Um Bonde Chamado Desejo; outro chamado Cemitérios

Decadente e atormentada, sim. Mas Blanche DuBois não é uma patricinha bonita e surtada que vive no mundo fantasia. É uma menina bem nascida — era “meiga e confiante”, nas palavras da irmã — que não suportou o suicídio do marido, seu primeiro e único amor (“era como se uma luz ofuscante iluminasse o que sempre havia estado nas sombras”; “tudo o que eu sabia é que eu não consegui ajudá-lo com os problemas dos quais ele não conseguia falar” ), e que, após a tragédia, encontrou no sexo com muitos parceiros num hotelzinho barato para prostitutas uma maneira de preencher seu vazio existencial. E se perdeu. Se perdeu de si mesmo a ponto de só conseguir sobreviver na magia e não mais na realidade (“Magia! Sim, sim, magia! Eu tento dar isso para as pessoas.” ). Desprovida de sua honra, de sua propriedade — a fazenda Belle Rêve, que pertencia há gerações à sua família — e de seu emprego como professora de literatura depois de se envolver com um aluno menor Ver Mais →

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shoichi.simonde@gmail.com