A gastronomia do Norte da Itália

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Não há dúvidas de que a Itália é um país de tradições culinárias muito fortes. Mas, apesar de todas as inovações propostas por chefs  franceses, espanhóis e escandinavos nas últimas décadas, a base da gastronomia italiana continua sendo a cozinha simples da mamma, da nonna, que, sempre juntas na cozinha, passam suas receitas para as sortudas próximas gerações: completamente antiexperimental, mas saborosa, aconchegante, com aquele gostinho de casa e de família em volta da mesa. E apesar de não ser um país grande, cada região da bota  possui sua personalidade, com tradições próprias e bem definidas (talvez por que a Itália só tenha se formado como país no século 19 sendo um retalho de reinos em conflito político uns com os outros até então).

A região do Noroeste da Itália — formada principalmente pelas regiões do Piemonte, da Emilia-Romagna e da Lombardia (da qual Milão é a capital) — inspira e abastece chefs  e restaurantes de todo o mundo. Como uma de suas características principais está o predomínio da manteiga, em vez do azeite, no preparo dos pratos. Por causa do clima Ver Mais →

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Trufas pretas de Norcia no Fasano

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Se comer ostra é como comer o “mar”, comer trufa é comer a “terra”. Das trufas pretas, as mais famosas são as do Périgord, região que faz parte da Aquitaine (mesma região de Bordeaux), no sudoeste da França, mas italianissimo como o Fasano é, são as trufas pretas da comuna de Norcia (na Perugia, no centro da Itália) que são servidas durante a curta temporada que acabou de começar e deve durar até o fim de fevereiro.

Diferentemente das trufas brancas, selvagens, que simplesmente surgem na terra, as trufas pretas são cultivadas — através de condições de vegetação (uma floresta, com carvalhos e aveleiras) e solo (calcário) propícios para o seu surgimento — e são colhidas sempre no inverno europeu. E são mais duras que as trufas brancas. No serviço do Fasano e de outros restaurantes, as trufas brancas são raladas em finíssimas fatias; já a trufa preta é ralada como o queijo parmesão, proporcionando efeitos diferentes no prato.

Quando a trufa é apresentada (o maître  deixou eu cheirar a trufa), o aroma é bem sutil. É quando ele começa a ralar e os pedacinhos de trufa começam a tocar o prato quente que é possível começar a sentir os aromas de forma mais intensa. O fato de estarmos acostumados com os óleos e azeites trufados, e as trufas em conserva, que têm aromas mais intensos (muitos aromatizados artificialmente), pode fazer com que esperemos mais do aroma da trufa in natura.

Na boca, os sabores da trufa preta são bem mais sutis e terrosos que os da trufa branca. É como se estivéssemos comendo terra com gosto de quase nada. Por isso, opte por pratos mais delicados como os perfeitos e al dente nhoque de batata e o talharim na manteiga (R$ 350,30, com serviço de 13%) a pratos com ingredientes mais pronunciados como o carpaccio de filé mignon com queijo Grana Padano (os pratos são os mesmos que o Fasano serve com as trufas brancas), para que você consiga sentir mais os aromas e sabores das trufas pretas de Norcia, que estão no panteão dos ingredientes gastronômicos mais raros — e caros — do mundo.

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As trufas brancas de Alba

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Cães são mais obedientes que porcos. Não raras as vezes, os tartufai (como são conhecidos os caçadores de trufas que utilizavam os porcos para encontrar no solo essa rara e indomável iguaria de aroma e sabor únicos) eram vistos atracados com os animais nas colinas que circundam a cidade de Alba, ladeira abaixo, tentando arrancar a trufa da boca do porco. Não era para menos. As melhores trufas brancas da região de Alba, no Piemonte, chegam a custar € 5 mil o quilo, se compradas direto do produtor (na Peck, um empório gourmet em Milão, o quilo chega a custar € 7 mil; e na Casa Santa Luzia, em 2009, o quilo custava, aqui em São Paulo, R$ 28 mil reais). Acho que, em termos de raridade e preço, a trufa só perde para o caviar Beluga. 

Hoje, os caçadores de trufas usam cachorros treinados — eles mamam em cadelas cujas tetas são esfregadas com trufas — que, em troca de um biscoitinho de ração (tudo bem que esses cães com vocação para tartufaio chegam a custar 30 mil euros), cumprem com sua missão: encontrar as trufas brancas escondidas debaixo do solo úmido de várias regiões da Itália (Piemonte, Lombardia, Marche, Emilia-Romagna, Umbria), da Croácia e até do Oregon, nos Estados Unidos (história para outro post).

Existem mais de 50 tipos de trufas. Apenas três são comestíveis. Mas a Tuber magnatum pico, a.k.a. a-trufa-branca-mais-cobiçada-do-mundo, cujo tamanho vai de uma cereja a uma batata doce, só no Piemonte. Só nas colinas e florestas que circundam Alba.

Há mais de três mil anos os habitantes da Península Itálica caçam trufas, que foram amplamente consumidas em banquetes do Império Romano (e também estavam nas mesas de nobres atenienses). Luís 14, Bonaparte, Verdi, Churchill eram todos amantes dessa iguaria que tem uma relação de simbiose com as raízes de árvores como o carvalho, o salgueiro e a aveleira, e só crescem — sempre ao redor das raízes — quando a qualidade do solo, a temperatura e a umidade são favoráveis. A primeira tentativa de domesticar a trufa data de mais de duzentos anos atrás. Até hoje sem sucesso. Porque ela simplesmente surge no solo úmido abafado pelas folhas de outono que caem das árvores.

Não bastasse toda a dificuldade para encontrá-la, a trufa branca de Alba é muito perecível. Bastam cinco dias para que ela perca todo o seu encanto: sua firmeza (70% da sua composição é água), seu aroma intenso de queijo com alho (aroma que é único e vai muito, muito além dessa descrição grosseira), e sua cor que vai do bege ao castanho marmorizado, que vai escurecendo com o passar dos dias.

Para aproveitar o melhor do tartufo bianco, que é ralado, cru, em finíssimas fatias sobre os pratos para liberar todos os seus aromas, receitas simples: um ovo frito, uma massinha na manteiga, uma polenta, um risoto de parmesão (se você gosta de carne, dizem que a trufa branca vai muito bem com carne crua, na forma de tartare); nada de receitas ácidas, apimentadas ou temperadas com ervas fortes. Para harmonizar, os vinhos que levam a uva nebbiolo, como Barolos e Barbarescos, também da região do Piemonte, combinam perfeitamente com a trufa branca. Um dos raros exemplos em que vinhos e iguarias de uma mesma região formam um par perfeito.

Em São Paulo, você pode comer as trufas brancas durante toda a temporada (de meados de outubro a dezembro) no restaurante Fasano. Para saber sobre a temporada anual e quanto custa a experiência, clique aqui.

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A trufa branca de Alba. Imagem: Angelo d’Ambra no link https://www.flickr.com/photos/kendertanit/

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Temporada de trufas brancas no Fasano

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Se o clima for favorável (chuva, solo fresco e úmido, temperatura média de 6 graus), a temporada de caça às trufas brancas na Itália vai de meados de outubro a dezembro. E há mais de vinte anos durante a stagione del tartufo bianco, o restaurante Fasano de São Paulo nos oferece muito bons exemplares das trufas brancas de Alba acompanhadas de receitas simples, mas impecavelmente executadas. Alba é uma cidade medieval cercada por colinas e florestas, situada na região do Piemonte, famosa não só por causa desse raro — e indomável — fungo comestível, mas também por seus Barolos e Barbarescos, que harmonizam perfeitamente com a iguaria (para experimentar a combinação, um dos raros exemplos em que ingredientes e vinhos de uma mesma região formam um par perfeito, basta falar com o sommelier do Fasano ;-).

Neste ano, no cardápio elaborado para deixar brilhar a trufa branca, saem da cozinha do chef  Luca Gozzani sugestões de entradas (a R$ 373, com serviço de 13%) e pratos principais (de R$ 530 a R$ 645). (Só não tem sobremesa com trufa.) Para começar, estão o carpaccio de filé mignon com lascas de Grana Padano e o crostino de pão com ovo. Como pratos principais, tem risoto de parmesão, nhoque de batata na manteiga, ravioloni com ovos e ricota, tartare de carne e as costeletas de cordeiro com risoto.

Da minha experiência no Fasano, só senti um pouco de falta da reverência que outros grandes restaurantes do mundo tem pelo tartufo bianco. No Cracco, um dois macarons Michelin em Milão, a trufa é guardada em uma caixa e é apresentada pelo maître — que te inebria abrindo a caixa na sua frente e liberando toda a potência do aroma da trufa concentrada — antes de fatiá-la sobre o prato. O mesmo no Per Se, um três macarons Michelin em Nova York. Durante a temporada, o chef  Thomas Keller oferece a opção de incluir um prato com o tartufo bianco di Alba (acrescentando US$ 150 ao valor do menu-degustação) e também tem um tratamento especial na hora de apresentar a trufa ao cliente e ralá-la sobre o prato. Afinal de contas, estamos lidando com o “diamante da cozinha”, nas palavras do gastrônomo francês do século 19, Brillat-Savarin.

Uma dica importante: é bom ligar para saber exatamente que dia a trufa chega ao Fasano. Ela é um alimento altamente perecível; perde peso e aroma bem rapidamente (e o aroma é TUDO; e bastam cinco dias para ela deixar de encantar). E pagando tão caro por um prato, você não vai querer comer uma trufa que não esteja no seu auge, né?

SERVIÇO
Para saber tudo sobre o Fasano (endereço, horários de funcionamento, preços), basta clicar aqui.

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O risoto de parmesão com lâminas de trufa branca do Piemonte que comi no restaurante Fasano, em São Paulo.

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