Hamburgo: A mais elegante – e rica – cidade da Alemanha e que influenciou o hambúrguer nascido em NY

O Rathaus, o parlamento hamburguês, que fica quase à beira do Binnenalster, iluminado à noite. Imagem: Shoichi Iwashita

Diferentemente da católica Munique — uma vez capital de um reino, a Baviera — ou Berlim — capital de outro reino, a Prússia, e hoje da Alemanha —, Hamburgo nunca foi capital de um império, de um reino ou de um país; Hamburgo nunca foi regida por um monarca. Você não encontrará palácios que pertenceram à nobreza. O edifício mais imponente desta Stadtstaat (cidade-estado, uma das três da Alemanha, junto com Berlim e Bremen) e com o maior PIB do país (e um dos maiores da Europa) não é nenhuma residência real, mas sim o parlamento, o Rathaus, um símbolo da democracia e da independência experimentada ao longo dos séculos por essa cidade onde a liberdade comercial e as regras do mercado sempre reinaram. Cidade onde o dinheiro — e não a religião ou a nobreza — sempre falou mais alto.

O comércio marítimo moldou o mundo como conhecemos hoje. Diferentemente dos trens (século 19) e dos aviões (século 20), a história do mar como meio de transporte pode ter começado há 45 mil anos (antes de Cristo já existiam rotas de comércio marítimo no Egito, na Arábia, na China, na Índia, no Império Romano). E foi graças ao seu porto no Rio Elba, a 100 km do Mar do Norte, o segundo maior da Europa, e ao comércio livre de impostos, que Hamburgo se desenvolveu e enriqueceu. Dos dez maiores portos do mundo atualmente, dez ficam na Ásia e sete na China. Mas, em termos de idade e importância histórica, nenhum deles chega perto do porto de Hamburgo, que em 2017, completou 864 anos de idade. É fácil entender o fascínio dos locais por navios e pelo seu porto, cujo aniversário é comemorado todos os anos em grande estilo.

Foi do porto de Hamburgo que partiram milhares de ingleses, holandeses e judeus russos que imigraram para Nova York. Era para o porto de Hamburgo que ia o nosso café exportado nas primeiras décadas do século 20 (e vai até hoje). É por lá que até hoje chegam 70% de todo o chá consumido na Europa. E foi por causa da carne picada-na-ponta-da-faca  que os marinheiros hamburgueses aprenderam a comer com os marinheiros russos (que absorveram da cultura mongol), e que alguns estabelecimentos nas proximidades do porto de Nova York passaram a preparar para atrair os marinheiros hamburgueses, que nasceria o hambúrguer.

Mas deixe a carne de lado e aproveite os peixes, fresquíssimos e preparados com a eficiência e o rigor alemães. Apesar de Hamburgo não possuir tradição de alta gastronomia (são austeros protestantes, diferentes dos católicos hedonistas; trabalhar e rezar sempre foram as coisas mais importantes), eles têm à disposição os melhores ingredientes. Se esbalde com muitos peixes, saladas, pães (deliciosos), cervejas (Astra, Holsten e Ratsherrn são as cervejas da cidade) e muitos, mas muitos Kuchen, que são os bolos. Sementes de papoula (Mohn ), ruibarbo (Rhababer ), maçã (Apfel ), pera (Birne ). Se tem uma coisa que os germânicos sabem fazer, seja em Hamburgo seja em Viena, são bolos; sempre apreciados com café. (Quanto às cervejas, uma observação, já que elas estão ligadas a outra paixão dos hamburgueses, o futebol: quem torce para Hamburger SV toma Holsten, quem torce para o FC St. Pauli toma Astra.)

Apesar de ser uma cidade historicamente cosmopolita e o turismo ter aumentado nos últimos anos, Hamburgo pode às vezes ser um pouco inacessível para aqueles que não falam alemão (vários museus não possuem textos em inglês; o teatro mais bonito da cidade, o Deutsches Schauspielhaus só apresenta peças em alemão, e até se você fizer um inocente Stadtrundfahrt, que é aquele passeio de turista no ônibus vermelho, o guia vai te avisar que o tour  é em alemão e inglês e a cada dez minutos de explicações e piadinhas em alemão, ele vai falar só trinta segundos em inglês; o que é bem irritante).

Do charme bucólico de Blankenese aos cafés de Saint Georg e as noches locas  da Reeperbahn; das lojas de luxo da Neuer Wahl aos antigos armazéns de commodities  de Speicherstadt (que se converte ao século 22 com o ambicioso projeto de urbanização chamado HafenCity); do lago Alster ao rio Elbe, passando por inúmeros canais rodeados de verdes parques por toda a cidade; Hamburgo é um destino perfeito para viver uma Alemanha que agrada os viajantes que apreciam cultura, consumo e boa comida, num ritmo menos frenético que em outras grandes cidades europeias.

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Hamburgo: os 15 passeios essenciais
Hamburgo: informações práticas
Hamburgo: Hospedagem
Hamburgo: Hotel 25hours HafenCity
Passeio imperdível: Miniatur Wunderland

landungsbruckeÀs margens do Rio Elba, fica o Landungsbrücke, o píer de onde saem passeios de barco pelo rio, incluindo os barcos que servem de transporte público incluídos no seu Hamburg Card. Tem uma estação de metrô de mesmo nome ao lado e por aqui você consegue também visitar o Alter Elbstunnel (na próxima foto). Imagem: Shoichi Iwashita hamburg-hamburgo-altes-elbtunnel O antigo túnel do Elbe, o Alter Elbtunnel, foi inaugurado em 1911 e fica a 24 metros de profundidade. Passa por baixo do rio ligando as duas margens. Tem 426  metros de comprimento e foi construído para pessoas, bicicletas e carros. Escadas ou elevadores enormes te levam lá embaixo. Imperdível. Imagem: Shoichi Iwashita hamburg-hamburgo-alemanha-2 Navegando pelo rio Elba. Imagem: Shoichi Iwashita rathaus-hamburg O imponente parlamento hamburguês, o Rathaus, em estilo neogótico. Imagem: Shoichi Iwashita hamburg-blankenese Blankenese fica distante do centro da cidade e era um vilarejo de pescadores. É um dos bairros mais charmosos de Hamburgo e sobre uma colina (de onde foi tirada a foto) fica um dos melhores restaurantes da cidade, o Seven Seas, no Hotel Süllberg. Vale o passeio pelas ruas sinuosas para apreciar as lindas casinhas. Imagem: Shoichi Iwashita hamburg-elbsphilarmonie O prédio que imita ondas, projetado por Herzog & de Meuron será não só o edifício que abrigará uma das salas de concerto mais incríveis do mundo, mas também apartamentos residenciais e escritórios. Em HafenCity, o Elbsphilarmonie será inaugurado em 2017. Custou bilhões de euros. Imagem: Shoichi Iwashita hamburg-speicherstadt São inúmeros canais com esses armazéns onde eram estocados produtos vindos de todo o mundo. Até hoje, muitos dos prédios da Speicherstadt ainda são utilizados para abrigar tapetes orientais. Imagem: Shoichi Iwashita hamburg-uberseequartier A moderna estação de metrô Überseequartier, no novo bairro HafenCity, com inspirações marítimas. Não tem nem muita gente morando ou trabalhando no bairro ainda, mas já tem metrô. Imagem: Shoichi Iwashita planetarium-hamburg O Planetarium de Hamburgo, no meio do Stadtpark. Não tem quase nada em inglês, mas a viagem pelo espaço é incrível e não precisa de narração. Imagem: Shoichi Iwashita hamburg-gnosa-kuchen-cakesO delicioso bolo de pera do Gnosa, em Lange Reihe, meu café favorito. Imagem: Shoichi Iwashita hamburgisches-staatsoperA casa de ópera de Hamburgo, onde você também pode assistir a balés. O último a que assisti foi Romeo und Julia, do John Neumeier. Imagem: Shoichi Iwashita binnenalster-hamburg A vista do café para o Binnenalster. Imagem: Shoichi Iwashita hamburg-1200-12-alemanha-lange-reihe Lange Reihe, em Saint Georg, minha rua e bairro preferidos em Hamburgo. Imagem: Shoichi Iwashita

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