Artes decorativas


A rota das tapeçarias na França

O luxo-ostentação como a gente conhece hoje foi criado na França de Luís 14 (rei de 1643 a 1715) e estimulado por seu visionário Ministro das Finanças, Jean-Baptiste Colbert, para quem a França deveria exportar para o mundo o estilo de vida da corte francesa — e, consequentemente, melhorar a balança comercial através do aumento das exportações e, de quebra, a imagem do rei. Assim, Paris se tornou a principal referência de estilo em todas as cortes europeias e em todas as áreas — moda, artes, etiqueta, gastronomia, vinhos, joias, e artes decorativas: floresceram nessa época as manufaturas de cristais (Saint-Louis, Baccarat), porcelanas (Sèvres, Limoges), pratarias (Christofle), rendas (Alençon, Puy), móveis e tapetes (Savonnerie) e tapeçarias (Gobelins, Aubusson e Beauvais).

Apesar de a tapeçaria ter tido grande tradição também em Flandres (atual Bélgica), essa particularidade histórica relacionada ao mercado do luxo — e até hoje um dos alicerces da economia e do soft power franceses — talvez explique por que a França hoje seja o único Ver Mais →

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A Sagrada Família de Barcelona quando pronta

Deus criou o mundo em seis dias (e descansou no sétimo). Já a Sagrada Família, na contramão da lógica capitalista do menor-custo-menor-prazo, consumiu 40 anos da vida de seu arquiteto, o catalão Antoni Gaudí, que morreu em 1926. Mas, se tudo correr como programado, em 2026, centenário da morte de Gaudí, a mais famosa catedral de Barcelona terá levado 144 anos para ser construída. E para nós, que passamos a vida toda acostumados a visitar a catedral eternamente-em-obras (parece que os guindastes já são parte do projeto), é quase surreal imaginar que, um dia, enfim, a Sagrada Família ficará pronta. E o projeto final é — ainda hoje — absolutamente impressionante (a torre central, a de Jesus, terá 170 metros de altura, o que fará com que o Templo Expiatório da Sagrada Família seja a mais alta construção religiosa do mundo). Que estejamos sãos e vivos para apreciá-la em tamanho real. Assista ao lindo e didático vídeo abaixo:

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Wallace Collection, o melhor da arte clássica em ...

Para quem ama arte, artes decorativas e beleza — ou apenas quiser ter a dimensão de como era uma mansão de nobres de séculos passados por dentro —, visitar a Wallace Collection é um dos passeios mais incríveis de Londres (e é gratuito; você só paga pelo audioguide, £ 4). A Hertford House, a construção mais imponente em volta da praça-jardim-privado Manchester Square, abriga uma coleção que levou 200 anos para ser construída e envolveu cinco gerações de uma mesma família — quatro marqueses (Hertford) e um Sir  (Richard Wallace) — que foi doada para o estado inglês e inaugurada ao público em 1900 pelo Prince of Wales da época, HRH The Prince Edward VII. É um sucesso desde então (na quinta temporada de Downton Abbey, os empregados do Conde de Grantham visitam o museu, quando em Londres para o casamento de sua sobrinha, e a história se passa em Ver Mais →

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Manufacture des Gobelins

Numa vila intacta do 13éme arrondissement (com capela, museu, casinhas, ruas de pedra e prédios modernos), o Estado francês mantém vivo um dos símbolos de excelência das artes decorativas francesas, a tapeçaria, sendo a França (apesar das crises) o único Estado NO MUNDO a financiar uma atividade decorativa em nome da tradição. E apesar da longa história de Gobelins — que remonta aos anos de 1440, com o tintureiro Jean Gobelin, famoso por seu vermelho escarlate —, a técnica com que são feitos os tapetes e as tapeçarias permanece intacta: artesãos com iPod nos ouvidos produzem peças que podem levar de dois a 10 anos para serem concluídas, há mais de 400 anos (a técnica, não o iPod).

Na Manufacture des Gobelins, a gente volta aos tempos do rei Henri 4 (Henrique 4), que, em 1601, instalou dois tapeceiros flamengos no local (os artesãos de Flandres eram disputadíssimos pelas cortes europeias), que foram sucedidos por seus filhos, até que, em 1660, Louis 14, o rei absoluto mais esplendoroso e ensolarado de todos os tempos, junto com seu Ministro das Finanças e o criador da indústria de luxo francesa, Jean-Baptiste Colbert, “importam” um holandês com um novo método de tingimento do escarlate (naquela época as cores não eram nada fáceis, imagine só) e assumem Gobelins. Nessa mesma época, Colbert convence o Rei-Sol da importância das artes decorativas como forma Ver Mais →

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Vermeils de Otto Prutscher

Otto_Krug_Prutscher_1930s_FotositeElswood_620São de Otto Prutscher (1880 – 1949), arquiteto austríaco, esses magníficos vermeils art déco.

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Art NouveauArt Nouveau...

L’art nouveau  foi um estilo – condenado não apenas por sua estética, mas também por razões políticas já que era símbolo do supérfluo – de arquitetura, decoração, objetos e artes plásticas, de formas orgânicas e motivos orientais, que floresceu em toda a Europa em 1890 e marcou a virada do século 19 para o século 20 (atingindo o apogeu com a Exposição Universal de Paris em 1900). Precedida pelo romantismo, o Art Nouveau foi uma tentativa muito bem-sucedida e inovadora de criar um novo estilo em reação ao estilo acadêmico e historicista patrocinado pela sociedade próspera nascida com a Revolução Industrial. (Geralmente, as novas elites adoram reafirmar seu novo status  valorizando o estilo clássico, tradicional, sem nenhuma originalidade, repetindo estilos do passado). Os artistas art nouveau  acreditavam que, com as máquinas fazendo o trabalho, as pessoas poderiam dedicar maior parte de seu tempo para Ver Mais →

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Céladon

Apesar de não conhecermos exatamente a origem do nome, sabemos que o termocéladon” foi uma criação francesa. Os chineses, os inventores da técnica, nem conhecem a palavra francesa, mas sim “qingci”. Talvez os franceses tenham se inspirado no nome do pastor, protagonista de uma peça francesa do século 17 – L’Astrée  de Honoré d’Urfé –, que vestia roupas de tonalidade verde acinzentado. Há ainda uma teoria que homenageia o sultão árabe Saladino, e ainda outra que remonta à obra-prima de Homero, A Ilíada.

O céladon  é um tipo de cerâmica e porcelana chinesa, de esmalte feldspático (o esmalte é aplicado para dar cor e textura), com cores que variam do verde-oliva, passa pelo verde claro ou escuro, e tem nuances que vão do amarelo ao azul. São essas cores e a superfície esmaltada (uma inovação, 3.500 anos atrás) as responsáveis pela Ver Mais →

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