Filosofando com Voltaire

NGC4414_640_0 Estou lendo os deliciosos ensaios que compõem o livro Cartas Filosóficas, de Voltaire. Esse filósofo (ou não, já que alguns estudiosos não o consideram como tal por ele não ter criado um sistema filósofico – they’re sooo fussy ), poeta, dramaturgo e historiador francês; homem exemplar, grande ativista intelectual e que defendeu como ninguém a liberdade religiosa e uma justiça onde vários grupos que compõem a sociedade participem na criação das leis (não sendo mais impostas pelo Estado), ou seja, a justiça pluralista.

A vantagem de ler um livro de um filósofo-ensaísta do século 18, atento a tudo o que se passava em sua volta, como Voltaire, é que ele era contemporâneo de outros grandes homens que influenciaram o mundo como Isaac Newton, Jean-Jacques Rousseau e John Locke. E François-Marie Arouet (seu nome verdadeiro), com seu texto leve e inteligente, consegue tratar das idéias, das descobertas e de todos os embates filosóficos com uma intimidade de dar inveja.

Na décima quinta carta, quando Voltaire aborda o Sistema de atração dos corpos  de Newton (que nada mais é que a gravidade, essa força que nos faz manter os pés no chão, a Lua girando ao redor da Terra e a Terra girando em volta do Sol), comecei a pensar que, enquanto estamos aqui, em nossas estressantes vidas, correndo para comprar presentes de Natal, comparecendo a eventos sem fim, enfrentando trânsito e lojas lotadas, preparando o corpo e a pele para o verão (ou inverno, para quem vai esquiar) e já planejando o ano próximo, a Terra, esse planeta – minúsculo, se comparado a outros – com 13 mil quilômetros de diâmetro e pesando 5.972.000.000.000.000.000.000.000 quilos, está se movendo em um ritmo constante, programado, assim com outros milhões, bilhões, trilhões e infinitas galáxias, planetas, estrelas, cometas. Que força é essa (e põe força nisso) capaz de movimentar toda essa mega estrutura que existe desde sempre? Quantas hidrelétricas seriam necessárias para manter o movimento nonstop  dessa enorme massa?

A resposta ninguém sabe e nem acho que nossas mentes tenham sido projetadas para compreender tal questionamento. Mas que é interessante pensarmos que as nossas vidas, toda a nossa rotina, nossos sonhos, nossas desilusões, nossos amores, nossas ambições e mesmo o nosso corpo não tenham poder algum sobre todo esse vasto e indiferente universo, ah, isso é…

São Paulo, 20 de dezembro de 2007. 

Voltaire

Voltaire.

 

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