Por que o chocolate belga é o melhor do mundo?

A primeira loja da Neuhaus, em Bruxelas, continua aberta desde a sua inauguração em 1857, na Galeria de la Reine, quando ainda era uma farmácia que revestia seus remédios com chocolate para torná-los mais agradáveis. Até a invenção do praliné em 1912.

Um holandês (van Houtten), um suíço (Lindt) e um belga (Neuhaus) inventaram o chocolate. Na Europa. Foram suas descobertas a partir do século 19 que fizeram com que as amêndoas do cacau originário da nossa Amazônia se transformassem no chocolate que conhecemos — e amamos — hoje. Apesar de nunca ter havido um único pé de cacau dez graus acima da linha do Equador (assim como a borracha, ele só cresce na região mais quente e úmida do planeta), as técnicas aprimoradas ao longo de 100 anos — e muito marketing  também — por hoje grandes indústrias-referência como a belga Barry Callebaut fazem com que o chocolate produzido no país com latitude a 50 graus Norte seja considerado o melhor do mundo. Os belgas se apropriaram do chocolate porque o fazem bem (as etapas realizadas nas fazendas de cacau da América Latina e da África — colheita, fermentação, secagem — são responsáveis por apenas 50% do sabor e do aroma do chocolate). A produção de um chocolat belge d’excellence exige alto nível de técnica, rigor e competência. E na gastronomia — assim como em outras áreas da vida — não adianta ter a melhor matéria-prima ou muito dinheiro se não se sabe extrair seu melhor sabor.

JEAN NEUHAUS E O PRALINÉ
Apesar de a barra de chocolate (sólido já que antes o chocolate só existia como bebida) ter começado a ser produzida em escala em 1847 pela companhia inglesa J.S. Fry & Sons, em Bristol, foi o praliné inventado por Jean Neuhaus (casa de chocolates belga que existe até hoje), em 1912 em Bruxelas, que marcou a história da popularização e do consumo do chocolate no mundo. Só que esse praliné não é a receita que conhecemos de açúcar derretido com amêndoas (que depois que endurece é picado e, crocante, vai e doces e sorvetes), mas o “bombom” de chocolate enformado com o exterior endurecido (a couverture) e recheio cremoso, que podia ser de qualquer coisa que combinasse com chocolate: frutas, nougat (torrone) cremoso, rum… Em 1915, a esposa de Mijnheer Neuhaus (“mijnheer” é “senhor” em flamengo :-), desenhou uma caixa de presentes para acomodar elegantemente os pralinés, o ballotin, que se tornou sucesso instantâneo. De lá pra cá, tudo foi criado. E as experimentações com o chocolate, esse ingrediente cor de ébano, rei da confeitaria, não conheceram limites. Hoje, são mais de dez mil receitas com o uso do chocolate cadastradas no sistema da Barry Callebaut. DEZ MIL.

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