A magia dos concertos

Nós não guardamos seus rostos, não sabemos seus nomes. Mas cada um daqueles anônimos que agora estão nesse palco sem qualquer cenário, sobriamente vestidos, passou a vida inteira se dedicando ao estudo da música, a maioria a um único instrumento, para ser capaz de executar obras de compositores, que também viveram esse universo de forma quase obsessiva. Para estar ali, no palco, nestes dia e horário, com o instrumento em mãos, além do estudo da música, foram necessárias muitas horas e muitos dias de ensaio, individual e coletivo, conquistando uma harmonia em que cada instrumento é essencial para o todo, sob enorme pressão, praticando uma ou duas composições escolhidas pelo maestro especialmente para aquele dia, entre as milhares criadas nos últimos séculos, respeitando cada nota, cada tempo… Nós? Apenas nos vestimos, pegamos o carro e nos dirigimos à sala de concertos para apreciar aquelas duas horas de música, essa entidade completamente supérflua que nos enche a alma (ou apenas o corpo de dopamina), no prazer estético e contemplativo desse som tridimensional que, tocado ao vivo, envolve todo o nosso corpo e preenche cada milímetro da sala e da mente, nos tornando mais sensíveis para as infinitas combinações, volumes, texturas e possibilidades musicais.

Músicos talentosos e dedicados; instrumentos caros em seu melhor estado; a obra do compositor que sobreviveu ao tempo; o maestro e seu ouvido absoluto; a sala de concertos histórica com a acústica perfeita; a música que começa a emanar daquela concentração de pessoas no palco; o silêncio entre os movimentos; você e seus espectadores vizinhos: tudo e todos conectados pela beleza física das vibrações sonoras em perfeita harmonia. É pura magia.

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