A diferença entre portenhos e bonaerenses

No mapa em laranja claro, está a enorme área que cobre a região metropolitana de Buenos Aires, a terceira maior concentração de pessoas da América Latina. Na parte destacada em laranja mais forte, a cidade de Buenos Aires, capital da Argentina, distrito federal e autônomo, onde nascem os portenhos.

Assim como ocorre com São Paulo e com o Rio de Janeiro (as cidades e os Estados, homônimos), na Argentina, existem a Província de Buenos Aires e a Cidade de Buenos Aires. Mas, diferentemente do que ocorre com São Paulo e Rio (São Paulo é capital de São Paulo, Rio é capital do Rio), a cidade de Buenos Aires não faz parte da Província de Buenos Aires. Isso porque a Cidade de Buenos Aires, assim como nossa Brasília, é um distrito federal, logo, é autônoma (o nosso Distrito Federal também: apesar de estar “dentro” do estado de Goiás, também não pertence ao estado, e é tão autônomo que conta até com um governador próprio mas não tem prefeito).

O problema é que a área metropolitana que envolve a cidade de Buenos Aires, que é a capital da Argentina mas não é a capital da Província de Buenos Aires (que é La Plata, a 56 km de Buenos Aires), é muito maior que a cidade. Uma pessoa pode nascer na mesma área metropolitana e não ser portenho, mas sim bonaerense. E a regra é essa: quem nasce no restrito espaço da Ciudad Autónoma de Buenos Aires é portenho (“a pessoa do porto”), quem nasce fora dela, mas ainda dentro da região metropolitana e na Provínicia de Buenos Aires, é bonaerense. Só não chame um portenho de bonaerense, é quase um insulto.

Outra curiosidade: enquanto no Brasil os gaúchos têm orgulho do seu Estado e a palavra gaúcho tem uma conotação positiva, para os portenhos, gaucho (afinal de contas, os gaúchos estão presentes nos pampas brasileiro, uruguaio e argentino) é sinônimo de gente simples e ignorante.

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shoichi.simonde@gmail.com