Artes decorativas


Frick Collection: Como o homem mais odiado da Amé...

Essa é uma história que você não vai  escutar durante sua visita ao museu. Porque ele foi o homem mais odiado da América. E com razão. Henry Clay Frick, junto com o outro magnata do aço, Andrew Carnegie (sim, do Carnegie Hall), foi responsável pelo rompimento de uma barragem que resultou na destruição de 1600 casas no vilarejo de Johnstown matando mais de 2200 de seus habitantes em 1889 (o maior desastre causado pelo homem da história dos Estados Unidos antes do ataque ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001). Em 1892, durante uma greve na fábrica de Homestead, uma época pré-direitos trabalhistas, quando empregados trabalhavam seis dias por semana e doze horas por dia na árdua e perigosa indústria do aço (um cochilo no trabalho poderia ser mortal; e para aumentar os lucros, eles queriam reduzir ainda mais os salários e aumentar a carga horária), Frick contrata a Pinkerton, uma agência de detetives mercenários — que possuía um efetivo maior que o exército norte-americano e existe até hoje! — para Ver Mais →

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Meissen: Quando os alemães decifraram a fórmula ...

Se a cerâmica surgiu no período neolítico em várias partes do mundo quase que simultaneamente — da Amazônia brasileira ao que foi a Tchecoeslováquia, passando pelo Japão do ano 25.000 a.C. —, a porcelana foi um caso único, uma invenção chinesa. E, por séculos desde sua criação (por volta da época de Jesus), a China deteve o savoir-faire  dessa variação de cerâmica que podia ser elegantemente moldada, esmaltada e pintada, e cujo resultado eram utensílios branquíssimos e brilhantes, duros, resistentes e impermeáveis. O “ouro branco” — um belo upgrade  da fosca, terrosa e frágil cerâmica — logo conquistaria o mundo: dos vizinhos coreanos e japoneses, a muçulmanos e europeus, para quem a porcelana era símbolo de poder, bom gosto e status (desde o começo do século 13, todas as casas reais importavam porcelanas da China). E uma vez que eram caríssimas — até para os imperadores chineses, as peças faziam uma longa viagem para chegar Ver Mais →

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Zwinger e Residenzschloss em Dresden: O palácio d...

Diferentemente de outros palácios, geralmente isolados, o Palácio Real do que foi de 1356 a 1806 o Eleitorado da Saxônia (um dos estados parte do Sacro Império Romano Germânico) e até 1918 o Reino da Saxônia, não tem quilômetros e quilômetros de jardins com altos muros em sua volta (palácios típicos do século 18), mas está interessantemente integrado ao contexto urbano, bem no centro da cidade de Dresden. E o mais impressionante — além da coleção absurda de joias, roupas, espadas e armaduras tão ricamente decoradas que mais lembram o carnaval que as guerras medievais; o Residenzschloss era um dos mais magníficos e importantes palácios na Europa do século 18 — é que, apesar de todas as reviravoltas da História (pense em feudalismo-monarquia, república, nazismo, Segunda Guerra Mundial, capitalismo, socialismo — Dresden era parte da Alemanha Oriental, subordinada à Moscou), as coleções de Augusto, o Forte, estão quase que inteiramente intactas e reunidas, sendo que as mais importantes peças ocupam hoje EXATAMENTE Ver Mais →

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A rota das tapeçarias na França

O luxo-ostentação como a gente conhece hoje foi criado na França de Luís 14 (rei de 1643 a 1715) e estimulado por seu visionário Ministro das Finanças, Jean-Baptiste Colbert, para quem a França deveria exportar para o mundo o estilo de vida da corte francesa — e, consequentemente, melhorar a balança comercial através do aumento das exportações e, de quebra, a imagem do rei. Assim, Paris se tornou a principal referência de estilo em todas as cortes europeias e em todas as áreas — moda, artes, etiqueta, gastronomia, vinhos, joias, e artes decorativas: floresceram nessa época as manufaturas de cristais (Saint-Louis, Baccarat), porcelanas (Sèvres, Limoges), pratarias (Christofle), rendas (Alençon, Puy), móveis e tapetes (Savonnerie) e tapeçarias (Gobelins, Aubusson e Beauvais).

Apesar de a tapeçaria ter tido grande tradição também em Flandres (atual Bélgica), essa particularidade histórica relacionada ao mercado do luxo — e até hoje um dos alicerces da economia e do soft power franceses — talvez explique por que a França hoje seja o único Ver Mais →

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A Sagrada Família de Barcelona quando pronta

Deus criou o mundo em seis dias (e descansou no sétimo). Já a Sagrada Família, na contramão da lógica capitalista do menor-custo-menor-prazo, consumiu 40 anos da vida de seu arquiteto, o catalão Antoni Gaudí, que morreu em 1926. Mas, se tudo correr como programado, em 2026, centenário da morte de Gaudí, a mais famosa catedral de Barcelona terá levado 144 anos para ser construída. E para nós, que passamos a vida toda acostumados a visitar a catedral eternamente-em-obras (parece que os guindastes já são parte do projeto), é quase surreal imaginar que, um dia, enfim, a Sagrada Família ficará pronta. E o projeto final é — ainda hoje — absolutamente impressionante (a torre central, a de Jesus, terá 170 metros de altura, o que fará com que o Templo Expiatório da Sagrada Família seja a mais alta construção religiosa do mundo). Que estejamos sãos e vivos para apreciá-la em tamanho real. Assista ao lindo e didático vídeo abaixo:

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Wallace Collection, o melhor da arte clássica em ...

Para quem ama arte, artes decorativas e beleza — ou apenas quiser ter a dimensão de como era uma mansão de nobres de séculos passados por dentro —, visitar a Wallace Collection é um dos passeios mais incríveis de Londres (e é gratuito; você só paga pelo audioguide, £ 4). A Hertford House, a construção mais imponente em volta da praça-jardim-privado Manchester Square, abriga uma coleção que levou 200 anos para ser construída e envolveu cinco gerações de uma mesma família — quatro marqueses (Hertford) e um Sir  (Richard Wallace) — que foi doada para o estado inglês e inaugurada ao público em 1900 pelo Prince of Wales da época, HRH The Prince Edward VII. É um sucesso desde então (na quinta temporada de Downton Abbey, os empregados do Conde de Grantham visitam o museu, quando em Londres para o casamento de sua sobrinha, e a história se passa em Ver Mais →

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Manufacture des Gobelins

Numa vila intacta do 13éme arrondissement (com capela, museu, casinhas, ruas de pedra e prédios modernos), o Estado francês mantém vivo um dos símbolos de excelência das artes decorativas francesas, a tapeçaria, sendo a França (apesar das crises) o único Estado NO MUNDO a financiar uma atividade decorativa em nome da tradição. E apesar da longa história de Gobelins — que remonta aos anos de 1440, com o tintureiro Jean Gobelin, famoso por seu vermelho escarlate —, a técnica com que são feitos os tapetes e as tapeçarias permanece intacta: artesãos com iPod nos ouvidos produzem peças que podem levar de dois a 10 anos para serem concluídas, há mais de 400 anos (a técnica, não o iPod).

Na Manufacture des Gobelins, a gente volta aos tempos do rei Henri 4 (Henrique 4), que, em 1601, instalou dois tapeceiros flamengos no local (os artesãos de Flandres eram disputadíssimos pelas cortes europeias), que foram sucedidos por seus filhos, até que, em 1660, Louis 14, o rei absoluto mais esplendoroso e ensolarado de todos os tempos, junto com seu Ministro das Finanças e o criador da indústria de luxo francesa, Jean-Baptiste Colbert, “importam” um holandês com um novo método de tingimento do escarlate (naquela época as cores não eram nada fáceis, imagine só) e assumem Gobelins. Nessa mesma época, Colbert convence o Rei-Sol da importância das artes decorativas como forma Ver Mais →

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Vermeils de Otto Prutscher

Otto_Krug_Prutscher_1930s_FotositeElswood_620São de Otto Prutscher (1880 – 1949), arquiteto austríaco, esses magníficos vermeils art déco.

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Art NouveauArt Nouveau...

L’art nouveau  foi um estilo – condenado não apenas por sua estética, mas também por razões políticas já que era símbolo do supérfluo – de arquitetura, decoração, objetos e artes plásticas, de formas orgânicas e motivos orientais, que floresceu em toda a Europa em 1890 e marcou a virada do século 19 para o século 20 (atingindo o apogeu com a Exposição Universal de Paris em 1900). Precedida pelo romantismo, o Art Nouveau foi uma tentativa muito bem-sucedida e inovadora de criar um novo estilo em reação ao estilo acadêmico e historicista patrocinado pela sociedade próspera nascida com a Revolução Industrial. (Geralmente, as novas elites adoram reafirmar seu novo status  valorizando o estilo clássico, tradicional, sem nenhuma originalidade, repetindo estilos do passado). Os artistas art nouveau  acreditavam que, com as máquinas fazendo o trabalho, as pessoas poderiam dedicar maior parte de seu tempo para Ver Mais →

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Céladon

Apesar de não conhecermos exatamente a origem do nome, sabemos que o termocéladon” foi uma criação francesa. Os chineses, os inventores da técnica, nem conhecem a palavra francesa, mas sim “qingci”. Talvez os franceses tenham se inspirado no nome do pastor, protagonista de uma peça francesa do século 17 – L’Astrée  de Honoré d’Urfé –, que vestia roupas de tonalidade verde acinzentado. Há ainda uma teoria que homenageia o sultão árabe Saladino, e ainda outra que remonta à obra-prima de Homero, A Ilíada.

O céladon  é um tipo de cerâmica e porcelana chinesa, de esmalte feldspático (o esmalte é aplicado para dar cor e textura), com cores que variam do verde-oliva, passa pelo verde claro ou escuro, e tem nuances que vão do amarelo ao azul. São essas cores e a superfície esmaltada (uma inovação, 3.500 anos atrás) as responsáveis pela Ver Mais →

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