O vinhedo de Leonardo da Vinci, um belíssimo passeio pela Milão renascentista

Corso Magenta 65

na altura da Via Caradosso

em frente à igreja Santa Maria delle Grazie

Corso Magenta | Castello

Metrô Conciliazione

(Linha Vermelha - 1)

39 (0) 2 / 892-234

Se você for nos fins de semana ou durante a alta temporada é prudente agendar o dia e o horário da sua visita pelo site da VivaTicket, clicando aqui. Se for durante a semana, pela manhã, é só chegar, comprar o ingresso e aguardar o início do próximo tour, que começa de 30 em minutos de segunda a quinta, e de 15 em 15, de sexta a domingo.

Preço do ingresso inteiro: na bilheteria, na hora, custa € 10; pelo site da VivaTicket € 11,50

Aceita todos os cartões de crédito.

Segunda a domingo:

Das 9h às 18h

Feriados:

É bom consultar o horário no site

25 lugares a cada visita

Tem wi-fi no bar da entrada; é só pedir a senha na bilheteria

Desde 2015

Site, clique aqui

A vigna  que dá nome ao lugar não passa de uns cotocos de caules de uva no fundo do jardim, que fica mais exuberante nos meses mais quentes (ainda, já que o vinhedo de Leonardo abriu faz pouco, durante a Expo 2015). Mas ela é o pretexto para um mergulho — inimaginável visto da fachada, assim como quase tudo em Milão — na história de Ludovico Sforza, Leonardo da Vinci, da família Atellani, de Ettore Conti e Piero Portaluppi. Uma viagem charmosa e imperdível para a Milão dos séculos 15 ao 20, bem em frente à Igreja Santa Maria delle Grazie, com a cúpula de Donato Bramante e em cujo refeitório está A Última Ceia, uma das obras-primas do maestro  renascentista. (E dá pra fazer tudo numa visita só, sem se cansar ;- )

Para se chegar ao pequeno vinhedo (hoje, por que originalmente tinha mais de 8 mil metros quadrados) que Leonardo da Vinci ganhou de Ludovico il Moro  Sforza enquanto pintava a Última Ceia (Da Vinci veio para a corte de Milão de Florença convidado pelo letrado e esclarecido duque em 1482 e vinha de uma família de vinicultores da Toscana), você precisará entrar pela Casa degli Atellani, a casa da família que foi uma das mais importantes da corte de Ludovico (eles também ganharam o terreno de presente, já que o duque queria transformar a região num bairro com seus cortesãos preferidos — e mais fiéis), e centro da vida social milanesa do fim do século 15; palco de muitos banquetes e festas. E por mais de duzentos anos a casa pertenceu à família Atellani  (mesmo com a chegada dos franceses, que derrubou e prendeu Ludovico em 1500, os espanhóis – Milão foi anexada ao Império Espanhol em 1535 -, E  os austríacos, em 1714), quando ela passou pelas mãos de outras nobres famílias até que, em 1919, foi comprada por Ettore Conti, senador e o primeiro industrial magnata italiano (era tão poderoso que foi um dos únicos italianos que Mussolini não conseguiu intimidar), para ser transformada em sua residência (ah, foi Conti que financiou — duas vezes, antes e após da Segunda Guerra — a reconstrução da delle Grazie; e é lá que ele está enterrado). Para a reforma da casa, ele chamou seu genro, Piero Portaluppi, um dos maiores nomes da arquitetura italiana do século 20. O mais legal é que a histórica casa até hoje é residência dos descendentes de Portaluppi. Você vai entrar na casa, ver os carros, as bicicletinhas das crianças no cortile, os porta-retratos da família sobre a mesa. Sim, essa é uma visita que é mais sobre a casa que sobre o vinhedo. 

PARA VISITAR, É BOM RESERVAR

Por isso, o acesso é um pouco restrito (não se esqueça, você estará numa residência privada). As visitas com, no máximo 25 pessoas, começam de 30 em 30 minutos de segunda a quinta, e de 15 em 15, de sexta a domingo, e é rápida: dura aproximadamente 25 minutos. Se você vier nos fins de semana ou durante as férias de verão, é prudente fazer a reserva do horário com antecedência pelo site, clicando aqui. Se não, é só chegar, comprar seu ingresso no balcão e aguardar no café para entrar no horário agendado. Você vai receber um audioguia, disponível em vários idiomas, incluindo português e dialeto milanês.

A EXATA UVA DE LEONARDO

A pesquisa para se chegar à exata uva que Da Vinci cultivava foi séria e envolveu um enólogo, um geneticista e um especialista em DNA de uvas viníferas (!). Eles escavaram o quintal, coletaram a matéria orgânica centenária e reconstruíram o perfil genético da uva que foi comparada com outras variedades cultivadas no século 15. Depois de tudo isso, chegaram à uva: uma Malvasia di Candia Aromatica, uma variedade popular na época. Com os desenhos feitos pelo próprio Da Vinci, eles também conseguiram identificar o local exato e a maneira como estavam organizadas as fileiras. Depois de toda a pesquisa, eles plantaram a uva numa estufa na Faculdade de Ciências da Comida e da Agricultura da Universidade de Milão antes de enxertarem no exato local e da mesma maneira como Da Vinci fez quinhentos anos atrás.

LaVignaDiLeonardo-6Essa é a fachada mais antiga do complexo de casas que forma hoje a Casa degli Atellani. São quatro fachadas de diferentes épocas, a última projetada pelo arquiteto Piero Portaluppi no começo do século 20. Imagem: Divulgação | Filippo Romano

LaVignaDiLeonardo-7Na reforma de Portaluppi, as casas foram juntadas e dois cortile viraram um só. Imagem: Divulgação | Filippo Romano

SONY DSCA casa hoje é residência dos descendentes de Portaluppi. Imagem: Shoichi Iwashita

SONY DSCDetalhe do cortile da Casa degli Atellani. Imagem: Shoichi Iwashita

LaVignaDiLeonardo-8É por essa porta que o passeio começa. Imagem: Divulgação | Filippo Romano

LaVignaDiLeonardo-9Piero Portaluppi restaurou os afrescos do século 15, como neste primeiro ambiente, o hall do Zodíaco (era moda na época). O que ele fez foi acrescentar o chão de mosaico com planetas, estrelas, cometas e símbolos do zodíaco. Imagem: Divulgação | Filippo Romano

LaVignaDiLeonardo-10Os Atellani, uma família de diplomatas preferida do duque Ludovico Sforza, era tão ligada aos Sforzas que mandou retratá-los nesta sala. A pintura original é apenas as dos arabescos e florais. Com medo de que as figuras dos nobres fossem vendidas para o exterior, a Cidade de Milão as comprou e hoje elas estão exibidas no Castello Sforzesco. O que vemos aqui são reproduções. Imagem: Divulgação | Filippo Romano

LaVignaDiLeonardo-11Esta é a sala do senador e magnata italiano Ettore Conti, que tem um belíssimo teto de madeira entalhada no século 17 e apresenta sobre a lareira o brasão de todas as famílias envolvidas no casamento entre Catarina da Dinamarca e Francesco Sforza. Imagem: Divulgação | Filippo Romano

SONY DSCAfrescos do século 15 por toda a parte. Imagem: Shoichi Iwashita

SONY DSCEssa é a escadaria que dá para o jardim que fica no fundo da casa. Repare no relógio solar à esquerda entre as janelas. Imagem: Shoichi Iwashita

LaVignaDiLeonardo-12A vista do jardim. O vinhedo de Leonardo da Vinci fica atrás daquele pórtico de pedra lá no fundo. Imagem: Divulgação | Filippo Romano

LaVignaDiLeonardo-13A vista da casa pelo jardim. Imagem: Divulgação | Filippo Romano

LaVignaDiLeonardo-14O vinhedo de da Vinci no exato local e com exatamente o mesmo tipo de uva que ele cuidava há mais de 500 anos. Imagem: Divulgação | Filippo Romano

LaVignaDiLeonardo-1-ChaoDuomoDetalhes por toda a parte. Reconhece esse mármore, esse desenho? É do chão da Duomo. Como Piero Portaluppi trabalhou numa das reformas da catedral, era costume dos arquitetos levar uma lembrança da obra. Imagem: Reprodução.

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shoichi.simonde@gmail.com