Anna Wintour boicota o Meurice

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Depois que o sultão de Brunei, um dos homens mais ricos do mundo, implementou a sharia* no seu minúsculo estado do sudeste asiático encravado na Malásia (a lei entrou em vigor no dia 1 de maio de 2014), grandes nomes da moda e dos negócios decidiram boicotar alguns dos hotéis mais incríveis de Paris, Londres e Milão (Le Meurice, Plaza Athénée, The Dorchester, Principe di Savoia), que fazem parte da Dorchester Collection, da qual Hassanal Bolkiah, the sultan, é dono. E, depois de François Pinault (dono da Kering, aka Gucci, Balenciaga etc.), Hedi Slimane (diretor criativo da Saint Laurent) e Richard Branson (dono da Virgin), chegou a vez de Anna Wintour e toda a Condé Nast engrossar o coro. Até que o sultão desista da sharia, a toda-poderosa da Vogue America não se hospedará mais — nem ela nem qualquer outro funcionário da editora — em sua demeure parisiense, o Meurice.  * A sharia é lei religiosa islâmica baseada no Alcorão (não há separação entre religião e direito), que prevê pena de morte por apedrejamento para adultério (quase sempre mulheres) e homossexuais, amputações para crimes de roubo e chibatadas.

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Alain Ducasse, a matriz


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Apesar de não resultar em uma refeição empolgante, uma visita à matriz do império Alain Ducasse no mundo vale — para quem leva comida a sério — pela altíssima qualidade dos ingredientes. Do caviar à lagosta, passando pelas vieiras — nunca as tinha comido tão grandes e tão suculentas — ao frango de Bresse (até a carne do peito é úmida e macia, além de ser uma das especialidades do chef gascão), tudo é o melhor e da melhor procedência. E, talvez, seja esse o maior mérito de Ducasse e de seu chef executivo, Christophe Saintagne: o de preparar ingredientes muitíssimo bem selecionados de maneira que se possa sentir seu gosto verdadeiro, no seu melhor estado, sem malabarismos (o que me lembra um pouco o purismo e a sutileza da gastronomia fria japonesa; se o peixe não estiver bom, não há tempero ou cozimento que disfarce a textura ou o sabor). O menu todo — incluindo as sobremesas — cabe em uma única folha; só frente. É o essencial, no sabor e na oferta, Ver Mais →


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Le Meurice: sai Alléno, assume Ducasse

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TrocaDeChefs

À esquerda, Yannick Alléno; à direita, o onipresente, Alain Ducasse. 

A cena gastronômica parisiense ficou mais pobre. É uma pena que, depois de dez anos, o chef-galã Yannick Alléno tenha saído do Meurice; a meu ver, o restaurante mais deslumbrante – em todos os sentidos – de Paris até então (Monsieur  Alléno foi o responsável pela conquista do terceiro macarron  Michelin para o Meurice em 2007). O décor  histórico retocado por Philippe Starck combinava perfeitamente com a criatividade, a beleza e os pratos cheios de sabor do chef  (sem falar nas sobremesas mais impressionantes e deliciosas entre muitos restaurantes três estrelas; e, não, não são todos os grandes restaurantes que têm pratos cheios de sabor).

Desde setembro, assumiu as caçarolas do mítico restaurante no hotel de mesmo nome o chef  mais estrelado do mundo, Alain Ducasse, cuja flagship  era no hotel Plaza Athénée, na Avenue  Montaigne, que, assim como o hotel Meurice, pertence à Dorchester Collection.

O Plaza Athénée fechou para uma reforma e só reabre em junho de 2014 e Alain Ducasse não deve perder o espaço que tem no hotel (a mudança de endereço foi bastante oportuna já que Alain Ducasse ficaria alguns meses sem seu principal restaurante aberto). Resta saber como ele diferenciará, com a reabertura do Plaza, os dois espaços (com personalidades bastante diferentes, a apenas 2 quilômetros de distância, ambos com três macarons  Michelin) para que os comensais tenham vontade de visitar ambos os endereços.

Para quem quiser saborear as criações de Alléno, que passa por uma reinvenção filosófica de sua cozinha (escreveu até um manifesto para a gastronomia contemporânea), só no 1947, restaurante de apenas 25 lugares, no hotel Cheval Blanc, em Courchevel, que pertence ao conglomerado de luxo LVMH. Ver Mais →

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