Four Seasons Las Vegas: Um raro hotel de luxo da cidade – discreto, praticamente invisível – e um oásis de tranquilidade
Sim, o Four Seasons Las Vegas está escondidinho aí dentro do Mandalay Bay. Imagem: Shoichi Iwashita
A chegada ao Four Seasons Las Vegas diz bastante sobre esse que é um raro exemplar de hotelaria de luxo na Cidade do Pecado.
Achei que o taxista havia errado o endereço conforme o carro se aproximava do Mandalay Bay (mais um dos hotéis-de-quatro-mil-quartos-com-cassino de Vegas), já que o hotel Delano possui um edifício próprio dentro do complexo e não há qualquer menção ao Four Seasons, a não ser (depois vi) uma placa, pequena, baixa e bem discreta na rua, em uma das entradas para carros. Ou seja, o Four Seasons Las Vegas é praticamente invisível em meio à vulgaridade estética las veguiana; e essa discrição já diz muito sobre o hotel {leia nossa opinião sobre Las Vegas, clicando aqui}.
Isso porque o Four Seasons é um hotel-dentro-do-outro ocupando apenas cinco dos 43 andares — do 35° ao 39° (e mesmo assim com 343 quartos e 81 suítes) — do edifício dourado em formato de estrela de três pontas do Mandalay Bay.
Mas não precisa se preocupar. Ele não possui cassino e conta com entrada, recepção, elevadores, piscina, spa, academia, café e dois restaurantes (e não 37, como em outros hotéis) exclusivos para os hóspedes desta rede de hotéis de luxo com sede no Canadá, que possui talvez a melhor das camas de hotéis de rede do mundo. E o melhor: 1. as camareiras não prendem o edredom por baixo do colchão (não preciso sair toda noite tirando tudo, já que não gosto de dormir com o edredom preso) e 2. e as camas são padrão, ou seja, você as encontra nas propriedades Four Seasons em São Paulo, Milão, Bora Bora, Dubai ou Tóquio; e ainda pode comprar uma para levar para casa (e eles entregam, basta falar com o concierge).
QUARTOS COM VISTA OU PARA A STRIP OU PARA O DESERTO
Nos quartos espaçosos — o menor tem 46 metros quadrados, todos com banheira, mas sem bidê ou chuveirinho, como em outros hotéis americanos —, você encontra móveis com belíssimos acabamentos; uma TV grande (mas sem nenhum canal de notícias europeu, nem a BBC, só americanos); lindos quadros (um destaque do hotel também nas áreas públicas); e uma sofisticada combinação de cores, padronagens e texturas (amei os abat-jours em vidro verde com uma tomada na base).
E aí, basta decidir se você quer vista para a colorida e iluminada Strip — que equivale à vista-mar dos hotéis de praia — ou para o deserto e a pista de pousos e decolagens do aeroporto internacional bem próximo. Uma decisão que te custará quase US$ 200 extras por dia. Para incluir o café da manhã na conta, acrescente US$ 60 por dia, tanto para uma quanto para duas pessoas (é o mesmo preço).
E aí tem o resort fee, a famigerada taxa obrigatória que todos os hotéis de Las Vegas cobram para se usar a estrutura que todos os outros hotéis do mundo incluem no valor da diária, que, no caso do Four Seasons Las Vegas, é de US$ 44,22 por quarto, por dia (US$ 39 + 13,38% de impostos).
Assim, calcule US$ 510 por noite para um Strip-View Room, com café da manhã, resort-fee e todas as taxas inclusas.
O VICIANTE FOUR SEASONS CHAT, ELEVANDO A BARRA DO NÍVEL DE SERVIÇO DOS HOTÉIS DE LUXO
Mas o que mais me fascinou nesta minha estadia foi o fato de eu ter usado pela primeira vez o serviço o chat via aplicativo Four Seasons, lançado em 2018. E fiquei viciado.
Antes mesmo da viagem, já com a reserva em mãos, comecei a pedir dicas de restaurantes e atividades, ajuda com a reserva de restaurantes, e, em São Paulo ou em Las Vegas, dia ou noite, no próprio hotel ou na rua, fiquei impressionado com a rapidez com que eles respondiam. É como falar por whatsapp com um amigo para resolver todos os detalhes, esclarecer dúvidas e informar preferências; um uso muito bem sucedido da tecnologia com o toque humano.
Chegando lá, já estava tão acostumado com a ferramenta que eu sequer peguei no telefone do quarto durante a estadia. Teve um dia que fui ao Whole Foods comprar uma saladona de kale para comer no quarto enquanto eu escrevia, e até o prato e talheres de que precisei eu pedi pelo chat. Incrível. Que os outros hotéis sigam o exemplo, porque é daquele tipo de coisas geniais que nos fazem pensar “como não fizeram isso antes?”
Na piscina, confortável e pequena para os padrões de Vegas, aproveite a tranquilidade e o serviço, e refresque-se do calor infernal do deserto (teve um dia que estava 43 graus às 17h30). E por mais que você tenha acesso ao complexo de piscinas, com e sem ondas, rio e “praias” do Mandalay Bay, simplesmente não vá: é praticamente um parque aquático muvucado, cheio de gente. E eu já fiz isso por você.
E não deixe de frequentar diariamente o belíssimo spa e a academia completa (veja mais nas fotos ao fim da matéria).
SUSTENTABILIDADE, O CALCANHAR DE AQUILES DA HOTELARIA DE LUXO
Por que deixar duas minigarrafas de plástico-de-uso-único de água todas as noites na cabeceira da cama, quando uma garrafa grande de vidro seria muito mais sustentável? Imagem: Shoichi Iwashita
Apesar da política de trocar os lençóis a cada três dias para economizar água, da compra de uma nova máquina de lavagem a seco sustentável e da instalação de tomadas para o abastecimento de carros elétricos, me incomodou a quantidade de plásticos de uso único nos quartos e na academia.
Além das amenidades em pequenas embalagens plásticas, todas as noites as camareiras deixavam duas garrafinhas de água de 300 ml na mesa ao lado da cama (se eu estivesse acompanhado seriam quatro). Isso em uma cidade no deserto, onde a hidratação é fundamental. Duas embalagens de lixo plástico por noite, por pessoa, para tomar… água.
Mais chocante foi ver na academia não só copos plásticos ao lado do bebedouro, mas também tampas para fechar os copos e canudos plásticos, como as embalagens de refrigerante das redes de fast-food! E, uma vez disponível, o pior é ver hóspedes carregando água — repito, água — com copo, tampa e canudo entre um aparelho e outro para jogar no lixo assim que o treino acabar.
RESERVAS:
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