Desh, de Akram Khan

Um palco mal iluminado, sem música. O bailarino veste uma calça saruel, carrega uma lanterna, e passando a mão na parede e no chão — como se quisesse ver a poeira impregnada nesta viagem de reflexão sobre a sua relação com o pai já morto —, ele logo pega uma marreta e, com toda a força, bate no solo que representa suas origens bengalesas. Seja através das marretadas, das relações que o bailarino mantém com os objetos de cena ou dos movimentos ágeis e bruscos, existe uma agressividade latente em Desh, o primeiro solo de Akram Khan, coreógrado britânico de pais bengaleses, que é um dos mais geniais de sua geração. Agressividade essa sempre tão presente — e tão natural — entre pais e filhos, como na impaciência típica em diferentes fases da vida (dos pais quando os filhos são crianças e cheias de perguntas, dos filhos conforme os pais vão envelhecendo e Ver Mais →

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