), ou seja, que tinham mais de 10 mil seguidores no Instagram. Até então (até 2013), o Instagram pra mim era uma rede social em que a gente postava fotos de que a gente gostava, sem nenhum compromisso de agradar a um venerável público. Mas tudo mudou. E confesso que escutar frases como “meus fãs gostam de ver fotos minhas”, “se uma foto tiver menos de 500 likes, eu deleto porque queima meu filme”, “meu ex-namorado não sabia administrar minha popularidade” — ditas sem NENHUM constrangimento —; a preocupação com o conteúdo — escolha do cenário, do figurino, dos acessórios, editar a foto com inúmeros aplicativos para melhorar a aparência —; e o hábito de postar em dias e horários específicos para “otimizar o número de likes e comentários” (ou não postar fotos demais com o mesmo objetivo; “floodar a timeline” é como isso se chama); e o pudor zero em fazer Ver Mais →

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Não fique triste, darling

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Arte misândrica

Misógino é aquele que sente ódio, aversão ou desprezo pelas mulheres. É um sentimento ainda bastante presente — na música, na literatura, nas opiniões — seja de forma explícita, seja de forma velada, no discurso machista de homens E mulheres, apesar da atração sexual que possa existir entre o interlocutor e o objeto de seu desejo-desprezo. Mas, talvez como uma forma de lutar contra séculos de opressão (ou mesmo se vingar de uma traição, do desprezo e da humilhação por um homem), cada vez mais artistas mulheres produzem obras misândricas, principalmente nos últimos vinte anos, seja através de músicas, como as cantoras Tori Amos, Nicki Minaj e Beyoncé-Who-Runs-The-World-Girls-Knowles, ou mesmo nas artes plásticas, como Sophie Calle (que, na obra intitulada Take Care of Yourself, expôs o email que o seu ex-namorado lhe escreveu para terminar o relacionamento Ver Mais →

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Exotique

Os filmes noir de Hollywood das décadas de 1940 e 1950 reinventaram a posição da mulher e da moda feminina na cultura popular. Em 1947, dois anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, Christian Dior, faria uma ode à feminilidade com o seu New Look (nome dado pela redatora-chefe da Harper’s Bazaar norte-americana, Carmel Snow), dando poder às mulheres sobre os homens (mesmo que fosse apenas um statement fashionista). No cinema, femmes fatales como Rita Hayworth, Barbara Stanwyck e Jane Greer usavam roupas reveladoras e joias com o intuito de provocar e seduzir homens passíveis de serem dominados. A lingerie se tornaria mais complexa e interessante, aumentando a temperatura para quando chegasse a hora de se despir. E é nesse contexto que surgiu a Exotique, revista publicada entre 1951 e 1957, por Leonard Burtman, cientista que trabalhou para o governo norte-americano nos anos 1940 que, tornando-se estéril por causa Ver Mais →

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Saint Laurent, agora, por Bertrand Bonello

Ambos os filmes têm o mesmo tema e foram lançados em 2014. Mas tudo é mais bonito no Saint Laurent de Bertrand Bonello em comparação com o Yves-Saint Laurent de Jalil Lespert: os atores (Gaspard Ulliel!!! — lindo, pelado e em nu frontal —, Louis Garrel!!!, Aymelide Valade!, e mesmo Jérémie Renier, que acompanho desde As Rosas Selvagens, tem seu charme), os enquadramentos, a composição das cenas, os móveis design  do apartamento de Jacques de Bascher (o amante de Yves), a bela fonte que dá forma ao título do filme e que informa os anos em que as cenas se passam (meio à la Tom Ford, preciso dizer).

Como cinema também agrada mais. O Saint Laurent de Bonello, que não teve a aprovação do parceiro-de-toda-a-vida de Yves, Pierre Bergé, mas que teve o apoio de Henri-François Pinault, CEO da Kering, holding de luxo que hoje é dona da marca do estilista que revolucionou a maneira da mulher se vestir, é mais sutil e menos didático (só faz uma alusão à Dior), mais emblemático e menos romantizado que a versão de Lespert, que se Ver Mais →

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A beleza da juventude masculina no olhar de Didio

O Brasil é um país de homens lindos. E, felizmente, temos um fotógrafo especialista em descobrir, explorar e espalhar essa beleza para o mundo. Reconhecido internacionalmente, faminto por uma boa foto e apaixonado pela juventude masculina, há mais de 20 anos Didio nos inspira com imagens — naturalistas, sem artificialismos, masculinas e que captam a essência — dos modelos mais lindos do Brasil. Apesar de ser um fotógrafo de moda, a roupa tem um papel completamente secundário em seu trabalho. O foco é sempre o modelo, sua personalidade, atitude e espontaneidade.

É uma rotina incansável: semanalmente, Antônio Bezerra, seu nome de batismo, casado há 18 anos com o booker  Alex Dugacsek e pai do Baco (um schnauzer de 17 aninhos que adora ser fotografado; ele posa!), conhece, conversa — muito, já que, pra ele, conhecer a pessoa, Ver Mais →

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Manufacture des Gobelins

Numa vila intacta do 13éme arrondissement (com capela, museu, casinhas, ruas de pedra e prédios modernos), o Estado francês mantém vivo um dos símbolos de excelência das artes decorativas francesas, a tapeçaria, sendo a França (apesar das crises) o único Estado NO MUNDO a financiar uma atividade decorativa em nome da tradição. E apesar da longa história de Gobelins — que remonta aos anos de 1440, com o tintureiro Jean Gobelin, famoso por seu vermelho escarlate —, a técnica com que são feitos os tapetes e as tapeçarias permanece intacta: artesãos com iPod nos ouvidos produzem peças que podem levar de dois a 10 anos para serem concluídas, há mais de 400 anos (a técnica, não o iPod).

Na Manufacture des Gobelins, a gente volta aos tempos do rei Henri 4 (Henrique 4), que, em 1601, instalou dois tapeceiros flamengos no local (os artesãos de Flandres eram disputadíssimos pelas cortes europeias), que foram sucedidos por seus filhos, até que, em 1660, Louis 14, o rei absoluto mais esplendoroso e ensolarado de todos os tempos, junto com seu Ministro das Finanças e o criador da indústria de luxo francesa, Jean-Baptiste Colbert, “importam” um holandês com um novo método de tingimento do escarlate (naquela época as cores não eram nada fáceis, imagine só) e assumem Gobelins. Nessa mesma época, Colbert convence o Rei-Sol da importância das artes decorativas como forma Ver Mais →

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Monograma LV não é couro

Já me peguei várias vezes explicando — para amigos, para agentes da polícia federal e até para vendedores da Daslu — que a mítica toile  Monogram ou Damier da Louis Vuitton não é couro. Mas fiquei impressionado num jantar em Paris, uma vez, quando uma elegante francesa me disse que, sim, era couro (e até me fez tocar sua bolsa Speedy para sentir a “textura”; e olha que eles crescem vendo bolsas LV em tudo o que é canto, na rua, no metrô…). Toquei, tentei explicar, mas quando ela começou a se sentir ofendida, acabei respondendo n’importe quoi  e mudando de assunto.

Uma das razões pelas quais as pessoas pensam que as bolsas em lona (isso mesmo, lona!) são de couro é o alto preço dos produtos da marca. Mas, se você comparar os modelos são produzidas em toiles (que podem ser Monogram ou Damier) com as peças produzidas com couro (Epi, Taïga, Nomade, ou qualquer outra nova invenção de Nicolas Ghesquière), verá que os modelos em couro custam de 30% a 200% a mais do que as peças em lona.

POR QUE AS PEÇAS COM LONA SÃO CARAS?
Além das malas rígidas (que eram práticas, já que podiam ser empilhadas), a grande invenção de Monsieur Louis Vuitton, lá nos idos de 1850, foi essa lona, feita de algodão, com um acabamento resistente e impermeável. Um material muito mais adequado para a dura vida das bagagens durante as viagens. E patenteado pela maison.

Mas, a toile  não era essa que conhecemos tão bem hoje. A primeira versão era cinza, a segunda era listrada em duas cores, depois, em 1888, veio a Damier (um quadriculado bicolor que a Louis Vuitton relançou em 1996), e foi só em 1896, mais de 40 anos depois da fundação da maison, que Georges Vuitton, filho de Louis, criou a emblemática toile Monogram… que não podia ser utilizada nas bolsas mais moles (como a Keepal, lançada em 1924), já que era muito dura e pensada apenas para as malas rígidas.

E é com Gaston-Louis, representante da terceira geração da família e um amante das novas tecnologias, que a maison  investe em pesquisa e finalmente consegue imprimir o monograma da marca em um novo material adequado para bolsas maleáveis e fáceis de transportar (isso só se tornaria viável em 1959, já na quarta geração, com o filho de Gaston-Louis, Claude-Louis).

É por toda essa história, essa tradição, aliada ao trabalho especializado e artesanal, utilizando apenas materiais de qualidade, que faz com que qualquer peça que ostente a marca Louis Vuitton tenha um valor alto para a maioria das pessoas (essa é a parte “oficial”… no preço das bolsas, assim como acontece com qualquer outro produto de luxo que investe em comunicação de massa, ao comprar uma bolsa LV, você também está pagando pelas campanhas nas principais revistas de moda, pelo cachê da Scarlett Johanson, pelo salário de Nicolas Ghesquière, pelo luxo das lojas nas avenidas mais caras do planeta, pelas lindas sacolas, e pelo décor, champagne e comida de todas as festas e desfiles promovidos pela marca)…

E ONDE VAI COURO?
A grande maioria dos produtos Louis Vuitton (com exceção de algumas pequenas peças) levam couro, ou melhor, tem uma parte em couro de vaca. Nas bolsas Monogram, o couro pode ser reconhecido pela cor clara que, por serem naturais, sem tingimento, escurecem com o tempo. Já na Damier, o couro utilizado é tingido de marrom e não sofre alterações de cor com o tempo (a não ser na linha Damier Azur, que leva couro natural).

AS LINHAS 100% COURO
Para as coleções masculinas, são seis os tipos e estilos de couro que a Louis Vuitton utiliza em suas coleções: as bem antigas e lindas Taïga (em cores sóbrias usadas exclusivamente nas coleções masculinas) e Épi (couro prensado em várias cores; mais colorida que a Taïga), e as mais recentes Taurillon, Nomade, Damier Infini (couro super macio de bezerro com a aplicação do geometrismo Damier) e Utah (a mais despojada). As que a gente mais gosta em ordem de amor são: Taurillon, Nomade e Taïga. 

Já nas coleções femininas, além do tradicional Épi, o céu é limite para a criatividade: desde couro de bezerro até cobras, lagartos, avestruz, crocodilos; sozinhos ou tudo-junto-e-misturado.

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Como pagar bem mais barato por suplementos

Basta planejamento. Quando você abrir o seu último pote de whey, já faça o pedido no site Bodybuilding.com (que já está todo em português), pois o prazo de entrega na modalidade SuperSaver  é de 10 a 25 dias úteis (na minha primeira compra o pedido demorou 43 dias pra chegar; na segunda, 30 dias corridos; na terceira, 29). Mas, vale muito a pena, mesmo — na maioria das vezes — pagando uma alíquota de 60% sobre os produtos quando eles chegam ao Brasil.

Você vai entrar no site, fazer seu cadastro e escolher seus suplementos. Uma vez processado o pagamento, você vai ter o número do seu pedido e com ele você consegue ver se ele já saiu dos EUA, se já chegou na alfândega brasileira e quando ele está disponível.

E aí, tem duas formas de receber as suas coisas. Na mais comum, você vai receber uma notificação dos Correios, informando que o seu pedido já está à disposição numa agência próxima do seu endereço. Na notificação vai constar o valor dos impostos a serem pagos na retiradas das mercadorias (eles só aceitam dinheiro). Basta ir lá, pagar e retirar. Massss, se você tiver sorte (só me aconteceu isso uma vez), a sua caixa vai chegar direto em casa sem a necessidade de pagar os impostos, o que deixa a sua compra ainda mais barata.

DOIS EXEMPLOS DE DIFERENÇA DE PREÇOS
BCAA 1000 com 400 cápsulas da Optimum
: Na loja Corpo & Vida paguei em julho de 2013, R$ 239 e no site da Netshoes custa R$ 220 (com frete grátis). Comprando na Bodybuilding.com você vai pagar US$ 24,87 + US$ 1,59 de IOF (6,38%) x R$ 2,36 do dólar = R$ 62,44 + 60% de imposto sobre US$ 24,87 (o IOF não entra nesta conta e a taxa de câmbio da Receita é diferente da cobrada pela empresa de cartão de crédito, que dá R$ 34,30) = R$ 96,64. Diferença de R$ 142,26 por unidade.

Isopure Zero Carb 1,36 quilos, sabor Banana Cream: Nas lojas  e sites de sites de suplementos no Brasil custa em média R$ 350 a unidade. Comprando na Bodybuilding.com você vai pagar US$ 42,18 + US$ 2,69 de IOF x R$ 2,36 do dólar = R$ 105,89 + 60% de imposto sobre US$ 42,18 (sem IOF, que dá R$ 58,17)  = R$ 164,06. Diferença de R$ 185,94. Observação: não sei se é por alguma lei brasileira, mas o Isopure que vem de fora já vem com BCAA e Glutamina, enquanto o vendido no Brasil só proteína do soro do leite mesmo.

O RESULTADO DE UMA COMPRA INTEIRA
Mas aí tem o frete. De uma compra de US$ 262,67 com oito quilos de produtos (dois Isopure Zero Carb de 1,3 kg, dois BCAA 100 com 400 cápsulas da Optimum, dois L-Glutamine da Nature’s Best com 600 gramas, um A2 Pump da Labrada com 120 cápsulas, um Endurox R4 de 4,63 lbs), paguei de frete R$ 199,34 (US$ 79,40 do frete + US$ 5,06 de IOF x R$ 2,36 do dólar cobrado pelo cartão de crédito).

E, finalmente, o imposto. A taxa de câmbio da Receita para o cálculo da alíquota na época foi de R$ 2,2986.  Assim, da compra de US$ 262,67 (o frete e o IOF não entram nesta conta) me foram cobrados 60% de alíquota de importação sobre R$ 617,08 (US$ 262,67 x R$ 2,2986), que deu R$ 370,25. Mais R$ 12 de despacho postal nos Correios para retirar a mercadoria + frete SuperSaver, US$ 84,46 (R$ 199,34 com a taxa de câmbio do cartão de crédito a R$ 2,36 + o IOF do valor do frete) + os produtos com IOF por R$ 642,68, totalizou R$ 1.224,27, numa compra que iria me custar no Brasil, no mínimo, R$ 2.180, ou seja, uma economia de R$ 956, comprando as melhores marcas do mercado, com imposto, frete, IOF, taxas. Esse valor multiplicado por três, quatro compras ao ano paga vários jantares gostosos.

P.S. Este NÃO É um post  patrocinado. 

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Tiffany’s Blue Book

A hoje joalheira Tiffany começou suas operações como uma elegante papelaria — que também vendia objetos de prata — na Broadway, em 1837 (a rua mais movimentada de Manhattan na época). Em 1840, a casa começaria a comprar joias da coroa francesa e revender para os novos magnatas do lado de cá do Atlântico. Três anos depois, produziu um dos primeiros serviços de venda por catálogo a ser distribuído pelos correios nos Estados Unidos. A edição anual com as criações e seleções de Charles Tiffany e seu cunhado John Young, intitulada Blue Book, logo deixaria de ser um catálogo com produtos de bom gosto para se tornar o nome das coleções anuais apresentando as pedras mais raras e exóticas às quais a casa teve acesso, em belíssimos desenhos, num dos melhores exemplos de alta joalheria do mundo.

Todos os anos, quando do lançamento da coleção Blue Book, trezentas das mais importantes clientes da Tiffany  no mundo são convidadas para um baile de gala em Nova York. Após o baile, são dois dias de private appointments (os primeiros horários são disputadíssimos), quando as clientes vão gastar entre seis (US$ 000.000) e sete dígitos (US$ 0.000.000,00) por qualquer uma das mais de 150 peças que formam a coleção (as peças mais caras custam por volta de US$ 2,500,000.00), sempre criadas em torno de gemas únicas, que Ver Mais →

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Minha vida Secreta

O Secret começou no Brasil como uma baixaria só (talvez por isso tenha se tornado popular e feito o app se tornar conhecido tão rapidamente). Muitas pessoas se aproveitando do anonimato para expor — difamando, claro — seus desafetos. Mas parece que depois das reportagens sobre os primeiros processos judiciais contra o aplicativo (e as pessoas se esqueceram de que a conta é vinculada ao seu perfil no Facebook, o que faz com que não seja muito difícil descobrir o autor de uma mensagem caso a Justiça assim o queira) e das constantes mensagens de “be kind” e “report violation” do próprio Secret, a paz reina no aplicativo que tem como objetivo fazer com que nós possamos compartilhar nossos mais secretos sentimentos sem expor a identidade.

O primeiro post é geralmente alguma platitude: uma opinião amena, uma frase engraçada… Mas daí em diante, assim como acontece comigo com pimenta, a experiência vai num crescendo, a gente vai querendo testar nossos limites. Começamos a perder os bloqueios que separam o pensar e o falar/escrever (e, aí, a gente percebe o QUANTO nos censuramos, nossa). Vai dando um certo nervosismo de estar expondo uma intimidade — que muitas vezes nem contamos para os nossos mais íntimos ou nem falamos em voz alta para nós mesmos, seja por orgulho (fui rejeitado, traído, trocado) ou vergonha (complexos, fantasias, fetiches, hábitos) — e obtendo feedback de “amigos”, “amigos de amigos” e estranhos que a gente nunca vai saber quem são. (A propósito, talvez por que o assunto “coco” ter sido sempre tabu, é impressionante a quantidade de posts escatológicos no aplicativo. E sempre fico imaginando se não é uma garota super delicada a autora do texto.)

Ler o feed e perceber que muitos dos segredos dos outros são nossos e constatar que não expomos NADA desse(s) lado(s) no Facebook ou no Instagram também é interessante. A dinâmica da “fama” do Secret é oposta às outras redes sociais. Por mais que o seu post seja popular (ele é divulgado para mais e mais pessoas conforme você vai recebendo curtidas e comentários), a popularidade não se reverte para o criador; você não vai conseguir followers, as pessoas não vão saber quais são seus outros posts; é uma relação pura com aquele conteúdo específico.

Das coisas mais banais e engraçadas a relatos de pessoas sofrendo com amor, com álcool, com drogas, com solidão, com doenças graves e medos mil. Pessoas apaixonadas pelo melhor amigo; o jovem que estava saindo de casa para contar ao namorado (após um mês de namoro) que era soropositivo e foi narrando “ao vivo” o desenrolar da história (e eu acompanhando, o que parecia uma novela da vida real, muito mais genuína que os reality shows); funcionários de grandes empresas divulgando informações confidenciais da organização; casos de família (enquanto escrevo esse texto, acabei de ler “minha irmã é um monstro, apesar de parecer a pessoa mais doce do mundo”) e preconceitos expostos à luz da tela do celular (nunca ditos socialmente). Tudo se vê no Secret.

Para acessar o Secret pelo browser (é preciso fazer cadastro), clique aqui. Para ver alguns “secrets”, você pode acessar o tumblr Os Melhores Secrets, clicando aqui. #NSFW

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Melhor ser humano que ter bom gosto

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Etiqueta em concertos

PONTUALIDADE
— Chegue com antecedência para tomar um café e apreciar a arquitetura, as pessoas, antes de o concerto começar. Nada pior que chegar na sala atrasado, correndo, esbaforido. Você mal consegue sentir a música quando ela começa. Ah, aproveite para fazer xixi. Sair da sala no meio do concerto não é uma opção.
— Concertos não têm a regra dos “três sinais” comum no teatro, que sempre nos dá aqueles quinze minutinhos de tempo extra. Se o concerto está marcado para começar às 21h, ele vai começar às 21h.

PROIBIDA QUALQUER TIPO DE DISTRAÇÃO
SILÊNCIO TOTAL enquanto se ouve a música. Se precisar tossir ou espirrar, use um lenço para diminuir o barulho; se tiver uma crise de tosse, saia da sala da maneira mais discreta possível, ciente de que você não vai mais poder retornar ao seu assento.
— Se é proibido filmar, gravar ou fotografar o espetáculo, simplesmente não o faça.
— Telefones celulares, tablets etc. devem permanecer DESLIGADOS durante o concerto, não só no modo silencioso. A luz que as telas emitem também incomodam, distraem. Assim, se você quiser levar seu filho pequeno — que não tem paciência para permanecer no concerto — e acha que pode deixá-lo com um smartphone  jogando para ele se distrair, não o leve. É horrível ir ao concerto e ver uma tela colorida e eletrizante emitindo luzes coloridas ao seu lado ou na fileira da frente.
— Brincos e pulseiras podem fazer barulho. Atenção na escolha dos acessórios.
— Abrir balar durante o concerto? NÃO. A acústica das salas de concerto é tão perfeita que é capaz de o maestro ouvir e querer uma bala. Você não vai querer dividir, né?
— Última regra  de ouro do silêncio absoluto: NÃO comente sobre o concerto durante o concerto. Espere o intervalo ou o fim para dividir suas impressões. Se o seu acompanhante não tem o hábito de frequentar concertos e quer informações sobre a música, oriente-o antes e não durante o concerto.

APLAUSOS
— Talvez a parte mais “complicada”. É tradição aplaudir apenas ao final das obras. Geralmente, uma obra é composta por vários movimentos, e existem pausas entre eles. Se você não conhece a música completa, é difícil saber quando acabou (mesmo seguindo o programa, às vezes o maestro faz uma pausa maior entre movimentos; outras vezes, você mal percebe que um movimento acabou e outro começou). Conclusão: na dúvida, não aplauda até ter certeza que não tem mais nenhum movimento para ser tocado. E NÃO siga os outros porque aplauso é contagioso: quando alguém começa errado, vai um monte atrás.
Se a música te emocionar, aplauda, grite, levante. Sem vergonha.
— É fundamental que você se sinta confortável. Na Sala São Paulo, por exemplo, não é obrigatório o uso de trajes sociais, mas também não é permitida a entrada de pessoas usando bermudas, shorts e chinelos. Jeans, camiseta e tênis é ok.

DEU SONO?
— Se bater aquele soninho, pode cochilar (a não ser que você ronque). Nada mais luxuoso que ter a trilha sonora dos seus sonhos sendo executada ao vivo por uma competente orquestra em um templo de música.

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Cloche

Cloche em francês quer dizer sino. Mas também é o nome desta tampa, geralmente de prata, que restaurantes tradicionais (cada vez menos na Europa e nas Américas, mas ainda comum na Ásia e no Oriente Médio) utilizam em seu serviço. Todos os pratos vêm à mesa cobertos pelo cloche, os garçons colocam os pratos em frente aos comensais e olham um para o outro para levantar o tampo ao mesmo tempo e levá-los embora. Hoje é até engraçado observar esse balé no serviço. :- ) Em São Paulo, o único restaurante de que me lembro usar os cloches era o Fasano, quando na Haddock Lobo. Mas eles deixaram de usar o utensílio. Na foto, uma cloche usada no serviço do Le Cinq, restaurante do hotel Four Seasons Georges V, em Paris.

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Ter é cuidar; tenha menos e viva mais

Entendo cada vez menos pessoas que desejam comprar ou compram casas de praia ou de campo, fazendas, barcos, aviões, ou mesmo carros muito caros (até obras de arte). Entendo cada vez menos pessoas que precisam comprar roupas a cada coleção, redecorar a casa todos os anos. Ter é ter de cuidar, manter, se preocupar, se dedicar, ter carinho, limpar (já vi gente muito legal com celulares, computadores e cabos nojentinhos de sujo). Não importa se é um jardim, um cachorro, sapatos ou uma coleção de selos. Tem o tempo que envelhece, a umidade que apodrece, o ladrão que rouba, agride e invade. Cada material — da prata ao cashmere  passando pelo couro — exige cuidados diferentes. E dá trabalho até para se desfazer delas quando não as queremos mais, pois elas ficam, ali, ocupando espaço e tempo. Pra que comprar uma casa que você não vai ter tempo de usar — e vai te prender — com tantos hotéis e destinos incríveis? Barcos, carros, helicópteros, aviões podem ser alugados (já com staff  e catering) — e tem classe executiva, first class, A380, Singapore Airlines — sem precisar gastar fortunas com manutenção, impostos, salários, taxas, guarda, e, muito importante, sem precisar se estressar — essa é a pior parte — com a administração de problemas de funcionários: contratação, demissão, faltas, doenças, dia a dia. Em tempos em que os estilos são tantos — a reflexão para encontrar o seu é importante; esse é um tempo bem gasto — e as barreiras sociais desmoronam, quem fica reparando se você está na moda ou não? Quem fica reparando se você está com a mesma roupa da balada da semana passada? Sem falar no tempo que se gasta pesquisando, comprando, experimentando, trocando, encomendando… Pra mim, já basta ter de administrar-cuidar-bem — e estar sempre aprendendo como extrair o melhor de cada “ferramenta” — o celular, o iPad, as músicas no iTunes, o carro, os dois computadores, todos os softwares e aplicativos (SEMPRE com atualizações), meu emails, meus relacionamentos nas redes sociais e meu enxuto guarda-roupa. O resto do tempo (e do dinheiro)? Quero gastar lendo, viajando, praticando esportes, estudando, comendo, bebendo, experimentando, conversando e sendo generoso com as pessoas que amo, enquanto eu tiver saúde. E quer saber? E eu já acho MUITA coisa.

P.S. Eu sei que, no fim das contas, as pessoas com toda essa sede de consumo só estão querendo aprovação, só estão querendo ser percebidas e admiradas pelo mundo. Masss… as pessoas e os relacionamentos que realmente importam têm uma dinâmica bem diferente deste comportamento, não vão te amar mais ou menos por isso. Porque, se não for assim… Houston, we have a problem.

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Yves Saint Laurent

O roteiro — seja pela própria história do estilista seja por histórias próximas — a gente já conhece e se repete, se repete, se repete: talento genial lidando com as grandes pressões do mundo cercado por uma entourage  de colegas talentosos, lindos, ricos, michês e arrivistas, que curtem a vida adoidado (tudo bem, nem todo mundo tem Karl Lagerfeld na sua turma). E como se já não bastassem suas fragilidades, sofre ainda mais com os excessos de aditivos como drogas e álcool. Na narração de Pierre Bergé, companheiro mão firme que viveu por cinquenta anos com Yves Mathieu Saint-Laurent, o filme de Jalil Lespert começa com uma visita de Saint Laurent à sua família em sua Oran natal (Argélia francesa), logo que começa a despontar na carreira (já trabalhando na Maison Dior, onde foi contratado aos 19 anos). Logo em seguida, Pierre Bergé já idoso — e Saint-Laurent morto (ele faleceu em 2008) —, leiloa a belíssima coleção de arte que o casal amealhou ao longo da vida (repleta de obras compradas em pares, para os dois), no leilão da Christie’s que foi o grande destaque de 2009 e arrecadou quase 400 milhões de euros.

Se você não curte moda, vai ser difícil gostar do filme, que é bem a vida do dia a dia, nessa história nada original, super cronológica (a contratação e demissão de Yves da Maison Dior; o lançamento de sua maison haute couture; o vestido Mondrian de 1965; o lançamento do prêt-à-porter), sem grandes clímax, sem grandes emoções, nada nada nada Saint Laurent. Só dá uma animada quando entra a trilha na poderosa voz de Maria Callas, num dos desfiles mais deslumbrantes do mestre, na coleção de alta costura mais cara de sua história, intitulada Les Ballets Russes, do outono-inverno 1976. A cena foi gravada no Westin Hotel, onde o desfile aconteceu originalmente e com as roupas do arquivo da Fundação Yves Saint-Laurent.

O que vale a pena no filme, no entanto, além da moda e do luxo da vida de Saint-Laurent e Bergé, são as atuações dos atores da Comédie Française, Pierre Niney (ainda mais bonito que o Yves original) e Guillaume Galienne.

Agora, a gente aguarda a estreia (prevista para o fim do ano) de Saint Laurent, dirigido por Bertrand Bonello, apoiado pelo todo-poderoso François Henri-Pinault, CEO da Kering, conglomerado que é dono hoje da marca Yves Saint Laurent, que autorizou o uso da logomarca e dos desenhos de Yves e que o Pierre Bergé queria vetar.

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Chique é xixi no corredor

Por mais de cinquenta anos, de 1682 (quando a corte se muda para a Versalhes) a 1738 (quando Luís 15 encomenda o primeiro banheiro com vaso sanitário), o Palácio de Versalhes — com 2300 ambientes e uma corte de quase 20 mil pessoas (cinco mil morando no château) — não tinha NENHUM banheiro. E o primeiro banheiro — luxuosamente projetado e construído apenas em 1738 — era de uso exclusivo do rei. O que faziam os outros milhares? Damas da corte como a princesa d’Harcourt (sim, PRINCESA), após uma farta refeição, simplesmente saíam da sala de jantar, arregaçavam as volumosas saias e se aliviavam no corredor. Já o duque de Vendôme (sim, DUQUE, um dos mais altos graus da hierarquia nobiliárquica), herói de guerra e figura poderosa em Versalhes, como era muito rico, tinha uma chaise percée (em português, uma cadeira “furada”), que era um assento sanitário. E ele fazia suas necessidades na frente de qualquer um. Mas qualquer um mesmo. Certa vez, o bispo de Parma chegou ao palácio em uma missão diplomática e encontrou Vendôme fazendo o número dois em sua cadeira. E o bispo, um “estrangeiro”, ficou horrorizado quando, no meio das negociações, o duque se levantou e começou a limpar o bumbum, ali, bem na sua frente. Esse era o comportamento padrão em Versalhes; entre nobres e plebeus. Comentava-se que alguns dos corredores dourados do suntuoso château, muito frequentado pelas damas necessitadas, ainda exalavam um odor torturante mesmo muito tempo depois de a Revolução ter dado fim à corte. Ver Mais →

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É muito “amor” nas redes sociais

Pessoas que postam foto com amigo legendando “amigo que eu tanto amo” — mal conhece — ou “saudades” — mentira — só por que saiu bem na foto. E o amigo nem tanto. Nas redes sociais, o único amor que existe é o amor a si mesmo.

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Nomofobia

Angústia causada quando você está impossibilitado de postar ou se comunicar através de algum gadget (telefone celular, tablet ou computador); é a fobia de se ficar sem um aparelho de comunicação móvel, sem poder checar a cada minuto quem está curtindo seu post ou sua foto. O termo vem do inglês, no-mo (no-mobile). Falta de sinal 3G no celular também pode causar nomofobia, especialmente quando você quer muito postar uma foto no Instagram e o upload  nunca carrega e termina em “failed”.

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Espelho, espelho meu

Pessoas que estão falando com você, mas quando veem um espelho, continuam a falar com você, mas olhando apenas e somente sua imagem — falando — refletida e, de repente, começam a articular melhor as palavras, sorrir de um jeito diferente, virar o rosto para, talvez, encontrar o melhor ângulo na visão dela. Sim, eu passei por isso. E senti medo. 8513869_1_620

Quadro Mirror, de Roy Lichtenstein, 1972

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Polo: pode usar por dentro da calça?

Pode. Eu devo usar camisa polo por dentro da calça ou da bermuda desde que nasci. Mas no último ano, vivenciei três experiências — com pessoas mais jovens que eu, devo dizer — de quase bullying  por estar com uma calça, um cinto e uma camisa polo por dentro calça. Uma vez, cheguei a uma festa e um amigo na hora de me cumprimentar chegou a arrancar a minha camisa pra fora da calça! Pensei: “nossa, será que tem algum consultor de moda, tipo famoso, que decretou caça aos rapazes que usam camisa por dentro ou os vendedores das lojas têm dito isso aos clientes?

A polo como a usamos hoje foi “inventada” pelo tenista francês René Lacoste — um dos três grandes da Roland Garros dos anos 1930 —, que passou a produzir suas camisas com um algodão mais fino (piqué  de baixa gramagem, na linguagem técnica) que era perfeita para a prática do esporte: branca e leve. E ele usava suas camisas por dentro. As camisas de Monsieur Lacoste, por sua vez, foram inspiradas nas malhas que os jogadores de polo usavam, claro, também por dentro da calça e com cinto (óbvio que, no decorrer das partidas, com a movimentação dos braços e dos cavalos, as camisas saem pra fora).

A questão é: hoje existe uma variedade grande de modelos e tecidos de camisa polo. Penso que as mais informais, como aquelas de algodão mais grosso e de lavagem como as da Abercrombie, fiquem sim melhor por fora de bermudas e calças. As camisas mais tradicionais da Lacoste ou da Polo Ralph Lauren, que hoje são apresentadas em modelagens Classic (mais largas e mais compridas) e Slim Fit (mais justas e curtas), podem ser usadas tanto por fora quanto por dentro (apesar de que as Classic da Polo ficam um pouco compridas demais na parte de trás se usadas por fora). Já as polos com tecidos mais sofisticados, com algodão Pima ou egípcio, que são mais finas, ficam bem com calças de tecidos também mais nobres (linho ou algodão) e por dentro da calça amparada por cinto que pode ser de tecido ou couro (por fora, a aparência seria um pouco mais desleixada).

E, para os homens, a polo segue sendo uma ótima alternativa entre a camiseta e camisa para o dia a dia. Mas, a regra é o bom senso quanto à modelagem e ao gosto pessoal do freguês (pra mim, que sou nerdzinho, me sinto super confortável). Reducionismos e regras prontas nos dias de hoje sempre parecem falta de informação.

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O Lobo de Wall Street

Assim como na vida real, não, o bad guy  não se ferra no final. Moralismos à parte (muitos dos familiares dos envolvidos e pessoas prejudicadas pediram boicote ao filme), os valores por trás do modo de vida de Jordan Belfort, o rapaz simples que se tornou milionário em pouco tempo vendendo ações de empresas de fundo de quintal para pessoas humildes e ignorantes prometendo um futuro — não cumprido — de riqueza e prosperidade, são a base do sistema capitalista. Dos operadores de Wall Street às letras do funk-ostentação, na evangelização do dinheiro o importante é tê-lo. E demais é um limite que não existe.

O Lobo de Wall Street, novo filme de Martin Scorsese, quinta parceria entre o diretor e Leonardo diCaprio, é um filme cheio de energia, drogas, dinheiro (milhares de Benjamins  na tela), mulheres nuas, grifes, boy toys, sexo, orgias (no escritório, em casa, em aviões fretados); sem nenhum pudor, assim como os personagens (reais, devemos nos esforçar para lembrar). Muito bem contada (o filme é baseado na autobiografia homônima de Belfort lançada em 2008), não se sente as três horas de filme passarem.

DiCaprio está excepcional e entregue (especialmente nas cenas em que ele discute com Naomi sobre “Venice” e abusa da expressão corporal tentando chegar à sua Lamborghini branca; ah, ele também aparece pelado várias vezes e tem até uma vela vermelha — e acesa — enfiada em suas nádegas, pela Venice); Margot Robbie interpretando sua esposa é belíssima; e ainda contamos com a participação mais que especial — e com frases ótimas — de Joanna Lumley, a eterna socialite-and-addicted  de Absolutely Fabulous. #WeLoveYouForeverPatsy No quesito glamour, também é ótimo ver o figurino de Naomi (a esposa de Belfort no filme, que na vida real se chama Nadine), seguindo a moda grifada da época: os modelos Versace (na época by  Gianni) e o look  camisa de seda e bota da primeira coleção de Tom Ford para Gucci (outono-inverno de 1995).

Nos anos 1990, as pessoas que investiram no mercado de ações através da empresa de Jordan Belfort perderam US$ 250 milhões de suas economias. Em 1998, ele foi indiciado por lavagem de dinheiro e fraude. Pagou uma multa de US$ 110 milhões e cumpriu 22 meses de prisão. Hoje, ele está fora do mercado e é um palestrante motivacional. Continua rico e influenciando um monte de gente com o seu sucesso (e que o filme, já indicado ao Oscar, corrobora). Numa sociedade que tem o dinheiro como objetivo principal de vida, pessoas que conseguem ganhar muito em pouco tempo, mesmo prejudicando milhares de pessoas são sempre respeitadas, não importa o quão repugnantes elas sejam. Ainda mais com suas roupas impecáveis e o discurso sempre afiado e confiante.

TheRealWolfThe Real Wolf: o bonitão Jordan Belfort no auge dos negócios. 

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Um Estranho no Lago

Atenção: esse texto contém spoilers. Um Estranho no Lago poderia se chamar La “pégation” sur l’herbe, uma alusão ao quadro O Almoço na Relva de Édouard Manet que deu início ao colorido movimento impressionista. Mas, em alguns minutos de filme, a leveza da pegação descompromissada, o naturismo sob a luz do verão e a tranquilidade da água do lago — onde homens gays  passam seus dias a nadar, tomar Sol e passear pelo bosque atrás de sexo casual —, dá lugar à tensão da perigosa atração que Franck (lindinho), o protagonista, passa a sentir por Michel, depois de vê-lo matar por afogamento um garoto com quem saía. Em alguns grupos sociais, é comum que mulheres e homens gays  se apaixonem por homens perigosos, que, muitas vezes, colocam sua vida em risco. Ainda mais quando o homem perigoso é lindo e atraente, como no caso de Michel. E, assim como uma namorada de traficante, Franck passa a ser cúmplice do crime, seja mentindo para o Ver Mais →

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Roupas no futuro

Quero muito que chegue esse dia, o futuro. Roupas ajustáveis ao toque, autolimpantes, que não amassam e respiram. Que se adaptem automaticamente à temperatura: que refresquem no calor, que esquentem no inverno, sem acréscimo de peso. Bolsos que sejam fontes de energia e carreguem nossos gadgets, apenas por aproximação. Malas, mochilas e bolsas que anulem peso da carga e que a gente consiga carregar quantas revistas, livros e máquinas quiser, sem precisar sofrer com as costas e andar o dia todo sem cansar.

The Polo of the Future from Lacoste on Vimeo.

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São Paulo em Hi-Fi

Festas nababescas. Em 1976, Wilza Carla chegou à Festa da Broadway na Medieval vestida de odalisca sobre uma elefoa. Repito: a atriz Wilza Carla, vestida de odalisca, desceu a Rua Augusta — não de carro ou ônibus ou carruagem ou cavalo, mas — em cima de um ELEFANTE para chegar a uma festa. Darby Daniel, fantasiado de Branca de Neve, era carregado por sete anões dentro de um caixão de vidro enquanto um príncipe sobre um cavalo branco o aguardava na porta da boate. Já Kaká di Polly não precisava de grandes eventos para suas chegadas triunfais. Num carro conversível tomando champagne, jogando seu casaco de pele branco sobre uma poça de água para pisar no chão e não molhar seu sapato ou dentro do baú de um caminhão da Granero vestida de borboleta, o importante era chamar a atenção. Não havia limites para os excessos, estamos na era Disco. E era assim que as bichas chegavam à boate. Bicha poderosa era aquela que parava tudo.

Muito mudou na noite gay  de lá pra cá. Na Medieval, garçons usavam luvas e candelabros decoravam as mesas. Foi a primeira grande boate gay de São Paulo, inaugurada em 1971. Os shows, inspirados nos cabarés parisienses e na Broadway, atraía a alta sociedade paulistana e gente famosa. Diferentemente dos shows do Lido e do Moulin Rouge, as estrelas do palco da Medieval não eram mulheres, mas travestis e transformistas. No Village, os copos eram de cristal e o café da manhã era servido, às 6h da manhã, em bandejas de prata. Os gays se vestiam pra sair à noite: camisas, relógios e sapatos que “deslizavam” na pista eram o look du jour. Tudo acontecia no Centro da cidade. E numa era pré-internet, essas casas tinham um significado muito maior na vida de gays e lésbicas: eram local de identificação, de socialização, de segurança e, principalmente, de liberdade (O Brasil estava sob a ditadura e sair à noite para um lugar abertamente gay era um gesto muito mais transgressor do que hoje: prisões arbitrárias de gays eram comuns; transformistas não podiam andar com perucas na rua para não serem presas, tinham de carregá-las na mão).

Da Medieval à Corintho, inaugurada em 1985, o filme São Paulo em Hi-Fi, do cineasta Lufe Steffen, é um emocionante testemunho da noite ou, mesmo, da vida gay paulistana das décadas de 1960 a 1980, período que foi marcado por fases tão distintas como o glamour, o exagero e a liberação sexual (personificadas em figuras como Ney Matogrosso, Dzi Croquettes, David Bowie), até a chegada da AIDS no fim dos anos 1980 que marginalizou a comunidade gay de uma maneira muito triste e cruel. “Só os gays tinham, só os gays transmitiam”, em um dos depoimentos do filme. O preconceito ressurgiria em nível máximo.

Tudo estava começando: além da primeira boate (na década de 1960 não existia boate gay em São Paulo, olha só) foi nesta época que surgiram os primeiros grupos organizados para discutir os direitos gays; foi também quando o Celso Curi começou sua Coluna do Meio (no jornal Última Hora, sem pseudônimo, o que lhe rendeu um processo do Ministério Público por “união de seres anormais” por causa do seu Correio Elegante, em que gays  mandavam cartas para conhecerem outros gays); quando surgiu o jornal O Lampião da Esquina, um jornal tabloide assumidamente homossexual, que era distribuído do Amapá ao Rio Grande do Sul...

Outro ponto interessante do filme é ver a imagem dos entrevistados hoje e nas fotos antigas, novinhos, se divertindo, quando vivemos em uma época em que — não apenas no mundo gay — a juventude, o corpo, a imagem são os principais valores que cultivamos. “Éramos jovens, sabíamos dançar, nos vestíamos bem e achávamos que não morreríamos nunca”, nas palavras do jornalista Mario Mendes.

São muitas as cenas de shows da época e fotos dos acervos dos personagens que deram seus depoimentos. Além de um importante registro histórico da comunidade LGBT paulistana, São Paulo em Hi-Fi é um interessante recorte da história da cidade. De uma época em que o glamour, o sonho e a fantasia, pelo menos no mundo gay, eram realidade.

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Radiant Orchid é a cor de 2014

Radiant_Orchid_PANTONE_2014_Color_of_the_Year_01_gallery_620Em 2012 foi Tangerine Tango. 2013 foi a vez do Emerald Green, cor da Simonde, já que o site foi lançado no ano. A cor de 2014 será Radiant Ochid“An invitation to innovation, Radiant Orchid encourages expanded creativity and originality, which is increasingly valued in today’s society. (…) An enchanting harmony of fuchsia, purple and pink undertones, Radiant Orchid inspires confidence and emanates great joy, love and health. It is a captivating purple, one that draws you in with its beguiling charm.” Nas palavras da Pantone. 

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Vermeils de Otto Prutscher

Otto_Krug_Prutscher_1930s_FotositeElswood_620São de Otto Prutscher (1880 – 1949), arquiteto austríaco, esses magníficos vermeils art déco.

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Qual o verdadeiro significado de “família&#...

Família. Um homem e uma mulher que não puderam — ou quiseram — ter filhos, é uma família. Uma mulher viúva ou separada com um filho é família. Uma mulher solteira com um filho biológico ou adotivo é família. Um homem solteiro — hetero ou gay — com um filho biológico ou adotivo é família. Duas pessoas gay  com um filho biológico ou adotivo é família. Dois amigos idosos que não têm mais ninguém além de um ao outro é família. São dezenas as configurações possíveis de família. O que forma uma família está muito, mas muito longe de laços jurídicos, religiosos ou de sangue. Tem a ver com amor, com dedicação, com lar. E não somos animais para vivermos em função da procriaçãoPor isso, não me venham falar do valor sagrado dessa “família” que pessoas cheias de “integridade” pregam e que só existem em seu discurso. Achar que TODO casal formado por um homem  e uma mulher serve de exemplo para a sociedade pela perfeição dos laços heterossexuais é fantástico e ingênuo DEMAIS.

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The Windsor chair

No mundo da criação existem obras que resumem de maneira brilhante o espírito de uma época. Na música, na literatura e nas artes plásticas, as chamamos de obras-primas; no mundo do design, podemos chamá-las de clássicas ou atemporais. Muitos designers  nos brindaram com tais clássicos ao longo de todo o século 20 (Charles & Ray Eames, Gerrit Rietveld, Le Corbusier, Verner Panton, Ludwig Mies van der Rohe, apenas para citar os mais óbvios); época em que ideias individuais sobressaíam (com exceção do coletivo-escola Bauhaus). Nos séculos anteriores, ateliers  de artesãos criavam novos estilos para a nobreza e a burguesia em busca de beleza e harmonia (e também para demarcar o estilo de cada novo monarca), em peças de artes decorativas trabalhadas à mão, uma a uma. Ainda fazem sucesso hoje o estilo dos Luíses (os reis franceses Luís 14, 15 e 16), o estilo Império (com seu luxo napoleônico), o estilo Biedermeier (com suas linhas mais limpas, mas não menos elegantes), o Regency, o Art Nouveau, o Art Déco. Sem falar nas antigas tradições orientais.

Mas, o que falar de uma cadeira, criada nos anos 1700, que reflete o estilo colonial norte-americano? Apesar de criada na Inglaterra, a cadeira Windsor é um desses clássicos do design – e símbolo dos valores protestantes e provincianos dessa época – que mobilia até hoje as casas de sofisticados norte-americanos.

Com um desenho delicado, leve, toda vazada e usando diferentes madeiras (umas mais flexíveis como o bordo – ou maple, em inglês – que são utilizadas para confeccionar as parte mais finas, e outras mais duras, como o pinheiro e o carvalho, madeiras de clima temperado utilizadas para confeccionar o assento), a Windsor, apesar da aparência frágil, é resistente e possui desenho e tecnologia inovadores para a época; e continua sendo muito agradável ao olhar. Ganhou diversas variantes ao longo dos tempos (com e sem apoio para os braços, com espaldar alto ou baixo e em diferentes formatos), mas sempre com suas finas madeiras servindo de apoio para as costas.

Você não consegue imaginar o casal abaixo sentado em cadeiras Windsor?

Grant_Wood_-_American_Gothic_-_Google_Art_Project

Grant Wood, American Gothic (1930), uma das mais famosas pinturas feitas nos Estados Unidos, exposta no Art Institute of Chicago.

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A vida de mademoiselle numa belíssima a...

Ok, esse é um vídeo institucional da Chanel – parte da série Inside Chanel – para contar a história de Mademoiselle, portanto, não há os trechos polêmicos de sua história (vulgo seu envolvimento com Hans Günther von Dincklage, oficial nazista, ou com a contraespionagem aliada num complô para matar Hitler). Mas, não deixa de ser um belo vídeo. Coco se tornou quem foi graças a todas as importantes conexões que estabeleceu, com a elite criativa e mundial da época, que a inspiraram durante sua vida, bem animada vida.

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Não seja um idiota no trânsito

Quem é rico – de verdade – é generoso. Porque não há elegância sem generosidade e porque ela nos faz sentir bem. E um ótimo lugar para praticar a generosidade (é fácil ser generoso com nossos queridos amigos) é no trânsito. Abaixo, seguem algumas observações (sinta-se livre em nos mandar sua contribuição):

O SEU CARRO
— Regra de ouro: não é por que você tem um Bentley ou uma Ferrari, e por que você vive num país de miseráveis e se acha o máximo porque tem dinheiro, que você não precisa respeitar as leis de trânsito ou os outros motoristas e pedestres. Valores, educação e bom senso, ainda mais por parte da elite, são sempre bem-vindos.

NO ESTACIONAMENTO
— Em estacionamentos concorridos, nunca peça para alguém descer no carro para segurar uma vaga, ali, de pé, impedindo que um carro que esteja mais próximo – ou pior, esperando – estacione. Não importa se você viu a vaga primeiro da outra fileira. A vaga é sempre do carro que estiver mais próximo da vaga a ser desocupada com a seta ligada.

SINAL AMARELO
— Nunca é demais lembrar: sinal amarelo é pra parar o carro, não pra acelerar.

MUDANDO DE FAIXA
— A não ser que seja um motorista folgado tentando furar fila, sempre dê passagem para um motorista que queria trocar de faixa. Nada mais patético que um motorista acelerar seu carro só para impedir outro carro de mudar de faixa.

— Motoboys e bicicletas são cada vez mais (oni)presentes na cidade. Dê passagem, permaneça a uma distância segura, tome cuidado, preste atenção (nada de whatsapp, facebook, instagram). As motos, por andarem entre os carros, estão sempre a uma velocidade maior e um segundo de distração pode ocasionar um acidente.

RELAÇÃO COM PEDESTRES
Faixa de pedestre sem sinal e pedestre na calçada querendo atravessar, é MANDATÓRIO: pare o carro (só veja se não tem nenhum doido correndo atrás de você) e dê passagem para o pedestre. Precisamos nos acostumar a respeitá-los. Deveria ser óbvio, mas não é.

AO ENTRAR EM UMA RUA
— Dê seta sempre que entrar em uma rua à direita ou esquerda, mesmo que não haja carros atrás de você. É importante sinalizar também para ciclistas e pedestres que você vai virar naquela rua.

VELOCIDADE MÁXIMA
— Sempre dirija na velocidade permitida. Não acelere acima da velocidade permitida apenas por que a pista está livre, por que não tem nenhum carro à frente.

— Se você estiver dirigindo na velocidade máxima permitida e houver algum idiota atrás querendo ultrapassar – já que naquele trecho o sabichão sabe que não tem radar (porque, claro, só precisamos respeitar as leis quando estamos sendo fiscalizados) – não se desespere. Você não é obrigado a mudar de faixa, já que está na velocidade máxima permitida. Calmamente, mude de faixa (SE QUISER) por mais que o idiota fique acendendo o farol alto ou acelerando ou dando seta e acenando com o intuito de te pressionar para sair da frente.

TOLERÂNCIA
— Você é jovem, ágil, tem ótimos reflexos e está com pressa. Mas é importante ter tolerância com os motoristas que não são tão bons quanto você. Pessoas idosas, novos motoristas ainda inseguros, alguém que não está se sentindo bem, que está num dia ruim.

PONTUALIDADE = PLANEJAMENTO
Chegar atrasado em um compromisso é MUITA falta de respeito com os outros. Calcule o horário para sair de casa. Considere uma margem para imprevistos (numa cidade como São Paulo, o trânsito sempre sofre com situações pontuais como um farol quebrado, um acidente etc. E, infelizmente, elas são diárias).

Nada mais elegante que a tranquilidade das pessoas programadas e responsáveis com seus horários e compromissos. Estão sempre em paz.

São Paulo, 30 de agosto de 2013.

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Stop Russia’s Anti-Gay Laws!Toda a nossa solidariedade e indignação para com o que vem acontecendo com os gays  russos. Já são inúmeros os vídeos nas redes sociais de gays  sendo torturados (não tem nem como assisti-los do começo ao fim), ativistas presos e turistas interrogados por estarem fazendo “propaganda gay”. Assim como os judeus foram utilizados como causa dos problemas do mundo pelos nazistas, parece que os gays – não só na Rússia, mas também pelos evangélicos fundamentalistas brasileiros – são o bode expiatório da vez. E o que é pior, assim como no caso da Rússia e no dos religiosos brasileiros, é que essas ações e leis têm amplo apoio da população (no nazismo também foi assim…). Que a comunidade internacional consiga exercer alguma pressão sobre a intolerância e o ódio contra LGBTs russos de forma que eles sejam respeitados como seres humanos e cidadãos. Ver Mais →

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Sexo explícito ou condomínios de luxo?

“O que é mais pornográfico? Sexo explícito ou condomínios de luxo?” Questionamento do novo projeto de documentário do Gustavo Vinagre, “Nova Dubai”, sobre os recentes empreendimentos imobiliários em São José dos Campos, onde o cineasta cresceu. Penso isso toda vez que passo pela Marginal Pinheiros e vejo o complexo “de luxo” Cidade Jardim. ‪#‎AgressãoArquitetônica‬‪ #‎ArquiteturaExcludente‬ ‪#‎Bunker Ver Mais →

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Art NouveauArt Nouveau...

L’art nouveau  foi um estilo – condenado não apenas por sua estética, mas também por razões políticas já que era símbolo do supérfluo – de arquitetura, decoração, objetos e artes plásticas, de formas orgânicas e motivos orientais, que floresceu em toda a Europa em 1890 e marcou a virada do século 19 para o século 20 (atingindo o apogeu com a Exposição Universal de Paris em 1900). Precedida pelo romantismo, o Art Nouveau foi uma tentativa muito bem-sucedida e inovadora de criar um novo estilo em reação ao estilo acadêmico e historicista patrocinado pela sociedade próspera nascida com a Revolução Industrial. (Geralmente, as novas elites adoram reafirmar seu novo status  valorizando o estilo clássico, tradicional, sem nenhuma originalidade, repetindo estilos do passado). Os artistas art nouveau  acreditavam que, com as máquinas fazendo o trabalho, as pessoas poderiam dedicar maior parte de seu tempo para Ver Mais →

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Céladon

Apesar de não conhecermos exatamente a origem do nome, sabemos que o termocéladon” foi uma criação francesa. Os chineses, os inventores da técnica, nem conhecem a palavra francesa, mas sim “qingci”. Talvez os franceses tenham se inspirado no nome do pastor, protagonista de uma peça francesa do século 17 – L’Astrée  de Honoré d’Urfé –, que vestia roupas de tonalidade verde acinzentado. Há ainda uma teoria que homenageia o sultão árabe Saladino, e ainda outra que remonta à obra-prima de Homero, A Ilíada.

O céladon  é um tipo de cerâmica e porcelana chinesa, de esmalte feldspático (o esmalte é aplicado para dar cor e textura), com cores que variam do verde-oliva, passa pelo verde claro ou escuro, e tem nuances que vão do amarelo ao azul. São essas cores e a superfície esmaltada (uma inovação, 3.500 anos atrás) as responsáveis pela Ver Mais →

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Pinto que acompanha pato…

PintoEPato

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Gucci Men’s Flagship

Em São Paulo já temos uma loja Gucci dedicada exclusivamente ao público masculino, no JK Iguatemi. Agora, aproveitando a Semana de Moda de Milão, Frida Giannini acaba de inaugurar a flagship  masculina na cidade, no charmoso bairro de Brera (cheio de galerias, restaurantezinhos), bem em frente à Pinacoteca. Assim como em São Paulo, a loja oferecerá os serviços de Made to Measure (para ternos) e Made to Order (para sapatos), ambos sob medida.

Mas, o destaque para a abertura da loja é a coleção cápsula que Frida criou com o dândi herdeiro da família Agnelli da Fiat, Lapo Elkann, intitulada Lapo’s Wardrobe  com 23 looks  para homens (veja alguns na galeria) e quatro para mulheres. Ver Mais →

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Respeito às diferenças, sempre

Eu vejo as pessoas tirando sarro dos fãs da Lady Gaga, mas eu acho ótimo que essa novíssima geração tenha Gaga, Restart, Cosplay ou, mesmo, drag queens  ícones que continuem a simbolizar a liberdade de estilo, a falta de escrúpulos no uso das cores e dos materiais, a questionar as noções de masculino-feminino, noite-dia, elegância-cafonice. O mundo é bem mais divertido desse jeito.

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Sempre haverá novos ricos

Deu o que falar a crônica de Danuza Leão para a Revista RG Vogue de dezembro último. Intitulada Down no High Society, a escritora faz uma severa crítica aos endinheirados du jour, assumindo o mesmo radicalismo que critica no texto e ditando o que, na sua opinião, é verdadeiramente chic. É claro que ninguém discorda das suas precisas observações a respeito dessa nova tribo, os nouveaux-riches  afetados, arrogantes e sedentos por status. São pessoas que só se relacionam com os seus iguais, ignoram completamente pessoas “inferiores” (o que é constrangedor até para quem não está na situação) e sofrem de excesso de sofisticação: nas roupas e acessórios grifados, seguindo ao pé da letra “regras” dos manuais de gastronomia, etiqueta e viagens, ou em suas casas lindas e frias como um museu, sem personalidade (decorada por um arquiteto de nome que usa o mesmo “conceito” em todos os seus projetos) e sem história (como diz Danuza, “não há vestígio de um objeto afetivo demonstrando que eles tiveram pai, mãe, avós ou avôs; parece que nasceram de geração espontânea”).

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