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The Mitsui, Quioto: De residência de uma das dinastias mais poderosas do Japão a hotel favorito em localização central da antiga capital japonesa

Construído em 1703 — e ainda com 80% das peças de madeiras originais — o grande portão que serve de entrada para o hotel The Mitsui remete ao poderio secular do clã que dá nome à propriedade em lugar mais-que-nobre de Quioto. Imagem: Shoichi Iwashita

Nenhum hotel de Quioto resolve uma questão fundamental: a de que as principais atrações da cidade — a noroeste, Arashiyama com sua floresta de bambus e o templo do Pavilhão Dourado; os templos do corredor nordeste que incluem Ginkaku-ji, Nanzen-ji, Heian Jingu; a sudeste, Fushimi Inari e Tōfuku-ji; além das casas de chá de Gion — estão espalhadas por todas as direções, nas extremidades da antiga capital imperial do Japão. E mais do que a elegância do projeto de interiores assinado pelo designer honconguês André Fu, o grande trunfo do The Mitsui é justamente sua localização central, quase sempre “no meio do caminho” para tudo: de dez a vinte minutos de carro de todos os templos, independentemente da direção onde eles estejam. E, também por isso, o hotel é hoje a minha opção favorita de hospedagem em Quioto. 

Vizinho ao castelo Nijō — construído em 1603 pelo xogum Tokugawa Ieyasu, o responsável final pela unificação do Japão, propositalmente mais opulento que o palácio imperial —, se hospedar no The Mitsui é viver, em endereço mais-do-que-nobre, a antiga sede de uma das dinastias mais poderosas do país. O hotel ocupa o terreno da antiga residência quiotoana do clã Mitsui, a família de comerciantes que, ainda no período Edo, acumulou um enorme poder econômico. E que, séculos depois, ao lado dos Mitsubishi, dos Sumitomo e dos Yasuda, seguem sendo os maiores conglomerados da economia japonesa. (Os negócios da Mitsui hoje vão de petróleo e gás natural a portos e navios, passando por agronegócio, farmacêutica, varejo, finanças e mercado imobiliário, área da qual o hotel faz parte). 

O imponente portão na entrada é uma bela introdução — quase cerimonial — à história da propriedade. O Kajiimiya-mon, construído em 1703 (o mesmo ano da construção da mansão Mitsui neste terreno), tem 7,5 metros de altura e foi completamente desmontado, restaurado e reconstruído para a abertura do hotel, com mais de 80% das peças originais de madeira preservadas. Ao atravessá-lo, um beco sem saída — o kaneori, recurso tradicional da arquitetura japonesa — conduz o olhar e o corpo à esquerda, para a recepção, que abriga em seu centro, a belíssima escultura Vento de Yukiya Izumita (foto abaixo), um dos mais importantes ceramistas japoneses vivos. 

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DA CASA DO CLÃ AO HOTEL THE MITSUI KYOTO, A ARQUITETURA COMO EXTENSÃO DO JARDIM

O lobby do hotel, em tons de bege e cinza, tem grandes portas de vidro que, abertas quando o clima permite, integram a paisagem ao espaço. Imagem: Shoichi Iwashita
Todos os restaurantes do hotel se abrem para o belo jardim. Imagem: Shoichi Iwashita

A sala de chá ao estilo ryurei — à mesa ou no balcão, e não no tatami — do The Mistui é supervisiosa para um mestre do chá, o chajin. Basta fazer uma reserva para ter tomar um chá feito com a ritualística autêntica. Imagem: Shoichi Iwashita

O edifício baixo, o jardim com a cerejeira-chorona em destaque e o espelho d’água que reflete a beleza do todo. Imagem: Shoichi Iwashita

Do projeto residencial do século 18 ao hotel inaugurado em 2020, o conceito que organiza espacialmente o The Mitsui é o teioku ichinyo: a harmonia entre o jardim e a construção como um todo indissociável. O edifício baixo com planta em U faz com que quase todos os espaços se abram para o jardim central que recria o espaço original da residência Mitsui. São 1.300 metros quadrados de área verde que abrigam uma dramática cerejeira-chorona, pinheiros vermelhos e negros, carvalho azul, bambu, musgo, flores que mudam com as estações — além do espelho d’água que deixa tudo duas vezes mais lindo.

No lobby, grandes portas de vidro deslizantes dissolvem a fronteira entre interior e exterior nos meses de temperatura agradável, e, no inverno, preservam intacta a vista enquanto protegem do frio. Completando o lobby, os hóspedes encontram uma biblioteca, com belos títulos sobre a cultura, a gastronomia e as artes decorativas japonesas, que funciona também como um business center, e o chakyo, um pequeno salão de chá contemporâneo ao estilo ryurei (ou seja, à mesa e não no chão) cujo serviço é supervisionado por um mestre do chá, um chajin

Distribuídos pelos quatro andares, os 161 quartos e suítes deixam claro que o Mitsui não é um hotel pequeno —  e a gente sente isso no restaurante cheio para o café da manhã. A acomodação de entrada ostenta espaçosos 43 metros quadrados. Todos os quartos contam com tokonoma, a área de transição típica das casas japonesas para tirar os calçados, aqui equipada com banquinho e pequeno móvel para armazená-los. Com um belíssimo trabalho de marcenaria e iluminação, espere por todo o conforto — banheiro de mármore com ofuro de pedra dentro da área da ducha, pia dupla, mesa de trabalho espaçosa, vaso sanitário Toto e amenidades e mimos trocados diariamente. As grandes janelas se abrem para o castelo ou o jardim interno, mas como o castelo fica quase escondido atrás de uma avenida movimentada e grandes muros, confesso que prefiro os quartos com vista para o jardim.

Além do Garden Bar, são dois os restaurantes do Mitsui: o intimista Toki, que combina ingredientes japoneses com técnica francesa, e o maior e mais informal Forni, um italiano aberto para café da manhã, almoço e jantar, com pizza, pasta, risotto, peixes e carnes grelhadas no cardápio. No café da manhã, além do buffet e do asagohan japonês — minha escolha sempre —, preciso destacar o café da manhã vegano que provei em um dos dias. O Japão domina o tofu, esse alimento feito de soja, riquíssimo em proteína. E a versão plant-based da refeição, acompanhada do suco verde feito com vegetais orgânicos da fazenda Aoki, ao norte de Quioto, é uma deliciosa, saudável e sustentável maneira de começar o dia. 

Café da manhã japonês com chá, sempre. E, aqui no Mitsui, em um balcão com vista para o jardim. Imagem: Shoichi Iwashita.
Linda paleta de cores e belíssimo projeto de marcenaria e iluminação nos quartos. Imagem: Shoichi Iwashita
Me hospedei em um quarto com vista para o belo jardim interno do hotel. Como o edifício tem uma planta em U, do outro lado do jardim estão os outros quartos do The Mitsui. Imagem: Shoichi Iwashita
Sofá de um lado, cadeira de outro, e mesa grande para trabalho ou refeições, feito com uma belíssima madeira em formato orgânico. Imagem: Shoichi Iwashita
Na área de entrada do quarto, um pequeno tokonoma, o espaço para retirar os sapatos que existe em todas as casas japonesas. Imagem: Shoichi Iwashita
Com exceção das nada charmosas garrafinhas de plástico de uso único, tudo é lindo no projeto do The Mitsui. Imagem: Shoichi Iwashita

MAS O ONSEN ABDICA DA TRADIÇÃO

Não tem o que falar da beleza do spa do The Mitsui. Com 1.000 metros quadrados e alimentado por águas termais naturais, o espaço impressiona pelas enormes rochas — nas paredes e no meio da piscina — que trazem a natureza para o coração da cidade. É só uma pena que eles tenham optado por desenhar uma experiência para o gosto ocidental, deixando de lado a essência dos onsen japoneses. 

A temperatura da água, por exemplo, lembra mais uma piscina aquecida do que os autênticos banhos termais, onde há diferentes níveis de calor (as águas chegam muito quentes das profundezas e, nos onsen, são várias as temperaturas de água, das diluídas e mais amenas às mais intensamente quentes). Tradicionalmente, é proibido entrar com qualquer peça de roupa dentro da água; aqui, por ser um espaço misto, o traje de banho é obrigatório (na minha estadia, vi até pessoas que, na ausência de maiô, estavam usando camiseta e bermuda dentro da água!). E o que falar da regra fundamental de tomar um banho rigoroso — e pelado — antes de entrar na água? Apesar de sugerida, nem sempre é respeitada pelos hóspedes… Soma-se a isso o tamanho limitado do espaço para um hotel com 160 quartos, o que faz com que seja preciso ligar um pouco antes de descer para saber se a área de banho não está lotada e, assim, fazer uma reserva. 

Eu entendo que muitos viajantes não se sintam confortáveis com a nudez em espaços públicos. Por isso, alguns hotéis, além de oferecerem os banhos tradicionais, criaram quartos com onsen privativos. O próprio Mitsui possui duas belíssimas onsen suites onde hóspedes podem aproveitar os relaxantes banhos de águas termais de forma autêntica, ao ar livre e na privacidade do seu quarto. 

QUANTO CUSTA SE HOSPEDAR NO THE MITSUI KYOTO

O quarto de entrada — o Deluxe Room, com 43 metros quadrados e banheira — tem diárias a partir de USD 1.990,00. A faixa de preço vai até USD 11.800 pela Suíte Presidencial de 213 metros quadrados com vista para o Castelo Nijo. 

FAÇA A SUA RESERVA

Você pode reservar sua hospedagem no The Mitsui com benefícios exclusivos falando diretamente comigo pelo Instagram @iwashitashoichi, clicando aqui.

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Shoichi Iwashita

Compulsivo por informação e colecionador de moleskines com anotações de viagens e restaurantes, Shoichi Iwashita se dedica a compartilhar seu repertório através das matérias que escreve para a Simonde e revistas como Robb Report Brasil, TOP Destinos, The Traveller, Luxury Travel e Unquiet.

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