Qual o verdadeiro significado de “família”?

Notice: Undefined variable: site in /var/www/wp-content/plugins/adrotate-pro/adrotate-output.php on line 305 Notice: Undefined variable: site in /var/www/wp-content/plugins/adrotate-pro/adrotate-output.php on line 398

Família. Um homem e uma mulher que não puderam — ou quiseram — ter filhos, é uma família. Uma mulher viúva ou separada com um filho é família. Uma mulher solteira com um filho biológico ou adotivo é família. Um homem solteiro — hetero ou gay — com um filho biológico ou adotivo é família. Duas pessoas gay  com um filho biológico ou adotivo é família. Dois amigos idosos que não têm mais ninguém além de um ao outro é família. São dezenas as configurações possíveis de família. O que forma uma família está muito, mas muito longe de laços jurídicos, religiosos ou de sangue. Tem a ver com amor, com dedicação, com lar. E não somos animais para vivermos em função da procriaçãoPor isso, não me venham falar do valor sagrado dessa “família” que pessoas cheias de “integridade” pregam e que só existem em seu discurso. Achar que TODO casal formado por um homem  e uma mulher serve de exemplo para a sociedade pela perfeição dos laços heterossexuais é fantástico e ingênuo DEMAIS.

VEJA MAIS


shoichi.simonde@gmail.com


Milk

Notice: Undefined variable: site in /var/www/wp-content/plugins/adrotate-pro/adrotate-output.php on line 305 Notice: Undefined variable: site in /var/www/wp-content/plugins/adrotate-pro/adrotate-output.php on line 398

No começo do filme chocam as cenas reais, de apenas 30 anos atrás, de homossexuais bem vestidos e extremamente constrangidos sendo presos em bares gays através das frequentes batidas policiais nos Estados Unidos da América — país em que palavras como liberdade, igualdade e democracia já fazem parte dos valores do Estado desde a Declaração da Independência, de 1776.

Assim como outros filmes mais autorais e menos comerciais que fizeram o Oscar 2009, Milk leva a assinatura de Gus Van Sant, diretor gay  assumido que sempre esteve em destaque nos festivais de cinema independente. Mas Milk não é um filme autoral. Sem grandes ousadias cinematográficas, Gus Van Sant se preocupou apenas em contar bem a história de Harvey Milk, o primeiro gay assumido a conquistar um cargo público na história dos Estados Unidos — e também continuou a tradição hollywoodiana de atores heterossexuais galãs para interpretar papéis gays; depois de Jake Gyllenhall e Heath Ledger, em Brokeback Mountain; Tom Hanks e Antonio Banderas, em Philadelphia; Rodrigo Santoro, Jim Carrey e Ethan McGregor, em I Love You Philip Morris. E consegue: o elenco (de Sean Penn a Anne Kronenberg, passando por Josh Brolin, James Franco — sempre lindo, até de cabelo cacheado — e Diego Luna – quase irreconhecível), o figurino, a direção, a trilha sonora e as cenas reais (das passeatas e das declarações fundamentalistas da imaculada homofóbica Anyta Bryant*) dão legitimidade à biografia, conseguindo recriar de maneira impecável a vibe da São Francisco antes da epidemia da AIDS, quando a Castro ainda era um bairro alternativo — e barato —, onde gays de toda a América conseguiam viver com mais liberdade.

O olhar mais “livre” de Gus Van Sant talvez se expresse na decisão de mostrar um “hero” humano e com defeitos (algo raro na tradição maniqueísta do cinema norte-americano). O filme mostra como Harvey se utiliza da imprensa para conquistar o que quer, como deixa seus relacionamentos em segundo plano, como está disposto a negociar votos com outros supervisores, e como — assim como todos nós — pode voltar atrás em alguns valores, sendo considerado hipócrita.

Quem deve assistir Milk? Os que acompanham a carreira desse grande ator que é Sean Penn, mas principalmente, os gays da geração pós-Stonewall (eu incluso) que não sabem como era a vida dos nossos semelhantes em um passado não tão distante e que não conhecem aqueles que lutaram e sofreram para que pudéssemos ser mais respeitados e tivéssemos a liberdade da qual desfrutamos hoje.

* Ao final do filme, são mostradas fotos acompanhadas de legendas contando o que aconteceu com cada um dos companheiros de Harvey e de seu assassino, Daniel White. Mas, o filme não mostra o que aconteceu com Anita Bryant. Para quem quiser saber, o Blog do Tony Goes fez essa pesquisa e publicou a resposta aqui.

São Paulo, 1 de março de 2009. 

VEJA MAIS


shoichi.simonde@gmail.com


SIGA A SIMONDE

Interaktiv