Comportamento


Países desenvolvidos podem ser bem irritantes

Eu sou a pessoa mais calma, paciente e educada do mundo; e, em viagens, sempre tento me adaptar observando as regras de comportamento da cultura local. Mas se tem uma coisa que pode irritar não só a mim, mas a brasileiros — e nativos de outros países considerados “bagunçados” — em geral é essa extrema organização dos países desenvolvidos. A gente adora enaltecer as qualidades dos países onde tudo funciona; onde as pessoas são educadas, os serviços eficientes. Mas essas características influenciam — ou são consequências, sei lá — de um povo sempre certinho demais. E isso irrita. (Eles também se irritam com nossa falta de pontualidade, nossa falta de comprometimento, com nossa tranquilidade e ineficiência; normal… e viva as diferenças culturais :- )

Me lembro uma vez, logo que a Vosges Haut Chocolat abriu no SoHo nova-iorquino e era a sensação do momento. Fui com meu namorado, pedi quase todos os sabores das trufas para provar, e como queríamos dividir cada uma delas para que ambos provássemos, fui Ver Mais →

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A ditadura do siga-de-volta

Quero a liberdade de seguir quem eu quiser  porque os posts das pessoas que escolho seguir são interessantes para mim. Quero ter a liberdade de segui-las pelo tempo que eu quiser, sem ter de ficar explicando — para ela — por que deixei de segui-la, se um dia eu me cansar de acordar TODOS OS DIAS vendo uma selfie  com frase de motivação ou as taças de champagne com o seu cartão de embarque nas salas VIP dos aeroportos do mundo em fotos sem qualquer legenda; o que não vai mudar em NADA o meu sentimento e nossa amizade. (Eu mesmo me canso da repetição que é a vida, de postar as mesmas coisas, imagina para quem está vendo…) Vir perguntar para o amigo — ou pior, conhecido — POR QUE ele deixou de seguir ou por que ainda não está “me seguindo” — ou pior-pior!, expor isso nas redes sociais — é de imensas indelicadezadeselegância e falta de educação (qual o objetivo, constranger?). Ninguém  é obrigado a gostar das coisas que a gente posta, mesmo as pessoas com quem a Ver Mais →

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Black Mirror, uma série desconfortavelmente incrível

Como um espelho preto. É assim que ficam as telas das TVs, monitores e celulares, quando desligados. E esse é o nome de uma das séries mais apocalípticas e interessantes já escritas para a TV. Dá vontade de descrever o roteiro do primeiro episódio, The National Anthem, mas contar qualquer coisa a partir do quinto minuto, já seria contar demais. É preciso assistir.

É sempre fascinante quando um filme consegue incomodar, fazer refletir ou despertar sentimentos nem sempre muito presentes. Monika e o Desejo, de Ingmar Bergman, Dançando no Escuro, de Lars Von Trier, A Serbian Film, de Srđan Spasojević, são obras que me vêm à cabeça. Só que, diferentemente desses filmes, em Black Mirror nos reconhecemos; o que vemos ali somos nós, refletidos naqueles contextos; escravos do consumo, linchadores virtuais, mórbidos Ver Mais →

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Não respondi o whatsapp; nada pessoal

Mesmo se o dia tivesse 80 horas, ainda assim seria impossível ver todas as atualizações, comentários, conversas e matérias compartilhadas pelos amigos e pessoas que seguimos nas timelines  do Facebook, do Instagram e do Twitter (e as mensagens inbox  e direct ); além de responder todos os e-mails de trabalho (prioridade), ler todos os links  interessantes das newsletters; ver todos os novos vídeos dos canais que a gente assina no Youtube, os snaps  do Snapchat (tem gente que parece não conseguir mais viver sem compartilhar cada minuto do dia) e acompanhar todas as mensagens banais, vazias, esdrúxulas dos cada vez mais numerosos grupos no Whatsapp (não participo nem dos grupos da família). Isso por que ainda tem as centenas de jornais, revistas, sites, blogs  e portais, canais e programas de televisão e séries favoritos.

A acessibilidade é uma das principais características do nosso tempo. Temos acesso a informações de qualquer parte do mundo e de qualquer pessoa. Acompanhamos diariamente a intimidade, as conquistas e as viagens não só dos perfis das pessoas que Ver Mais →

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Benditos defeitos

E Mário Quintana continua: “Cultivemo-los pois, com o maior carinho — esses nossos benditos defeitos”. Não julgue os outros — e nunca se sinta de qualquer forma diminuído — por que “eles”, os outros, não compartilham da mesma opinião, jeito de vestir e nível cultural ou de sofisticação que você, independentemente do que seja considerado melhor ou pior. São infinitas as verdades e maneiras de ver, vestir, pensar e viver a vida. Só a diversidade e o contraste enriquecem o nosso olhar, e só o respeito e a aceitação incondicionais  do outro e de si mesmo  trazem paz. Seja gentil. Cultivemos.defeitos-e-diferencas

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Sprezzatura, a arte de chamar atenção sem ser de...

Sempre foi vulgar parecer que você está se esforçando para ser chique. Nas cortes do século 16, não bastava ser hábil nas armas, nos esportes, na música e na dança, sendo a sprezzatura uma habilidade essencial do cortesão ideal. Essa era a opinião de Baldassare Castiglione — ele mesmo um cortesão da corte da duquesa virgem de Urbino —, que ele descreve em seu livro Il Cortegiano (O Cortesão, em italiano), publicado em 1528, quando as intrigas palacianas eram rotina (e resultavam em mortes e envenenamentos), a justiça um conceito quase abstrato (a vontade do soberano era imperativa) e as aparências, ah, como elas eram cultivadas. (Opa, mas algo mudou? )

Sprezzatura é dominar completa e perfeitamente a arte de se relacionar com as pessoas, de decorar a casa ou de vestir-se bem, de forma que essas difíceis tarefas pareçam completamente sem esforço, planejamento ou preocupação (o que faz com que o Ver Mais →

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Likes get you high?

Em 2014, eu tive dates com três caras que tinham mais de “10 k” (em inglês, um k equivale a “000”), ou seja, que tinham mais de 10 mil seguidores no Instagram. Até então (até 2013), o Instagram pra mim era uma rede social em que a gente postava fotos de que a gente gostava, sem nenhum compromisso de agradar a um venerável público. Mas tudo mudou. E confesso que escutar frases como “meus fãs gostam de ver fotos minhas”, “se uma foto tiver menos de 500 likes, eu deleto porque queima meu filme”, “meu ex-namorado não sabia administrar minha popularidade” — ditas sem NENHUM constrangimento —; a preocupação com o conteúdo — escolha do cenário, do figurino, dos acessórios, editar a foto com inúmeros aplicativos para melhorar a aparência —; e o hábito de postar em dias e horários específicos para “otimizar o número de likes e comentários” (ou não postar fotos demais com o mesmo objetivo; “floodar a timeline” é como isso se chama); e o pudor zero em fazer Ver Mais →

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Arte misândrica

Misógino é aquele que sente ódio, aversão ou desprezo pelas mulheres. É um sentimento ainda bastante presente — na música, na literatura, nas opiniões — seja de forma explícita, seja de forma velada, no discurso machista de homens E mulheres, apesar da atração sexual que possa existir entre o interlocutor e o objeto de seu desejo-desprezo. Mas, talvez como uma forma de lutar contra séculos de opressão (ou mesmo se vingar de uma traição, do desprezo e da humilhação por um homem), cada vez mais artistas mulheres produzem obras misândricas, principalmente nos últimos vinte anos, seja através de músicas, como as cantoras Tori Amos, Nicki Minaj e Beyoncé-Who-Runs-The-World-Girls-Knowles, ou mesmo nas artes plásticas, como Sophie Calle (que, na obra intitulada Take Care of Yourself, expôs o email que o seu ex-namorado lhe escreveu para terminar o relacionamento Ver Mais →

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Anna Wintour boicota o Meurice

Depois que o sultão de Brunei, um dos homens mais ricos do mundo, implementou a sharia* no seu minúsculo estado do sudeste asiático encravado na Malásia (a lei entrou em vigor no dia 1 de maio de 2014), grandes nomes da moda e dos negócios decidiram boicotar alguns dos hotéis mais incríveis de Paris, Londres e Milão (Le Meurice, Plaza Athénée, The Dorchester, Principe di Savoia), que fazem parte da Dorchester Collection, da qual Hassanal Bolkiah, the sultan, é dono. E, depois de François Pinault (dono da Kering, aka Gucci, Balenciaga etc.), Hedi Slimane (diretor criativo da Saint Laurent) e Richard Branson (dono da Virgin), chegou a vez de Anna Wintour e toda a Condé Nast engrossar o coro. Até que o sultão desista da sharia, a toda-poderosa da Vogue America não se hospedará mais — nem ela nem qualquer outro funcionário da editora — em sua demeure parisiense, o Meurice.  * A sharia é lei religiosa islâmica baseada no Alcorão (não há separação entre religião e direito), que prevê pena de morte por apedrejamento para adultério (quase sempre mulheres) e homossexuais, amputações para crimes de roubo e chibatadas.

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#SomosTodosRacistas

Posta foto comendo banana com a hashtag #SomosTodosMacacos (não vou NEM comentar a #VergonhaAlheia do oportunismo do tal apresentador da Globo), mas acha que a empregada é uma folgada e não entende como empregadas podem ficar doentes no dia em que ela organizou um jantar (tampouco entende por que um pobre pode querer uma TV de LED em casa e querer se divertir: QUANTA ousadia). Se o filho aparece namorando uma negra, então… = #SuicídioSocial). Fala mal do Brasil, que quer ir embora deste país de m***a, mas, ah, detesta política. É tudo culpa do PT, do Lula, do mensalão, da Dilma, da Copa — mas sonega imposto de renda, falsifica carteira de estudante pra pagar meia e só pensa em aproveitar a vida —, como se a pobreza e a desigualdade social existissem no Brasil há apenas 12 anos (just for the record, esses DOIS ÍNDICES pelo menos melhoraram BASTANTE nos últimos anos). Vou morar em Paris, em Nova York, Londres, Copenhague (claro, por que eu iria querer viver em Quito, Vienciana ou Luanda? que o Brasil se exploda! vou para um país que me merece! *vulgo países que já passaram por esses processos, dificuldades, revoluções, quando seus CIDADÃOS NÃO FUGIRAM para um país “melhor”*), mas nunca saiu do circuito turístico e não conhece a realidade dos banlieues  e dos outskirts nem se lembra que há apenas vinte anos Nova York era tão perigosa quanto São Paulo (ninguém tinha coragem de andar à noite na rua, nem na Times Square); e que TODOS os países do mundo têm seus problemas. Comuns para quem lá nasceu; difíceis para a nossa adaptação. Vou adorar ver você, como Ver Mais →

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Ter é cuidar; tenha menos e viva mais

Entendo cada vez menos pessoas que desejam comprar ou compram casas de praia ou de campo, fazendas, barcos, aviões, ou mesmo carros muito caros (até obras de arte). Entendo cada vez menos pessoas que precisam comprar roupas a cada coleção, redecorar a casa todos os anos. Ter é ter de cuidar, manter, se preocupar, se dedicar, ter carinho, limpar (já vi gente muito legal com celulares, computadores e cabos nojentinhos de sujo). Não importa se é um jardim, um cachorro, sapatos ou uma coleção de selos. Tem o tempo que envelhece, a umidade que apodrece, o ladrão que rouba, agride e invade. Cada material — da prata ao cashmere  passando pelo couro — exige cuidados diferentes. E dá trabalho até para se desfazer delas quando não as queremos mais, pois elas ficam, ali, ocupando espaço e tempo. Pra que comprar uma casa que você não vai ter tempo de usar — e vai te prender — com tantos hotéis e destinos incríveis? Barcos, carros, helicópteros, aviões podem ser alugados (já com staff  e catering) — e tem classe executiva, first class, A380, Singapore Airlines — sem precisar gastar fortunas com manutenção, impostos, salários, taxas, guarda, e, muito importante, sem precisar se estressar — essa é a pior parte — com a administração de problemas de funcionários: contratação, demissão, faltas, doenças, dia a dia. Em tempos em que os estilos são tantos — a reflexão para encontrar o seu é importante; esse é um tempo bem gasto — e as barreiras sociais desmoronam, quem fica reparando se você está na moda ou não? Quem fica reparando se você está com a mesma roupa da balada da semana passada? Sem falar no tempo que se gasta pesquisando, comprando, experimentando, trocando, encomendando… Pra mim, já basta ter de administrar-cuidar-bem — e estar sempre aprendendo como extrair o melhor de cada “ferramenta” — o celular, o iPad, as músicas no iTunes, o carro, os dois computadores, todos os softwares e aplicativos (SEMPRE com atualizações), meu emails, meus relacionamentos nas redes sociais e meu enxuto guarda-roupa. O resto do tempo (e do dinheiro)? Quero gastar lendo, viajando, praticando esportes, estudando, comendo, bebendo, experimentando, conversando e sendo generoso com as pessoas que amo, enquanto eu tiver saúde. E quer saber? E eu já acho MUITA coisa.

P.S. Eu sei que, no fim das contas, as pessoas com toda essa sede de consumo só estão querendo aprovação, só estão querendo ser percebidas e admiradas pelo mundo. Masss… as pessoas e os relacionamentos que realmente importam têm uma dinâmica bem diferente deste comportamento, não vão te amar mais ou menos por isso. Porque, se não for assim… Houston, we have a problem.

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Amor, eu te quero mas sai daqui.

Pessoa que sei que está sofrendo mas está postando foto “feliz” na balada, com copo de champagne na mão, amigos lindos, com o único objetivo de atingir UMA pessoa: o ex – que também está sofrendo e acha que o outro não está nem aí pra ele. Corta. Namorado que se relaciona mais com seus followers  no Instagram — porque está sempre sensualizando, mostrando o quanto é desejado pela sua beleza — que com seu companheiro. Corta. Pessoa para quem os “amigos” — sempre muitos; dezenas deles — e a “balada e as balas” é um estilo de vida, sinônimo de alegria, satisfação e “sucesso”, mas vai pra sauna buscar o amor. Corta. Menino lindo, gostoso e inteligente procurando a batida perfeita e o outro perfeito e que, aos 30 e poucos anos, nunca namorou ninguém. Sei lá, acho que o exibicionismo das redes sociais, esse narcisismo constante e estimulado do “ideal” da vida e das relações, só faz distanciar as pessoas do que elas mais querem. E eu nem assisti Her ainda. Ver Mais →

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É muito “amor” nas redes sociais

Pessoas que postam foto com amigo legendando “amigo que eu tanto amo” — mal conhece — ou “saudades” — mentira — só por que saiu bem na foto. E o amigo nem tanto. Nas redes sociais, o único amor que existe é o amor a si mesmo.

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Nomofobia

Angústia causada quando você está impossibilitado de postar ou se comunicar através de algum gadget (telefone celular, tablet ou computador); é a fobia de se ficar sem um aparelho de comunicação móvel, sem poder checar a cada minuto quem está curtindo seu post ou sua foto. O termo vem do inglês, no-mo (no-mobile). Falta de sinal 3G no celular também pode causar nomofobia, especialmente quando você quer muito postar uma foto no Instagram e o upload  nunca carrega e termina em “failed”.

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Drogas, drogas

Drogas para se divertir. Drogas para dormir. Drogas para se manter acordado e aumentar o foco no trabalho (a mesma que se usa para deixar as crianças focadas – e obedientes). Drogas para ficar bonito, sarado e desejado. Drogas para transar (e não estou falando só de Viagra). Drogas para viver. Temos usado drogas nos momentos mais cotidianos e naturais da vida. Produza, divirta-se, conquiste, consuma, seduza, aumente o seu poder sobre os outros, that’s the motto. Ou essa “evolução” é como tudo deveria ser no século 21 ou tudo está muito errado, sei lá. Ver Mais →

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Não seja um idiota no trânsito

Quem é rico – de verdade – é generoso. Porque não há elegância sem generosidade e porque ela nos faz sentir bem. E um ótimo lugar para praticar a generosidade (é fácil ser generoso com nossos queridos amigos) é no trânsito. Abaixo, seguem algumas observações (sinta-se livre em nos mandar sua contribuição):

O SEU CARRO
— Regra de ouro: não é por que você tem um Bentley ou uma Ferrari, e por que você vive num país de miseráveis e se acha o máximo porque tem dinheiro, que você não precisa respeitar as leis de trânsito ou os outros motoristas e pedestres. Valores, educação e bom senso, ainda mais por parte da elite, são sempre bem-vindos.

NO ESTACIONAMENTO
— Em estacionamentos concorridos, nunca peça para alguém descer no carro para segurar uma vaga, ali, de pé, impedindo que um carro que esteja mais próximo – ou pior, esperando – estacione. Não importa se você viu a vaga primeiro da outra fileira. A vaga é sempre do carro que estiver mais próximo da vaga a ser desocupada com a seta ligada.

SINAL AMARELO
— Nunca é demais lembrar: sinal amarelo é pra parar o carro, não pra acelerar.

MUDANDO DE FAIXA
— A não ser que seja um motorista folgado tentando furar fila, sempre dê passagem para um motorista que queria trocar de faixa. Nada mais patético que um motorista acelerar seu carro só para impedir outro carro de mudar de faixa.

— Motoboys e bicicletas são cada vez mais (oni)presentes na cidade. Dê passagem, permaneça a uma distância segura, tome cuidado, preste atenção (nada de whatsapp, facebook, instagram). As motos, por andarem entre os carros, estão sempre a uma velocidade maior e um segundo de distração pode ocasionar um acidente.

RELAÇÃO COM PEDESTRES
Faixa de pedestre sem sinal e pedestre na calçada querendo atravessar, é MANDATÓRIO: pare o carro (só veja se não tem nenhum doido correndo atrás de você) e dê passagem para o pedestre. Precisamos nos acostumar a respeitá-los. Deveria ser óbvio, mas não é.

AO ENTRAR EM UMA RUA
— Dê seta sempre que entrar em uma rua à direita ou esquerda, mesmo que não haja carros atrás de você. É importante sinalizar também para ciclistas e pedestres que você vai virar naquela rua.

VELOCIDADE MÁXIMA
— Sempre dirija na velocidade permitida. Não acelere acima da velocidade permitida apenas por que a pista está livre, por que não tem nenhum carro à frente.

— Se você estiver dirigindo na velocidade máxima permitida e houver algum idiota atrás querendo ultrapassar – já que naquele trecho o sabichão sabe que não tem radar (porque, claro, só precisamos respeitar as leis quando estamos sendo fiscalizados) – não se desespere. Você não é obrigado a mudar de faixa, já que está na velocidade máxima permitida. Calmamente, mude de faixa (SE QUISER) por mais que o idiota fique acendendo o farol alto ou acelerando ou dando seta e acenando com o intuito de te pressionar para sair da frente.

TOLERÂNCIA
— Você é jovem, ágil, tem ótimos reflexos e está com pressa. Mas é importante ter tolerância com os motoristas que não são tão bons quanto você. Pessoas idosas, novos motoristas ainda inseguros, alguém que não está se sentindo bem, que está num dia ruim.

PONTUALIDADE = PLANEJAMENTO
Chegar atrasado em um compromisso é MUITA falta de respeito com os outros. Calcule o horário para sair de casa. Considere uma margem para imprevistos (numa cidade como São Paulo, o trânsito sempre sofre com situações pontuais como um farol quebrado, um acidente etc. E, infelizmente, elas são diárias).

Nada mais elegante que a tranquilidade das pessoas programadas e responsáveis com seus horários e compromissos. Estão sempre em paz.

São Paulo, 30 de agosto de 2013.

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Pinto que acompanha pato…

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Poucos ou muitos?

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Preconceito de luxo

O que dizer de pessoas que sempre – e apenas – amam o novo, mas quando o “novo” se populariza elas passam a odiá-lo? Escrevendo sobre a inauguração da Maison Baccarat em Moscou e citando o designer francês Philippe Starck, me veio à cabeça uns textos que venho escutando há algum tempo… Acho interessante observar pessoas dizerem, em um dado momento – geralmente quando a informação é nova ou inédita –, que AMAM uma banda, um designer, ou até um ingrediente, e depois de um tempo – geralmente, quando a informação se torna mais acessível a outras pessoas (principalmente, de “classes” que esses consideram inferiores) –, elas dizerem que “odeiam” aquilo que tanto admiravam e aproveitavam.

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Respeito às diferenças, sempre

Eu vejo as pessoas tirando sarro dos fãs da Lady Gaga, mas eu acho ótimo que essa novíssima geração tenha Gaga, Restart, Cosplay ou, mesmo, drag queens  ícones que continuem a simbolizar a liberdade de estilo, a falta de escrúpulos no uso das cores e dos materiais, a questionar as noções de masculino-feminino, noite-dia, elegância-cafonice. O mundo é bem mais divertido desse jeito.

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O comportamento aprendido

Estava mexendo nas Monocle antigas e me deparei com um grifo que define muito a influência da cultura e da mídia sobre o nosso comportamento: “Como você saberia paquerar, brigar, beber, fumar, namorar, beijar sem ter visto isso na TV ou em um século de filmes? (…) Da mesma maneira que a atuação se tornou mais naturalista, mais Stanislavski, nosso comportamento da vida real se tornou mais ‘estilizado’, mais kabuki”. De Robert Bound (em tradução livre)

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Sempre haverá novos ricos

Deu o que falar a crônica de Danuza Leão para a Revista RG Vogue de dezembro último. Intitulada Down no High Society, a escritora faz uma severa crítica aos endinheirados du jour, assumindo o mesmo radicalismo que critica no texto e ditando o que, na sua opinião, é verdadeiramente chic. É claro que ninguém discorda das suas precisas observações a respeito dessa nova tribo, os nouveaux-riches  afetados, arrogantes e sedentos por status. São pessoas que só se relacionam com os seus iguais, ignoram completamente pessoas “inferiores” (o que é constrangedor até para quem não está na situação) e sofrem de excesso de sofisticação: nas roupas e acessórios grifados, seguindo ao pé da letra “regras” dos manuais de gastronomia, etiqueta e viagens, ou em suas casas lindas e frias como um museu, sem personalidade (decorada por um arquiteto de nome que usa o mesmo “conceito” em todos os seus projetos) e sem história (como diz Danuza, “não há vestígio de um objeto afetivo demonstrando que eles tiveram pai, mãe, avós ou avôs; parece que nasceram de geração espontânea”).

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