Quem morou no Museu do Ipiranga?

O museu está fechado, mas o belo bosque e os jardins do Parque da Independência abrem todos os dias, das 5h às 20h

Parque da Independência, sem número

entre pela esquina da Rua dos Patriotas com a Rua Bom Pastor

Ipiranga

Não tem metrô próximo

55 11 / 2065-8000

Desde 1895

Site, clique aqui

Ao visitar palácios históricos, é quase automático tentar imaginar a vida daqueles que ali habitavam: a vida nos corredores, nos aposentos, nos jardins, o que vestiam, o que falavam. Uma vez passeando pelo Museu Paulista, conhecido pelos paulistanos como Museu do Ipiranga (quando ele ainda estava aberto e operante), parei por alguns segundos e fiquei pensando: “ok, Dom Pedro I deu o grito da Independência logo ali, mas todos os membros da família imperial e os governantes da República sempre habitaram o Rio de Janeiro, nunca São Paulo”. O que fazia aquele palácio imponente do século 19 — quando São Paulo tinha apenas 70 mil habitantes — no bairro do Ipiranga?

Ninguém NUNCA morou no edifício eclético-neo-renascentista que abriga o Museu Paulista. O edifício com ares de palácio, desde o início, fora construído como um monumento para celebrar a Independência do Brasil em 1822, já que ali em frente — na Praça do Monumento — se deu o grito do Ipiranga, por Dom Pedro I, quando da separação entre a metrópole Portugal e o Brasil colônia. A ideia de construir o monumento-edifício nasceu durante a monarquia e o foi encomendado pelo Imperador Dom Pedro II (erudito que era, a intenção de Dom Pedro II era de que o local se transformasse numa instituição de ensino científico; ia ser a escola MAIS LINDA de São Paulo). Mas a construção só ficaria pronta em 15 de novembro de 1890, no primeiro aniversário da Proclamação da República, quando toda a família real já estava exilada em Paris… Ou seja, nenhum membro da família real brasileira JAMAIS pisou os pés ali (só muito tempo depois de mortos, a partir da década de 1950, é que os corpos de Dom Pedro I e suas duas esposas, a Imperatriz Leopoldina e D. Amélia, vieram descansar dentro do Monumento à Independência, na Praça em frente ao Museu Paulista) .

Dom Pedro II teve de ir embora, o Brasil se transformou numa República e, mantendo sua ligação e a homenagem à independência do Brasil, em 7 de setembro de 1895, o palácio já abriria como um museu, o Museu de História Nacional, abrigando o acervo particular do Coronel Joaquim Sertório. (Dez anos depois, em 1905, seria inaugurado o primeiro museu de arte da cidade de São Paulo, a Pinacoteca do Estado).

Desde 1963, o Museu Paulista pertence à Universidade de São Paulo (USP) e sua atuação principal é no campo da História da Cultura Material (construções, mobiliário, objetos) com um grande acervo relacionado à Independência e à história de São Paulo do século 16 a meados do século 20, que servem também para a compreensão da sociedade brasileira.

O museu está fechado desde agosto de 2013 e só deve reinaugurar em 2022 celebrando o bicentenário da Independência. Enquanto o museu não reabre, vale aproveitar os jardins e o belo bosque do Parque da Independência, aberto todos os dias das 5h às 20h.

Arte-Banner-Instagram-Divulgacao-10

VEJA MAIS


shoichi.simonde@gmail.com