Ideias

Se o canal Cultura alimenta a mente, Ideias alimenta o espírito. Aqui, você encontra matérias sobre questões que afligem o nosso dia a dia e questionam muitos dos valores difundidos por uma sociedade de consumo com valores cada vez mais suspeitos. Confira pensatas e reportagens sobre comportamento, espiritualidade, filosofia e muitos mais


Países desenvolvidos podem ser bem irritantes

Eu sou a pessoa mais calma, paciente e educada do mundo; e, em viagens, sempre tento me adaptar observando as regras de comportamento da cultura local. Mas se tem uma coisa que pode irritar não só a mim, mas a brasileiros — e nativos de outros países considerados “bagunçados” — em geral é essa extrema organização dos países desenvolvidos. A gente adora enaltecer as qualidades dos países onde tudo funciona; onde as pessoas são educadas, os serviços eficientes. Mas essas características influenciam — ou são consequências, sei lá — de um povo sempre certinho demais. E isso irrita. (Eles também se irritam com nossa falta de pontualidade, nossa falta de comprometimento, com nossa tranquilidade e ineficiência; normal… e viva as diferenças culturais :- )

Me lembro uma vez, logo que a Vosges Haut Chocolat abriu no SoHo nova-iorquino e era a sensação do momento. Fui com meu namorado, pedi quase todos os sabores das trufas para provar, e como queríamos dividir cada uma delas para que ambos provássemos, fui Ver Mais →

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Caviar é uma ova

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O amar que torna feliz

Porque é o meu  amor que enche meu coração. Quando dois se amam, cada coração se enche com seu próprio amor, um pelo outro. É impossível saber, é impossível sentir o que o outro sente. Um pode demonstrar amor, sem sentir, mentir. E amar sem nunca demonstrar, te amar.amar-que-torna-feliz-640

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A magia dos concertos

Nós não guardamos seus rostos, não sabemos seus nomes. Mas cada um daqueles anônimos que agora estão nesse palco sem qualquer cenário, sobriamente vestidos, passou a vida inteira se dedicando ao estudo da música, a maioria a um único instrumento, para ser capaz de executar obras de compositores, que também viveram esse universo de forma quase obsessiva. Para estar ali, no palco, nestes dia e horário, com o instrumento em mãos, além do estudo da música, foram necessárias muitas horas e muitos dias de ensaio, individual e coletivo, conquistando uma harmonia em que cada instrumento é essencial para o todo, sob enorme pressão, praticando uma ou duas composições escolhidas pelo maestro especialmente para aquele dia, entre as milhares criadas nos últimos séculos, respeitando cada nota, cada tempo… Nós? Apenas nos vestimos, pegamos o carro e nos Ver Mais →

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É sempre bom lembrar que não sobra ninguém

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A ditadura do siga-de-volta

Quero a liberdade de seguir quem eu quiser  porque os posts das pessoas que escolho seguir são interessantes para mim. Quero ter a liberdade de segui-las pelo tempo que eu quiser, sem ter de ficar explicando — para ela — por que deixei de segui-la, se um dia eu me cansar de acordar TODOS OS DIAS vendo uma selfie  com frase de motivação ou as taças de champagne com o seu cartão de embarque nas salas VIP dos aeroportos do mundo em fotos sem qualquer legenda; o que não vai mudar em NADA o meu sentimento e nossa amizade. (Eu mesmo me canso da repetição que é a vida, de postar as mesmas coisas, imagina para quem está vendo…) Vir perguntar para o amigo — ou pior, conhecido — POR QUE ele deixou de seguir ou por que ainda não está “me seguindo” — ou pior-pior!, expor isso nas redes sociais — é de imensas indelicadezadeselegância e falta de educação (qual o objetivo, constranger?). Ninguém  é obrigado a gostar das coisas que a gente posta, mesmo as pessoas com quem a Ver Mais →

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Black Mirror, uma série desconfortavelmente incrível

Como um espelho preto. É assim que ficam as telas das TVs, monitores e celulares, quando desligados. E esse é o nome de uma das séries mais apocalípticas e interessantes já escritas para a TV. Dá vontade de descrever o roteiro do primeiro episódio, The National Anthem, mas contar qualquer coisa a partir do quinto minuto, já seria contar demais. É preciso assistir.

É sempre fascinante quando um filme consegue incomodar, fazer refletir ou despertar sentimentos nem sempre muito presentes. Monika e o Desejo, de Ingmar Bergman, Dançando no Escuro, de Lars Von Trier, A Serbian Film, de Srđan Spasojević, são obras que me vêm à cabeça. Só que, diferentemente desses filmes, em Black Mirror nos reconhecemos; o que vemos ali somos nós, refletidos naqueles contextos; escravos do consumo, linchadores virtuais, mórbidos Ver Mais →

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Desapego à vida

Esse texto não chega a lugar nenhum. Fui a um centro espírita de umbanda aqui perto de casa na semana passada para conhecer e tomar um passe. Chegando lá, vi aquelas muitas pessoas, há séculos lotando templos, igrejas, centros, necessitadas de esperança, buscando soluções, curas. Não sei se existe um momento da vida em que não existam problemas, sejam eles reais ou criados por nós (tipo aqueles difíceis objetivos que a gente se impõe). E fiquei pensando sobre a impressionante e infinita criatividade da vida. Quando você acha que passou a dominar uma situação, que aprendeu a lidar com aquele problema, ela, a vida, surge com um novo desafio completamente inédito, obrigatório, implacável: não tem como escolher, não tem como escapar, e a única certeza que se pode ter é a de que a novidade logo envelhece, se transforma, para melhor ou pior. A cada dia, você não é o mesmo, a vida não é a mesma. Em sua criatividade, ela pode te colocar no que Ver Mais →

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Não respondi o whatsapp; nada pessoal

Mesmo se o dia tivesse 80 horas, ainda assim seria impossível ver todas as atualizações, comentários, conversas e matérias compartilhadas pelos amigos e pessoas que seguimos nas timelines  do Facebook, do Instagram e do Twitter (e as mensagens inbox  e direct ); além de responder todos os e-mails de trabalho (prioridade), ler todos os links  interessantes das newsletters; ver todos os novos vídeos dos canais que a gente assina no Youtube, os snaps  do Snapchat (tem gente que parece não conseguir mais viver sem compartilhar cada minuto do dia) e acompanhar todas as mensagens banais, vazias, esdrúxulas dos cada vez mais numerosos grupos no Whatsapp (não participo nem dos grupos da família). Isso por que ainda tem as centenas de jornais, revistas, sites, blogs  e portais, canais e programas de televisão e séries favoritos.

A acessibilidade é uma das principais características do nosso tempo. Temos acesso a informações de qualquer parte do mundo e de qualquer pessoa. Acompanhamos diariamente a intimidade, as conquistas e as viagens não só dos perfis das pessoas que Ver Mais →

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Umami, o quinto gosto

Por que a gente gosta tanto de shooyu, tomate, parmesão (ou melhor, uma bela pasta com molho de tomate e lascas de parmigiano-reggiano), konbu e nori (algas marinhas desidratadas muito utilizadas na culinária japonesa) e cogumelos, principalmente os secos? É por que esses alimentos possuem uma característica comum: eles têm umami; eles têm o quinto gosto que foi descoberto por um químico japonês em 1908, lançado como Ajinomoto em 1909, demonizado nos anos 1960 pela “síndrome do restaurante chinês”, reconhecido pela comunidade científica internacional em 2001 e, finalmente, declarado como inofensivo e tema de estudo de grandes chefs — do Oriente e do Ocidente — no século 21.

O umami é considerado o quinto gosto — além do amargo, do ácido, do salgado e do doce — porque foi comprovado que os seres humanos (e até alguns animais) possuem um receptor específico nas papilas gustativas para o ácido glutâmico, mais conhecido em sua forma comercial concentrada (glutamato monossódico, vulgo Ajinomoto), essa substância que Ver Mais →

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Comer carne: é preciso reconsiderar?

Você tem um filhote de cachorro que você ama. Chego na sua casa com um cordeiro de seis meses de idade, o filhotinho de uma ovelha. O cordeirinho é tão mamífero, fofo e brincalhão quanto seu melhor amigo. Mas a sua missão é matá-lo. Vamos preparar um delicioso carré  de cordeiro assado com crosta de ervas. Assim como o seu cachorro, o cordeiro não quer sentir dor, não quer ser machucado, não quer morrer. Como matar um animal saudável sem machucá-lo? Você vai ter de lidar com seu sofrimento, talvez seus gritos (se a morte não for instantânea), sua dor e desespero (ele vai se debater), sua fraqueza, até que ele morra. Terá de cortá-lo, administrar o sangue farto e ainda quente, retirar suas vísceras, esquartejá-lo, separar os cortes bons  de sua carne. A cena vai parecer a de um crime; a de um assassinato terrível e moralmente condenável se você fizesse a mesma coisa com um colega humano. E a pergunta que faço é: qual seria o nosso prazer em comer o prato depois disso? (Enquanto isso, seu cachorro está brincando no jardim, dormindo em uma casinha aconchegante, e, diante de qualquer problema de saúde com ele, você o levará urgentemente ao caro veterinário e fará o que for possível que ele permaneça saudável Ver Mais →

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Benditos defeitos

E Mário Quintana continua: “Cultivemo-los pois, com o maior carinho — esses nossos benditos defeitos”. Não julgue os outros — e nunca se sinta de qualquer forma diminuído — por que “eles”, os outros, não compartilham da mesma opinião, jeito de vestir e nível cultural ou de sofisticação que você, independentemente do que seja considerado melhor ou pior. São infinitas as verdades e maneiras de ver, vestir, pensar e viver a vida. Só a diversidade e o contraste enriquecem o nosso olhar, e só o respeito e a aceitação incondicionais  do outro e de si mesmo  trazem paz. Seja gentil. Cultivemos.defeitos-e-diferencas

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Sprezzatura, a arte de chamar atenção sem ser de...

Sempre foi vulgar parecer que você está se esforçando para ser chique. Nas cortes do século 16, não bastava ser hábil nas armas, nos esportes, na música e na dança, sendo a sprezzatura uma habilidade essencial do cortesão ideal. Essa era a opinião de Baldassare Castiglione — ele mesmo um cortesão da corte da duquesa virgem de Urbino —, que ele descreve em seu livro Il Cortegiano (O Cortesão, em italiano), publicado em 1528, quando as intrigas palacianas eram rotina (e resultavam em mortes e envenenamentos), a justiça um conceito quase abstrato (a vontade do soberano era imperativa) e as aparências, ah, como elas eram cultivadas. (Opa, mas algo mudou? )

Sprezzatura é dominar completa e perfeitamente a arte de se relacionar com as pessoas, de decorar a casa ou de vestir-se bem, de forma que essas difíceis tarefas pareçam completamente sem esforço, planejamento ou preocupação (o que faz com que o Ver Mais →

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Só fale para aperfeiçoar o silêncio

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O livre-arbítrio e o destino

Quem diria. Livre-arbítrio vs. destino é daqueles temas que geram debates acalorados em casa. Sempre acreditei que na vida tudo está escrito, uma vez que cada decisão que a gente toma, por mais “livre” que ela seja, será sempre influenciada por toda a nossa história, a cultura do nosso país ou da religião, nossas experiências, nossos valores, nossa educação, nossos sonhos; as vivências passadas e os objetivos futuros. E não há como fugir deste acumulado-de-tudo-isso que somos nós. E uma vez que a vida é escrita sem o nosso consentimento (onde e com quem vamos nascer, o que vamos viver, as pessoas que vamos encontrar, as vontades que vão surgir), será que o livre-arbítrio é — e nós somos — tão “livre” assim? Mas foi a Victoria Beckham, estilista, ex-Spice Girl e esposa de David Beckham, que veio com essa interessante reflexão, no vídeo da ótima série 73 Questions With produzida pela revista Vogue America.
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Likes get you high?

Em 2014, eu tive dates com três caras que tinham mais de “10 k” (em inglês, um k equivale a “000”), ou seja, que tinham mais de 10 mil seguidores no Instagram. Até então (até 2013), o Instagram pra mim era uma rede social em que a gente postava fotos de que a gente gostava, sem nenhum compromisso de agradar a um venerável público. Mas tudo mudou. E confesso que escutar frases como “meus fãs gostam de ver fotos minhas”, “se uma foto tiver menos de 500 likes, eu deleto porque queima meu filme”, “meu ex-namorado não sabia administrar minha popularidade” — ditas sem NENHUM constrangimento —; a preocupação com o conteúdo — escolha do cenário, do figurino, dos acessórios, editar a foto com inúmeros aplicativos para melhorar a aparência —; e o hábito de postar em dias e horários específicos para “otimizar o número de likes e comentários” (ou não postar fotos demais com o mesmo objetivo; “floodar a timeline” é como isso se chama); e o pudor zero em fazer Ver Mais →

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Raízes ou asas?

raizes-e-asas-2015Nós, da Simonde, nascemos com asas. Seja para voar pelos infinitos universos interiores dos sentimentos, das leituras e das ideias para enxergar o mundo de muitas e das mais diferentes maneiras, seja para voar para outras paisagens, destinos e pessoas neste tão vasto universo. Que 2015 seja um ano de liberdade, de muito vento na cara, de praias, céus e estradas, com saúde, prosperidade e, principalmente, de compaixão para com todas as “imperfeições” — ou apenas diferenças — mundanas, dos outros e das nossas, e MUITA, mas MUITA comida gostosa acompanhada de pessoas queridas, regadas a boas bebidas e papos iluminados. We’re back, baby. 明けましておめでとうございます. Joyeux 2015. 

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Arte misândrica

Misógino é aquele que sente ódio, aversão ou desprezo pelas mulheres. É um sentimento ainda bastante presente — na música, na literatura, nas opiniões — seja de forma explícita, seja de forma velada, no discurso machista de homens E mulheres, apesar da atração sexual que possa existir entre o interlocutor e o objeto de seu desejo-desprezo. Mas, talvez como uma forma de lutar contra séculos de opressão (ou mesmo se vingar de uma traição, do desprezo e da humilhação por um homem), cada vez mais artistas mulheres produzem obras misândricas, principalmente nos últimos vinte anos, seja através de músicas, como as cantoras Tori Amos, Nicki Minaj e Beyoncé-Who-Runs-The-World-Girls-Knowles, ou mesmo nas artes plásticas, como Sophie Calle (que, na obra intitulada Take Care of Yourself, expôs o email que o seu ex-namorado lhe escreveu para terminar o relacionamento Ver Mais →

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Todos os cogumelos são comestíveis

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Livre para escolher minha prisão

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Budapeste e o filme de Wes Anderson

O filme O Grande Hotel Budapeste recria signos importantes do século 20. Logo na primeira panorâmica do hotel, há uma referência nem tão sutil ao sanatório alpino d’A Montanha Mágica, obra-prima do escritor alemão Thomas Mann. O volumoso livro é descrito como “uma viagem à decadência” pelo acadêmico Malcolm Bradbury. Tampouco é casual a escolha de Budapeste para o nome do filme: há óbvias coincidências históricas no enredo, já que Budapeste foi símbolo das grandes cisões europeias por quase todo o século 20 — notadamente, durante o entreguerras (período entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial) e a Guerra Fria (pós-Segunda Guerra até a extinção da URSS em 1991).

Até 1918, Budapeste foi também a segunda capital do extinto Império Austro-Húngaro (a primeira era Viena) e acabou por mais de dois séculos — seja como Império, seja como Hungria — oscilando entre as dominações do Oriente (Moscou) e do Ocidente (o eixo europeu, Berlim-Paris-Londres). Esmagada entre esses dois eixos de poder, buscou autonomia, fosse recorrendo ao nacionalismo chauvinista, fosse resistindo diretamente às diretivas soviéticas na Cortina de Ferro. Nesse sentido, o hotel e os personagens também metaforizam perfeitamente esse epicentro da geopolítica moderna, o Império Austro-Húngaro e os desdobramentos posteriores.

A começar pela própria ambientação do hotel, que salta do estilo faustoso, ainda que decadente do Império à quase assepsia do design socialista. Vale lembrar que trinta anos depois da Revolução Russa, em 1917, um terço da humanidade viveria sob regimes socialistas — incluindo a própria Hungria, de 1949 a 1989 — e o crescimento do ideário comunista como uma alternativa ao capitalismo era o maior temor das potências ocidentais. Nesse sentido, no hotel, vai-se dos lustres rococó ao padrão geométrico e abstrato das paredes. Sem falar no personagem Zero, que é uma das alegorias mais diretas ao Império Otomano, o “grande enfermo da Europa”, esfacelado no período entreguerras (o Império Otomano foi extinto em 1922) e que, gradativamente, vai ganhando poder geopolítico com a criação da República da Turquia.

Texto escrito por Ivo Yonamine, bacharel em Direito, tradutor, revisor e apaixonado por história. 

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Você não é amado por que é bom, é bom por que...

Todas as vezes que agredi, machuquei alguém deliberadamente foi por que eu não estava bem; me sentia inferiorizado, injustiçado; por alguém ou pela Vida. Quando estamos mal, fazemos mal. E é preciso entender quando isso acontece com a gente e com os outros. O senso comum tende a nos fazer acreditar que pessoas “ruins” receberão castigo futuro, que estão alimentando seu karma. Eu sempre achei que quem faz o mal já está no mal, já está mal; e reagindo a esse sentimento e perpetuando essa vibração só faz com que a gente permaneça lá, na lama. E  não há castigo maior que esse. Sejamos gentis uns com os outros, e perdoemos  — a nós e aos outros — quando não estivemos no nosso melhor. É a hora que a gente mais precisa de amor.

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Melhor ser humano que ter bom gosto

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Anna Wintour boicota o Meurice

Depois que o sultão de Brunei, um dos homens mais ricos do mundo, implementou a sharia* no seu minúsculo estado do sudeste asiático encravado na Malásia (a lei entrou em vigor no dia 1 de maio de 2014), grandes nomes da moda e dos negócios decidiram boicotar alguns dos hotéis mais incríveis de Paris, Londres e Milão (Le Meurice, Plaza Athénée, The Dorchester, Principe di Savoia), que fazem parte da Dorchester Collection, da qual Hassanal Bolkiah, the sultan, é dono. E, depois de François Pinault (dono da Kering, aka Gucci, Balenciaga etc.), Hedi Slimane (diretor criativo da Saint Laurent) e Richard Branson (dono da Virgin), chegou a vez de Anna Wintour e toda a Condé Nast engrossar o coro. Até que o sultão desista da sharia, a toda-poderosa da Vogue America não se hospedará mais — nem ela nem qualquer outro funcionário da editora — em sua demeure parisiense, o Meurice.  * A sharia é lei religiosa islâmica baseada no Alcorão (não há separação entre religião e direito), que prevê pena de morte por apedrejamento para adultério (quase sempre mulheres) e homossexuais, amputações para crimes de roubo e chibatadas.

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Her

Nunca acreditei em livre-arbítrio. Sempre achei que nós também funcionamos por algoritmos, esse código-equação cheio de regras que determina o funcionamento de programas de computadores; apenas com variáveis mais complexas. Enquanto nos softwares as regras talvez sejam mais lógicas, o nosso algoritmo traz variáveis como a nossa personalidade, o ambiente no qual crescemos, a relação que tivemos com nossos pais, as pessoas que encontramos ao longo da vida, as experiências acumuladas, as alegrias, as tristezas, nossos desejos, talentos, traumas. A maneira como vemos, vivemos, agimos e reagimos na vida é SÓ o resultado dessa equação. E essa fórmula está sendo constantemente alimentada: em cada notícia que lemos, em cada conversa, em cada troca. E não há como fugirmos dela. Bom, essa também é Samantha, o sistema operacional que divide com Theodore (interpretado por Joaquin Phoenix) o protagonismo do filme Her, que trata da Ver Mais →

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#SomosTodosRacistas

Posta foto comendo banana com a hashtag #SomosTodosMacacos (não vou NEM comentar a #VergonhaAlheia do oportunismo do tal apresentador da Globo), mas acha que a empregada é uma folgada e não entende como empregadas podem ficar doentes no dia em que ela organizou um jantar (tampouco entende por que um pobre pode querer uma TV de LED em casa e querer se divertir: QUANTA ousadia). Se o filho aparece namorando uma negra, então… = #SuicídioSocial). Fala mal do Brasil, que quer ir embora deste país de m***a, mas, ah, detesta política. É tudo culpa do PT, do Lula, do mensalão, da Dilma, da Copa — mas sonega imposto de renda, falsifica carteira de estudante pra pagar meia e só pensa em aproveitar a vida —, como se a pobreza e a desigualdade social existissem no Brasil há apenas 12 anos (just for the record, esses DOIS ÍNDICES pelo menos melhoraram BASTANTE nos últimos anos). Vou morar em Paris, em Nova York, Londres, Copenhague (claro, por que eu iria querer viver em Quito, Vienciana ou Luanda? que o Brasil se exploda! vou para um país que me merece! *vulgo países que já passaram por esses processos, dificuldades, revoluções, quando seus CIDADÃOS NÃO FUGIRAM para um país “melhor”*), mas nunca saiu do circuito turístico e não conhece a realidade dos banlieues  e dos outskirts nem se lembra que há apenas vinte anos Nova York era tão perigosa quanto São Paulo (ninguém tinha coragem de andar à noite na rua, nem na Times Square); e que TODOS os países do mundo têm seus problemas. Comuns para quem lá nasceu; difíceis para a nossa adaptação. Vou adorar ver você, como Ver Mais →

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Ter é cuidar; tenha menos e viva mais

Entendo cada vez menos pessoas que desejam comprar ou compram casas de praia ou de campo, fazendas, barcos, aviões, ou mesmo carros muito caros (até obras de arte). Entendo cada vez menos pessoas que precisam comprar roupas a cada coleção, redecorar a casa todos os anos. Ter é ter de cuidar, manter, se preocupar, se dedicar, ter carinho, limpar (já vi gente muito legal com celulares, computadores e cabos nojentinhos de sujo). Não importa se é um jardim, um cachorro, sapatos ou uma coleção de selos. Tem o tempo que envelhece, a umidade que apodrece, o ladrão que rouba, agride e invade. Cada material — da prata ao cashmere  passando pelo couro — exige cuidados diferentes. E dá trabalho até para se desfazer delas quando não as queremos mais, pois elas ficam, ali, ocupando espaço e tempo. Pra que comprar uma casa que você não vai ter tempo de usar — e vai te prender — com tantos hotéis e destinos incríveis? Barcos, carros, helicópteros, aviões podem ser alugados (já com staff  e catering) — e tem classe executiva, first class, A380, Singapore Airlines — sem precisar gastar fortunas com manutenção, impostos, salários, taxas, guarda, e, muito importante, sem precisar se estressar — essa é a pior parte — com a administração de problemas de funcionários: contratação, demissão, faltas, doenças, dia a dia. Em tempos em que os estilos são tantos — a reflexão para encontrar o seu é importante; esse é um tempo bem gasto — e as barreiras sociais desmoronam, quem fica reparando se você está na moda ou não? Quem fica reparando se você está com a mesma roupa da balada da semana passada? Sem falar no tempo que se gasta pesquisando, comprando, experimentando, trocando, encomendando… Pra mim, já basta ter de administrar-cuidar-bem — e estar sempre aprendendo como extrair o melhor de cada “ferramenta” — o celular, o iPad, as músicas no iTunes, o carro, os dois computadores, todos os softwares e aplicativos (SEMPRE com atualizações), meu emails, meus relacionamentos nas redes sociais e meu enxuto guarda-roupa. O resto do tempo (e do dinheiro)? Quero gastar lendo, viajando, praticando esportes, estudando, comendo, bebendo, experimentando, conversando e sendo generoso com as pessoas que amo, enquanto eu tiver saúde. E quer saber? E eu já acho MUITA coisa.

P.S. Eu sei que, no fim das contas, as pessoas com toda essa sede de consumo só estão querendo aprovação, só estão querendo ser percebidas e admiradas pelo mundo. Masss… as pessoas e os relacionamentos que realmente importam têm uma dinâmica bem diferente deste comportamento, não vão te amar mais ou menos por isso. Porque, se não for assim… Houston, we have a problem.

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Veneza fora da Itália?

Chegou a vez de La Serenissima Repubblica di Venezia, aka Veneto, começar a votação para se tornar uma república independente da Itália e cortar os laços com Roma. No ano passado, estive pela primeira vez em Barcelona, e fiquei chocado de ver nas livrarias, seções inteiras — com livros e estudos seriíssimos — dedicadas à secessão da Catalunha da Espanha. Logo mais, em setembro, é a vez do referendo da Escócia, com o mesmo objetivo: se separar do Reino Unido. O Veneto foi um Estado independente por mais de mil anos, do século 8 a 1797, quando Napoleão Bonaparte invadiu a região e depôs o Doge Ludovico Manin. O motivo é sempre o mesmo: dinheiro. De acordo com os defensores da ideia, a Itália drena as riquezas do Veneto, que é rica e industrializada, e tem sua própria identidade, história e cultura. Mas as barreiras são grandes (para todos os Estados europeus independentistas): uma vez separados, eles estariam automaticamente fora da União Europeia. E dificilmente Bruxelas reconheceria um estado independente, já que isso abriria precedentes para várias outras regiões que pensam em fazer a mesma coisa. E isso afetaria profundamente os negócios, os contratos e a moeda. Saberemos o resultado até o fim desta semana. Ver Mais →

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Amor, eu te quero mas sai daqui.

Pessoa que sei que está sofrendo mas está postando foto “feliz” na balada, com copo de champagne na mão, amigos lindos, com o único objetivo de atingir UMA pessoa: o ex – que também está sofrendo e acha que o outro não está nem aí pra ele. Corta. Namorado que se relaciona mais com seus followers  no Instagram — porque está sempre sensualizando, mostrando o quanto é desejado pela sua beleza — que com seu companheiro. Corta. Pessoa para quem os “amigos” — sempre muitos; dezenas deles — e a “balada e as balas” é um estilo de vida, sinônimo de alegria, satisfação e “sucesso”, mas vai pra sauna buscar o amor. Corta. Menino lindo, gostoso e inteligente procurando a batida perfeita e o outro perfeito e que, aos 30 e poucos anos, nunca namorou ninguém. Sei lá, acho que o exibicionismo das redes sociais, esse narcisismo constante e estimulado do “ideal” da vida e das relações, só faz distanciar as pessoas do que elas mais querem. E eu nem assisti Her ainda. Ver Mais →

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É muito “amor” nas redes sociais

Pessoas que postam foto com amigo legendando “amigo que eu tanto amo” — mal conhece — ou “saudades” — mentira — só por que saiu bem na foto. E o amigo nem tanto. Nas redes sociais, o único amor que existe é o amor a si mesmo.

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Nomofobia

Angústia causada quando você está impossibilitado de postar ou se comunicar através de algum gadget (telefone celular, tablet ou computador); é a fobia de se ficar sem um aparelho de comunicação móvel, sem poder checar a cada minuto quem está curtindo seu post ou sua foto. O termo vem do inglês, no-mo (no-mobile). Falta de sinal 3G no celular também pode causar nomofobia, especialmente quando você quer muito postar uma foto no Instagram e o upload  nunca carrega e termina em “failed”.

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I like it. What is it?

ILikeItPor que nem sempre a gente entende por que gosta. Ou gosta sem mesmo saber o que é. Obra do artista plástico inglês Anthony Burrill.

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O algoritmo da máquina de sonhos

Tem algo de muito mágico e fantástico nos diálogos que ocorrem nos sonhos. As pessoas aparecem, falam, se comportam e reagem às situações de uma maneira muito e incrivelmente real. É como se a “máquina produtora de sonhos” tivesse um algoritmo que escrevesse todos os roteiros com base nos inputs que temos no dia a dia. E esse algoritmo é capaz de escrever roteiros infinitamente.

SonhosAlgoritmos

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As muitas faces de todos nós

Na era maniqueísta em que vivemos, ou você é lindo, do bem, “incrível” ou você é do mal; ou você é PT ou você é PSDB; ou você é preto ou branco – cinquenta tons de cinza, parece, só em literatura de qualidade duvidosa. É como se não tivéssemos todas as qualidades e defeitos em potencial dentro de nós. Eu, por exemplo, me percebo ora generoso ora egoísta; posso ser um grande amigo, mas também um chato insuportável. Depende da situação, do contexto, com quem. Por que os grandes homens, mesmo eles, seriam diferentes? E é interessante como isso reverbera nos nossos “ídolos”, seja com Mandela, com Gandhi, ou com Jesus. Todos são idolatrados e considerados seres “iluminados”. Mas, Mandela foi adepto da luta armada contra o regime racista (foi condenado à prisão perpétua por planejar ações armadas) e próximo de líderes comunistas (Castro, Guevara, Khadafi, Arafat, líderes que as potências ocidentais – e muitos de nós – desprezam); Gandhi, que nunca abaixou a cabeça, era simpático à jihad; e Jesus foi um revolucionário com “R” maiúsculo (“bem aventurados os pobres de espírito pois é deles o reindo dos céus”, ou ainda: “quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Porque é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.”). Todos eram obcecados com suas convicções e, talvez por isso, contribuíram imensamente com o curso da história. Mas fico pensando se a maioria das pessoas que hoje escrevem lindos textos sobre esses “mestres” inspiradores e imaculados gostariam de tê-los como empregados ou mesmo como amigos. Afinal, quem hoje em dia gostaria de pertencer à turma de um cara que anda com prostitutas e leprosos ou de outro que só vestia trapos?051256Na obra do artista italiano Marco Cianfanelli, construída em Howick, KwaZulu-Natal, na África, 50 colunas de aço de até 10 metros de altura espalhadas por 35 metros formam a imagem de Nelson Mandela quando observada de um ângulo específico. Para ver a escultura vista de outro ângulo, clique aqui.

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Racista, eu?

Escravizamos os negros para o bem dos nossos lucros. Com a riqueza gerada com base na privação de direitos, vontade própria e liberdade de 5 milhões de negros sequestrados na África (os que chegaram vivos, já que quase 700 mil vidas se perderam nos navios negreiros, sendo que alguns historiadores calculam que pode ter sido o dobro o número de escravos trazidos), durante 388 anos, construímos o nosso Estado, o nosso Brasil. A escravidão foi a base da vida econômica do império português na África e na América. E como eles trabalharam. Crescemos e construímos Estados melhores graças a eles, que trabalhavam 16 horas por dia, sem qualquer direito ou regalia. O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão. E foi assunto tão relevante que foi uma das causas da queda da monarquia. Quando os libertamos, os deixamos completamente desassistidos, sem as qualificações ou ajuda necessárias para que alcançassem o mesmo padrão de vida dos brancos. “Olha, nós te escravizamos, você não teve educação ou saúde, mas agora você está livre para ser feliz! Boa sorte aí! Se vira!” O resultado: marginalização, preconceito, discriminação, racismo. Até hoje. 70% das vítimas de assassinato no Brasil são negros (e muitos são mortos por quem deveria proteger a todos nós, a Polícia Militar). Não vemos negros nos grandes restaurantes, em altos cargos nas corporações ou morando em bairros de classe média alta como Jardins, Higienópolis, Itaim (basta uma caminhada num fim de semana ensolarado pelas ruas dos bairros). Será por quê? E, ainda assim, quando o assunto são as cotas para negros nas universidades, ainda ouvimos: “nós, brancos, alcançamos o sucesso com nossos esforços” ou “os negros estão onde estão por falta de força de vontade: se eles estudassem mesmo, não precisariam de cotas para entrar na faculdade”. O ESTADO que ESCRAVIZOU por quase QUATROCENTOS ANOS, tem SIM de criar políticas públicas para diminuir a desigualdade racial e social. O sistema de cotas para negros nas universidades pode não ser a solução ideal, mas é um caminho. É preciso olhar com carinho para a nossa história. Assim como a história do mundo é uma história das migrações, a história do Brasil é uma história das relações raciais.Rugendas_620

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Uma vida vale mais que outra?

É engraçada a “hierarquização” do valor da vida que existe entre nós, seres humanos. Achamos que a nossa vida vale mais que a de um cachorro; que a de um cachorro vale mais que a de uma vaca (porque essa é uma delícia, não é mesmo?); que a de uma vaca vale mais que a de um frango; que a vida de uma ave vale mais que a de um rato, que vale mais que a de uma mosca; e que as baratas… Bem, essas não merecem viver de jeito nenhum.

timthumb (1)A arte crítica de Paul Kuczynski

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Qual o verdadeiro significado de “família&#...

Família. Um homem e uma mulher que não puderam — ou quiseram — ter filhos, é uma família. Uma mulher viúva ou separada com um filho é família. Uma mulher solteira com um filho biológico ou adotivo é família. Um homem solteiro — hetero ou gay — com um filho biológico ou adotivo é família. Duas pessoas gay  com um filho biológico ou adotivo é família. Dois amigos idosos que não têm mais ninguém além de um ao outro é família. São dezenas as configurações possíveis de família. O que forma uma família está muito, mas muito longe de laços jurídicos, religiosos ou de sangue. Tem a ver com amor, com dedicação, com lar. E não somos animais para vivermos em função da procriaçãoPor isso, não me venham falar do valor sagrado dessa “família” que pessoas cheias de “integridade” pregam e que só existem em seu discurso. Achar que TODO casal formado por um homem  e uma mulher serve de exemplo para a sociedade pela perfeição dos laços heterossexuais é fantástico e ingênuo DEMAIS.

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Drogas, drogas

Drogas para se divertir. Drogas para dormir. Drogas para se manter acordado e aumentar o foco no trabalho (a mesma que se usa para deixar as crianças focadas – e obedientes). Drogas para ficar bonito, sarado e desejado. Drogas para transar (e não estou falando só de Viagra). Drogas para viver. Temos usado drogas nos momentos mais cotidianos e naturais da vida. Produza, divirta-se, conquiste, consuma, seduza, aumente o seu poder sobre os outros, that’s the motto. Ou essa “evolução” é como tudo deveria ser no século 21 ou tudo está muito errado, sei lá. Ver Mais →

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Ambições frustradas

Sempre que assisto a esses vídeos lindos motivacionais, que pretendem fazer a gente pensar que podemos tudo, que é possível chegar lá, realizar todos os nossos sonhos (o último da Johnnie Walker é bem legal, com trilha de DJ francês Gesaffelstein e com várias cenas em São Paulo), me lembro de uma frase do Alain de Botton:

“A simple problem of arithmetic: there are far more ambitions than there are grand destinies available.”

(“Problema simples de aritmética: existem muito mais ambições do que destinos grandiosos disponíveis”, em tradução livre).

Principalmente no Ocidente, precisamos nos acostumar com a ideia de que nossos sonhos ambiciosos podem não ser realizados e que não há mal nenhum em ter uma vida simples, comum, ordinária.

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Não seja um idiota no trânsito

Quem é rico – de verdade – é generoso. Porque não há elegância sem generosidade e porque ela nos faz sentir bem. E um ótimo lugar para praticar a generosidade (é fácil ser generoso com nossos queridos amigos) é no trânsito. Abaixo, seguem algumas observações (sinta-se livre em nos mandar sua contribuição):

O SEU CARRO
— Regra de ouro: não é por que você tem um Bentley ou uma Ferrari, e por que você vive num país de miseráveis e se acha o máximo porque tem dinheiro, que você não precisa respeitar as leis de trânsito ou os outros motoristas e pedestres. Valores, educação e bom senso, ainda mais por parte da elite, são sempre bem-vindos.

NO ESTACIONAMENTO
— Em estacionamentos concorridos, nunca peça para alguém descer no carro para segurar uma vaga, ali, de pé, impedindo que um carro que esteja mais próximo – ou pior, esperando – estacione. Não importa se você viu a vaga primeiro da outra fileira. A vaga é sempre do carro que estiver mais próximo da vaga a ser desocupada com a seta ligada.

SINAL AMARELO
— Nunca é demais lembrar: sinal amarelo é pra parar o carro, não pra acelerar.

MUDANDO DE FAIXA
— A não ser que seja um motorista folgado tentando furar fila, sempre dê passagem para um motorista que queria trocar de faixa. Nada mais patético que um motorista acelerar seu carro só para impedir outro carro de mudar de faixa.

— Motoboys e bicicletas são cada vez mais (oni)presentes na cidade. Dê passagem, permaneça a uma distância segura, tome cuidado, preste atenção (nada de whatsapp, facebook, instagram). As motos, por andarem entre os carros, estão sempre a uma velocidade maior e um segundo de distração pode ocasionar um acidente.

RELAÇÃO COM PEDESTRES
Faixa de pedestre sem sinal e pedestre na calçada querendo atravessar, é MANDATÓRIO: pare o carro (só veja se não tem nenhum doido correndo atrás de você) e dê passagem para o pedestre. Precisamos nos acostumar a respeitá-los. Deveria ser óbvio, mas não é.

AO ENTRAR EM UMA RUA
— Dê seta sempre que entrar em uma rua à direita ou esquerda, mesmo que não haja carros atrás de você. É importante sinalizar também para ciclistas e pedestres que você vai virar naquela rua.

VELOCIDADE MÁXIMA
— Sempre dirija na velocidade permitida. Não acelere acima da velocidade permitida apenas por que a pista está livre, por que não tem nenhum carro à frente.

— Se você estiver dirigindo na velocidade máxima permitida e houver algum idiota atrás querendo ultrapassar – já que naquele trecho o sabichão sabe que não tem radar (porque, claro, só precisamos respeitar as leis quando estamos sendo fiscalizados) – não se desespere. Você não é obrigado a mudar de faixa, já que está na velocidade máxima permitida. Calmamente, mude de faixa (SE QUISER) por mais que o idiota fique acendendo o farol alto ou acelerando ou dando seta e acenando com o intuito de te pressionar para sair da frente.

TOLERÂNCIA
— Você é jovem, ágil, tem ótimos reflexos e está com pressa. Mas é importante ter tolerância com os motoristas que não são tão bons quanto você. Pessoas idosas, novos motoristas ainda inseguros, alguém que não está se sentindo bem, que está num dia ruim.

PONTUALIDADE = PLANEJAMENTO
Chegar atrasado em um compromisso é MUITA falta de respeito com os outros. Calcule o horário para sair de casa. Considere uma margem para imprevistos (numa cidade como São Paulo, o trânsito sempre sofre com situações pontuais como um farol quebrado, um acidente etc. E, infelizmente, elas são diárias).

Nada mais elegante que a tranquilidade das pessoas programadas e responsáveis com seus horários e compromissos. Estão sempre em paz.

São Paulo, 30 de agosto de 2013.

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Pinto que acompanha pato…

PintoEPato

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Poucos ou muitos?

MuitosBrinquedos

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Preconceito de luxo

O que dizer de pessoas que sempre – e apenas – amam o novo, mas quando o “novo” se populariza elas passam a odiá-lo? Escrevendo sobre a inauguração da Maison Baccarat em Moscou e citando o designer francês Philippe Starck, me veio à cabeça uns textos que venho escutando há algum tempo… Acho interessante observar pessoas dizerem, em um dado momento – geralmente quando a informação é nova ou inédita –, que AMAM uma banda, um designer, ou até um ingrediente, e depois de um tempo – geralmente, quando a informação se torna mais acessível a outras pessoas (principalmente, de “classes” que esses consideram inferiores) –, elas dizerem que “odeiam” aquilo que tanto admiravam e aproveitavam.

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TimingO timing e a vid...

Timing. A sincronização mágica, sem qualquer nexo e sem nenhum controle, que é capaz de provocar nossa felicidade ou nosso sofrimento. Os encontros e desencontros. Os casamentos e as separações. Os nascimentos e as mortes.

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Respeito às diferenças, sempre

Eu vejo as pessoas tirando sarro dos fãs da Lady Gaga, mas eu acho ótimo que essa novíssima geração tenha Gaga, Restart, Cosplay ou, mesmo, drag queens  ícones que continuem a simbolizar a liberdade de estilo, a falta de escrúpulos no uso das cores e dos materiais, a questionar as noções de masculino-feminino, noite-dia, elegância-cafonice. O mundo é bem mais divertido desse jeito.

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O comportamento aprendido

Estava mexendo nas Monocle antigas e me deparei com um grifo que define muito a influência da cultura e da mídia sobre o nosso comportamento: “Como você saberia paquerar, brigar, beber, fumar, namorar, beijar sem ter visto isso na TV ou em um século de filmes? (…) Da mesma maneira que a atuação se tornou mais naturalista, mais Stanislavski, nosso comportamento da vida real se tornou mais ‘estilizado’, mais kabuki”. De Robert Bound (em tradução livre)

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Sempre haverá novos ricos

Deu o que falar a crônica de Danuza Leão para a Revista RG Vogue de dezembro último. Intitulada Down no High Society, a escritora faz uma severa crítica aos endinheirados du jour, assumindo o mesmo radicalismo que critica no texto e ditando o que, na sua opinião, é verdadeiramente chic. É claro que ninguém discorda das suas precisas observações a respeito dessa nova tribo, os nouveaux-riches  afetados, arrogantes e sedentos por status. São pessoas que só se relacionam com os seus iguais, ignoram completamente pessoas “inferiores” (o que é constrangedor até para quem não está na situação) e sofrem de excesso de sofisticação: nas roupas e acessórios grifados, seguindo ao pé da letra “regras” dos manuais de gastronomia, etiqueta e viagens, ou em suas casas lindas e frias como um museu, sem personalidade (decorada por um arquiteto de nome que usa o mesmo “conceito” em todos os seus projetos) e sem história (como diz Danuza, “não há vestígio de um objeto afetivo demonstrando que eles tiveram pai, mãe, avós ou avôs; parece que nasceram de geração espontânea”).

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Filosofando com Voltaire

NGC4414_640_0 Estou lendo os deliciosos ensaios que compõem o livro Cartas Filosóficas, de Voltaire. Esse filósofo (ou não, já que alguns estudiosos não o consideram como tal por ele não ter criado um sistema filósofico – they’re sooo fussy ), poeta, dramaturgo e historiador francês; homem exemplar, grande ativista intelectual e que defendeu como ninguém a liberdade religiosa e uma justiça onde vários grupos que compõem a sociedade participem na criação das leis (não sendo mais impostas pelo Estado), ou seja, a justiça pluralista.

A vantagem de ler um livro de um filósofo-ensaísta do século 18, atento a tudo o que se passava em sua volta, como Voltaire, é que ele era contemporâneo de outros grandes homens que influenciaram o mundo como Isaac Newton, Jean-Jacques Rousseau e John Locke. E François-Marie Arouet (seu nome verdadeiro), com seu texto leve e inteligente, consegue tratar das idéias, das descobertas e de todos os embates filosóficos com uma intimidade de dar inveja.

Na décima quinta carta, quando Voltaire aborda o Sistema de atração dos corpos  de Newton (que nada mais é que a gravidade, essa força que nos faz manter os pés no chão, a Lua girando ao redor da Terra e a Terra girando em volta do Sol), comecei a pensar que, enquanto estamos aqui, em nossas estressantes vidas, correndo para comprar presentes de Natal, comparecendo a eventos sem fim, enfrentando trânsito e lojas lotadas, preparando o corpo e a pele para o verão (ou inverno, para quem vai esquiar) e já planejando o ano próximo, a Terra, esse planeta – minúsculo, se comparado a outros – com 13 mil quilômetros de diâmetro e pesando 5.972.000.000.000.000.000.000.000 quilos, está se movendo em um ritmo constante, programado, assim com outros milhões, bilhões, trilhões e infinitas galáxias, planetas, estrelas, cometas. Que força é essa (e põe força nisso) capaz de movimentar toda essa mega estrutura que existe desde sempre? Quantas hidrelétricas seriam necessárias para manter o movimento nonstop  dessa enorme massa?

A resposta ninguém sabe e nem acho que nossas mentes tenham sido projetadas para compreender tal questionamento. Mas que é interessante pensarmos que as nossas vidas, toda a nossa rotina, nossos sonhos, nossas desilusões, nossos amores, nossas ambições e mesmo o nosso corpo não tenham poder algum sobre todo esse vasto e indiferente universo, ah, isso é…

São Paulo, 20 de dezembro de 2007. 

Voltaire

Voltaire.

 

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