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Histórias de viagens


O Uruguai visto através de seu brasão: O sol, a ...

Cada país tem sua bandeira e seu brasão de armas (escudo de armas, em espanhol), com os emblemas e os símbolos representativos da nação. No caso do Uruguai, o brasão que faz referência à balança da justiça, ao forte del Cerro  em Montevideo, à força dos cavalos e à abundância do gado, tudo sob a proteção calorosa do sol, não poderia ser melhor retrato da realidade do país.

A balança da justiça e da igualdade ficou evidente nas ruas. Apesar da riqueza ostentada em Punta del Este, o Uruguai não é um país riquíssimo nem paupérrimo. Vale dizer, não há essa discrepância social que costumeiramente vemos no Brasil. Ouvi o dono de uma das estâncias reclamar do ensino e da saúde pública, mas fui prontamente atendido no hospital de uma pequena cidade, inaugurando a viagem com dois pontos no dedo e Ver Mais →

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Países desenvolvidos podem ser bem irritantes

Eu sou a pessoa mais calma, paciente e educada do mundo; e, em viagens, sempre tento me adaptar observando as regras de comportamento da cultura local. Mas se tem uma coisa que pode irritar não só a mim, mas a brasileiros — e nativos de outros países considerados “bagunçados” — em geral é essa extrema organização dos países desenvolvidos. A gente adora enaltecer as qualidades dos países onde tudo funciona; onde as pessoas são educadas, os serviços eficientes. Mas essas características influenciam — ou são consequências, sei lá — de um povo sempre certinho demais. E isso irrita. (Eles também se irritam com nossa falta de pontualidade, nossa falta de comprometimento, com nossa tranquilidade e ineficiência; normal… e viva as diferenças culturais :- )

Me lembro uma vez, logo que a Vosges Haut Chocolat abriu no SoHo nova-iorquino e era a sensação do momento. Fui com meu namorado, pedi quase todos os sabores das trufas para provar, e como queríamos dividir cada uma delas para que ambos provássemos, fui Ver Mais →

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A excelência Varig ainda voa os nossos céus

Era uma manhã movimentada no Aeroporto de Porto Alegre. Entre filas e bocejos, centenas de pessoas embarcavam para os mais diferentes destinos do Brasil, e quem diria, do mundo! O majestoso Salgado Filho ainda parece tímido ao exibir alguns voos que, aos poucos, colocam a capital gaúcha no mapa das rotas internacionais: Lisboa, Lima, Buenos Aires, Miami e Cidade do Panamá, destinos que se misturam nos placares informativos com Santa Maria, Chapecó, Joinville e várias capitais brasileiras incluindo meu destino naquela manhã: Curitiba.

Ao dar uma rápida espiada no pátio das aeronaves, já fica claro que a Gol e a Azul estão disputando a preferência gaudério* por gaudério. Não é difícil encontrar diversos voos para os mesmos destinos nos mesmos horários nas duas companhias. A TAM continua lá, discreta, mas trazendo aeronaves cada vez maiores para o extremo sul do Brasil. Um luxo que Porto Alegre sempre esnobou entre as vizinhas da região: receber aviões maiores e mais Ver Mais →

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Como era voar no Concorde

Foi um retrocesso para a aviação comercial. Eu tinha vinte anos, morava em Londres, ia regularmente para Nova York, e achava que os voos supersônicos existiriam para sempre. E depois de mais de dez anos sem o Concorde, vejo o quão sortudos éramos (a ponto de bater uma nostalgia ao ver as imagens do Concorde voando). Foram apenas doze os aviões (a British Airways com sete e a Air France com cinco) que, por 27 anos, encurtaram as distâncias do mundo; e não há nenhuma previsão ou perspectiva para a próxima década de que exista novamente um voo comercial na velocidade Mach 2 (ou 2.500 km/h, ou ainda, duas vezes a velocidade do som, de 340 metros por segundo).

O voo BA001 saía de Londres, pela British Airways, todos os dias, às 10h30 da manhã. Depois de três horas e meia de voo (a duração de um voo comum para o mesmo trecho é de 7 ou 8 horas), chegava em Nova York, no mesmo dia às 9h. Ou seja, você chegava no mesmo dia, uma hora antes do horário que você tinha saído, porque o Concorde voava mais rápido que o movimento de rotação da Terra, de 1666 km/h. Só a ideia de “voltar no tempo” ou não ter de levantar tão cedo e, ainda assim, chegar descansado e aproveitar o dia todo em uma cidade do outro lado do Atlântico me fascinava. O fato de algumas madames londrinas irem num dia e voltarem no outro — para simplesmente almoçar, acompanhar alguma exposição ou fazer compras — também me intrigava (a US$ 10 mil o preço da passagem ida e volta, nunca tive coragem de fazer isso). Era pra mim o símbolo máximo do que era ser jet-setter. Ou de como o homem era capaz de coisas incríveis e de como a tecnologia transformara o planeta num grande quintal. Havia pessoas que voavam todas as semanas de Concorde na mesma rota. Pessoas se conheciam, amizades se formavam, negócios eram fechados. O Concorde era praticamente um exclusivo clube. 

O avião, com apenas 100 lugares, apesar de compacto (teto baixo, poltronas confortáveis porém nada espaçosas, janelas minúsculas) era inteiro primeira classe. Já no terminal 4 em Heathrow, depois do check-in, todos os passageiros eram encaminhados para o Concorde Room, uma sala onde você tinha acesso ao que havia de melhor em comida (incluindo serviço à la carte ), bebidas (champagnes  safrados) e serviço (todas porcelanas Royal Douton e talheres desenhados por Sir  Terence Conran); e que hoje é o nome dos lounges  da primeira classe da British Airways nos aeroportos de Heathrow, em Londres, e JFK, em Nova York . No avião, o banquete continuava: assim que atingíamos a velocidade Mach 2, iniciava-se o serviço de bordo, com um almoço de três etapas e mais vinhos, champagne, uísque.

A velocidade, o grande diferencial do Concorde (sem deixar de lado o design), era acompanhada por um quadro-relógio instalado na cabine para todos os passageiros verem. Quando o avião atingia 40 mil pés de altitude, ele alcançava Mach 1 (1200 km/h; um Boeing 747, por exemplo, voa a 900 km/h, ou Mach .85); isso em dez minutos de voo. A 60 mil pés de altitude (18 quilômetros acima do nível do mar, uma altura onde as turbulências são inexistentes), quando o barulho dos motores não pudesse mais incomodar o planeta de tão alto, atingia-se a velocidade de cruzeiro: Mach 2, 2500 km/h.

A esta altura, pela janela, olhando pra baixo, via-se a curvatura da Terra; pra cima, um azul escuro, bem diferente do céu claro que vemos nos voos comuns; tocávamos o espaço. Confesso que essa visão me era um pouco perturbadora e, ao mesmo tempo, maravilhosa. Como o homem conseguira me levar de um lado para outro do mundo, tão alto, tão rápido, e ainda assim, em segurança, sem nenhum arranhão e com meu topete intacto?

No JFK, o serviço primoroso continuava. As malas nem iam para a esteira, já estavam nos aguardando. Ao sair para o desembarque uma fila de carros com motoristas para levar todos os passageiros do Concorde para Manhattan, individualmente.

como-era-voar-no-concorde-british-airways-air-france-aviao-supersonico-750-3O interior super simples e sóbrio do Concorde da British Airways. Imagem: Bartolomeo Gorgoglione do site Planespotters.net.como-era-voar-no-concorde-british-airways-air-france-aviao-supersonico-750-1O serviço utilizado no Concorde em foto publicada na Revista Colors #79. Imagem: Reproduçãocomo-era-voar-no-concorde-british-airways-air-france-aviao-supersonico-750-2O serviço utilizado no Concorde em foto publicada na Revista Colors #79. Imagem: Reprodução Encontrando um dos bilhetes antigos. Imagem: Shoichi Iwashita

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O quarto doublé

Minha irmã foi com marido e filhos visitar amigos em uma cidadezinha do interior japonês. Quando chegaram ao quarto do hotel, percebeu o odor de cigarro do quarto para fumantes e logo desceu para pedir outro. Como não havia nenhum outro quarto não-fumante disponível no momento, saíram para as visitas. Quando voltaram – o funcionário do hotel não falava inglês e eles tampouco estavam se entendendo em japonês -, o recepcionista lhe pediu a chave do quarto e deu uma outra. Ela ainda tentou explicar que precisava retirar suas coisas, sem sucesso. Preocupada com as coisas que estavam no quarto (e com vergonha da bagunça das crianças e de uma calcinha que estava no box  do banheiro), pediu para que seu marido fosse até o quarto antigo esperar o funcionário do hotel chegar para que ele o ajudasse a trazer as coisas; e foi para o quarto novo com as crianças. Quando chegaram ao quarto novo, uma surpresa: todas as suas coisas já estavam lá. Mas o que mais a impressionou é que eles não só trouxeram todos os seus pertences, mas deixaram tudo EXATAMENTE do mesmo jeito, na mesma disposição que estava no quarto anterior; até a calcinha no box do banheiro; até o jeito como a meia estava jogada sobre o tênis; toda a bagunça. É como se eles tivessem entrado exatamente no mesmo quarto, só que dois andares abaixo. Quando meu cunhado voltou para o quarto, ficaram os dois, alguns minutos, pensando sobre o que tinha acabado de acontecer. Um dia depois, minha sobrinha (ainda pequena) perguntou: “Mamãe, quando é que eles vão nos trocar de quarto?”. “Nós já trocamos, minha filha. Só que você não percebeu… Porque você tá no Japão.”

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