Três restaurantes biô em Paris – aqui, sinônimo de saudável, orgânico e sexy – para frequentar

A oferta não é tão grande quanto em San Francisco ou Berlim, mas Paris, uma das capitais da gastronomia do mundo onde a tradição impera, aderiu à onda que, em francês, eles chamam de “biô” (em francês não se usa o circunflexo; é só para mostrar como eles falam :-): produtos — não só alimentos, mas também tecidos, cosméticos e produtos de limpeza — cujo processo de produção é natural, sem pesticidas, hormônios ou fertilizantes artificiais (ou seja, sem os chamados produits chimiques de synthèse, químicas desenvolvidas para sintetizar substâncias naturais com o objetivo de reduzir custos e aumentar produtividade, essas coisas que vão do agrotóxico ao plástico; e já são mais de 11 milhões de produtos químicos de síntese catalogados). No que se refere aos restaurantes, a denominação bio  indica não só que o estabelecimento possui uma preocupação em utilizar ingredientes locais, sazonais, orgânicos e frescos, mas também se preocupa com o bem-estar dos animas (a maioria é vegetariana), com a saúde (sempre com opções de pratos sem glúten e sem lactose; sim, na terra da baguette  e do queijo!), e importante-importante:  os pratos são preparados no próprio estabelecimento (no começo dos anos 2010, francófilos do mundo todo ficaram em choque quando uma pesquisa divulgou que quase 75% dos restaurantes da França usavam produtos industrializados — pense em purée  de batata desidratado, molhos em pó, carne congelada — ou até pratos inteiros  prontos, que só são tirados da caixa, aquecidos no microondas e acrescidos de um raminho de salsinha — para dar aquele toque autoral — antes de chegar à sua mesa; sabe aquele fondant  ou o moelleux au chocolat, o nosso famoso petit gateau ? Pois é, os restaurantes compram pronto por € 0,80 e vendem por € 8). {Leia aqui a nossa lista de restaurantes vegetarianos e vegetarian-friendly  preferidos em São Paulo.}

Sim, é claro que você pode comer local, orgânico, sazonal, totalmente fait maison  — esse é o termo que os restaurantes usam quando cozinham os pratos do começo ao fim no próprio estabelecimento —, et  gastronômico em restaurantes contemplados com um, dois, três macarons  Michelin, como o Alain Ducasse {veja nossa matéria exclusiva, clicando aqui} ou o L’Arpège {que você também confere clicando aqui}. Mas, nos restaurantes da nossa lista de hoje, você come comida saudável e saborosa em ambientes agradáveis e cheios de charme, sem aquela função da pompa e das reservas feitas com semanas de antecedência, e o que é melhor, por um preço mais do que honesto. Para conhecer e frequentar sem parcimônia. Só é preciso chegar cedo (ou almoçar cedo, preferencialmente) pois, assim como acontece com as padarias parisienses, conforme o dia vai passando, muita coisa vai acabando.

MARAIS, O BAIRRO GAY, JUDEU E BIÔ

Marais-1000A Rose Bakery (que já tem filiais em Londres — na Dover Street Market, concept-store  incrível da Rei Kawakubo em Mayfair —, Tóquio, Nova York e Seoul), de um casal de ingleses que mora em Paris, foi uma das precursoras desse conceito bio-sexy-organique  com a loja aberta em 2002, em Pigalle, na 46 rue des Martyrs, que segue firme e forte. Já a loja do Marais que eu adorava, na rue Debelleyme, fechou. Mas basta uma caminhada pelas ruas do bairro mais charmoso de Paris, para ver a quantidade de novos estabelecimentos que seguem a tendência. Tem casa de sucos prensados a frio (o Juice Lab, na 2 rue de Béarn), tem lojinha de produtos naturais (a Naturalia, misto de mercearia de orgânicos com mercadinho, tem duas lojas, uma quase ao lado da outra, uma na rue de Verrerie e outra na rue du Renard), tem lugar que só prepara hambúrguer vegano (a Hank, na 55 rue des Archives), e os restaurantes abaixo que ficam não só no Marais, mas também nos arrondissements  vizinhos (onde eu voltei mais de uma vez nas minhas duas últimas idas à Cidade Luz). Imagem: Renato Sarieddine Araújo, do Flickr.

CAFÉ PINSON [Marais] Vegetariano, vegan-friendly, tudo sem glúten e sem lactose, com outro endereço em Pigalle

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MÛRE [2éme arrondissement] Ôrganico e local, com queijo e iogurte, sem serviço de mesa

paris-restaurantes-bio-vegetarianos-sem-gluten-cafe-pinson-mure-bio-adam-et-eve-marais-1000-10 paris-restaurantes-bio-vegetarianos-sem-gluten-cafe-pinson-mure-bio-adam-et-eve-marais-1000-12paris-restaurantes-bio-vegetarianos-sem-gluten-cafe-pinson-mure-bio-adam-et-eve-marais-1000-11Para almoçar no Mûre, você precisa entender a dinâmica: vá até o balcão central, dê uma olhada nas opções dos pratos expostos na vitrine dando a volta — sopas, saladas, um ou dois pratos quentes —, escolha o que você quer comer e quem te serve é a atendente atrás do balcão (é tipo o Delírio Tropical no Rio, com menos opções porque aqui tudo é orgânico e local); e evite os horários de pico, pois pode ter uma filinha. Diferentemente do Pinson, aqui tem glúten, tem iogurte e queijo e carne. Com a bandeja em mãos, você se senta e, depois de comer, é o responsável por separar tudo o que sobrou e colocar nos compartimentos certos (os pratos e os talheres para serem lavados, o resto de comida, os plásticos e o que não é reciclável). A partir do ano que vem, o restaurante terá sua própria fazenda de onde virão as verduras e os legumes usados nos pratos. Para o café da manhã, tem formules  (os combos) de € 5 e € 12, e para o almoço, de € 10,50 e € 13,50. O menu é sempre divulgado na página do Mûre no Facebook, {que você confere clicando aqui}. Tem brunch  aos sábados. Mûre: 6 rue Saint Marc, 2éme arrondissement, métro  Bourse, não tem telefone. Segunda a sexta, das 8h30 às 17h; e sábados, das 11h às 17h. Para acessar o site, clique aqui.

LE BIO D’ADAM ET EVE [1er arrondissement] Self-service, sucos e comidinhas pertinho dos Halles

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