Reims, cidade dos reis

O trem rápido francês, o TGV, sai de Paris na Gare de l'Est e a viagem até Reims dura 45 minutos.

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Apesar de a região Champagne-Ardenne ter como capital a cidadezinha de Châlons-en-Champagne, é em Reims onde tudo acontece e sempre aconteceu. (E é por Reims que você pode começar sua jornada pela região, antes de ir para Hautvillers e Épernay). Foi aqui em Reims que Clovis, rei dos Francos, no Natal de 496, na Basílica de Saint-Remi (linda, must-visit), foi convertido ao catolicismo, tornando-se o primeiro rei cristão – ou seja, não-“bárbaro” – a governar a Gália, que se tornaria a França. Foi aqui na cidade também, na Catedral de Notre-Dame de Reims (mandatory-visit ), que ocupa o local desde 401 (a construção gótica só começaria em 1211), onde foram coroados 32 reis da França (com exceção de apenas dois), de Henri 1º, em 1027, a Charles 10, em 1825, passando por nove Luíses: de Louis 7 a Louis 16.

A catedral de Notre-Dame de Reims, famosa também pelo anjo sorridente e pelos vitrais de Marc Chagall (um sopro de modernismo em meio ao gótico), foi quase que inteiramente destruída durante a Primeira Guerra Mundial. Sua restauração só foi possível através da generosidade da família “Standard-Oil” norte-americana, Rockefeller. #AmericanosEmReimsParteI

Ao lado da Cathédrale, fica o Palais de Tau, antiga residência dos arcebispos de Reims, hoje um museu considerado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, onde aconteciam as festas pós-coroação regadas a muito champagne, quando o vinho ainda não tinha uma boa reputação: era tinto, turvo, ruim, se comparado com os vinhos da região que, mais tarde, seria sua principal rival, a Borgonha.

Um quarteirão atrás do Palais de Tau, fica uma joia art-déco, a Bibliothèque Carnegie, pequena, impecável e imperdível. Foi construída também com dinheiro norte-americano, através da doação do magnata das ferrovias norte-americano, Andrew Carnegie, logo depois da Primeira Guerra Mundial. #AmericanosEmReimsParteII

LE CHAMPAGNE

É em Reims que fica a maioria das sedes das maiores maisons  produtoras de champagne (as que você pode visitar estão marcadas com “*”): Taittinger* (a mais jovem, ainda familiar, fundada em 1931), Louis Roederer (1776), Pommery* (1836), Veuve Clicquot Ponsardin* (1772), Ruinart* (a mais antiga, fundada em 1729), Mumm (1827), Piper-Heidsieck (1785), entre outras produtoras menores. (Em Épernay ficam a Pol Roger, fundada em 1849, a Perrier-Jouët, em 1811, e a Moët & Chandon*, em 1743, e, em Aÿ, fica a ótima Bollinger, fundada em 1829). Escolha duas das suas maisons favoritas (todas têm histórias interessantes), agende sua visita, leve uma blusa porque lá dentro é frio, e aproveite o final de cada uma delas para degustar seus champagnes in loco  (todas têm lojas com seus vinhos a um ótimo preço).

LES CRAYÈRES

São 200 quilômetros de crayères  subterrâneas. Cavidades sombrias e labirínticas, minas calcárias gigantescas, túneis a vinte, trinta metros abaixo do solo (friiiias: temperatura constante a 10º C não importando o calor lá fora e umidade de 90%), escavadas pelos romanos há dois mil anos, que retiravam delas enormes blocos de pedra para a pavimentação de estradas e para a construção de Durocortorum, o nome romano de Reims. Redescobertas em 1760 por Claude Ruinart, filho de Nicolas Ruinart, o fundador da maison  Ruinart, a primeira das maisons  de Champagne, as crayères  tiveram outras utilidades além de ser o lugar perfeito para o envelhecimento do champagne.

Os primeiros cristãos perseguidos pelos romanos se escondiam nas caves. Na Primeira Guerra, durante os bombardeios alemães, mais de 20 mil champenois  (como são chamados os habitantes da região) transformaram as caves em suas casas, com cozinhas, salas de jantar, e até lojas de alfaiates, sapateiros, costureiras instalaram suas lojas no subterrâneo. Crianças faziam aulas de educação física lá embaixo.

O mais célebre estilista francês na época, Paul Poiret, foi convidado a desenhar um novo uniforme para o exército (os soldados franceses estavam sempre bem vestidos para ir à guerra). E ele ficou chocado quando, em Champagne e tendo de se proteger do bombardeio nas caves, se deparou com “quarenta bons franceses em volta de uma mesa elegante, com candelabros, presunto e garrafas de champagne”. Nem durante a Guerra, eles deixaram de beber champagne.

ALÉM DO CHAMPAGNE

Mas, Reims não é só bebida e história.

O lindo, gostoso, crocante por fora macio por dentro biscuit rose  de Reims é uma das receitas mais antigas da história da culinária, dos anos 1690. Portanto, é obrigatória uma passada na maison  Fossier, que é a única detentora da receita e que a fabrica desde 1756 (e é pertinho da Catedral de Notre-Dame de Reims).

Para comer e dormir, não deixe de se encantar com o hotel que tem o nome das caves: Les Crayères. O hotel é lindo e elegante, tem um jardim inspirador e um restaurante estrelado onde você pode harmonizar os pratos com Cristal, cuvée  da Louis Roederer, em diferentes safras. Além do restaurante Le Parc (aproveite para provar o Chaource, queijo da região que vai super bem com champagne rosé, e o Langres, que você pode harmonizar com marc de champagne, um brandy  tipo grappa  feito com uvas escuras das primeiras etapas da produção do champagne), o Crayères ainda conta com uma ótima brasserie (Le Jardin; aproveite para comer no exterior no verão e experimente a versão da tradicional sobremesa Paris-Brest feita com biscuit rose  de Reims) e um bar aconchegante à la anglaise  com uma seleção incrível de champagnes  para você continuar as degustações em grande estilo.

Mas, uma visita à Champagne-Ardenne não é completa sem visitar Hautvillers e Épernay, cidadezinhas que são os verdadeiros berços históricos dessa bebida que tanto apreciamos.

Veja o nosso Google Map (clicando aqui) para entender as nossas sugestões de pontos a serem visitados. :-)

“Nas vitórias, porque merecido; nas derrotas, porque necessário.” Napoleão Bonaparte

“Bebo champanhe somente em duas ocasiões: quando estou apaixonada e quando não estou apaixonada.” Coco Chanel.

Este post faz parte do especial A rota do champagne.


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shoichi.simonde@gmail.com