Os melhores restaurantes de praia, para jantar e comidinhas de Trancoso, em algumas das locações mais incríveis do Brasil
Os dias em Trancoso são basicamente tomar um belo café da manhã no hotel, passar o dia em uma barraca na praia — muito felizmente, temos quatro bons endereços em Trancoso no momento; leia mais abaixo — ou explorando as praias e a natureza da região, para terminar o dia jantando no Quadrado. E tem de ser assim: tirando o Rabanete, um buffet self-service, e a Lua Verde, uma casa de saladas montadas na hora, a grande maioria dos lugares do Quadrado e da parte alta da cidade só abre depois das 16h.
Com exceção dos restaurantes de praia, é em volta do grande gramado sem iluminação pública que é um dos lugares mais charmosos do mundo onde tudo acontece (mesmo com as poças de água que se formam quando chove). E, apesar de os restaurantes possuírem poucas mesas dentro das casas pequenas e centenárias que ocupam, é ao ar livre onde se janta, sobre a terra — em mesas e cadeiras nem sempre confortáveis — e debaixo de árvores frondosas com luminárias penduradas. Alguns desses bares e restaurantes são tão grudados uns nos outros que as mesas se confundem, dificultando distinguir onde é o quê; ainda mais em uma primeira viagem.
A única recomendação para jantar — não só em Trancoso, mas em toda a costa sul da Bahia — é tomar aquele banho de repelente de insetos, assim que a luz do dia baixar e logo depois do banho pré-jantar. Os restaurantes geralmente têm repelente à disposição dos clientes, basta pedir, mas é sempre bom ter o seu na bolsa para dar aquela retocada, já que é impossível aproveitar plenamente uma refeição sendo comido pelos mosquitos.
Outra dica importante é não viajar para a Bahia esperando aquela rapidez no serviço que a gente encontra nas grandes cidades, assim como não dá para esperar a simpatia e a autenticidade dos baianos no sul do Brasil. A Bahia tem um tempo e uma cultura de hospitalidade próprias. Não entender isso é viajar para se estressar, porque nem na baixa temporada, quando os restaurantes estão vazios, o ritmo vai ser o da cidade grande. E na alta, é imprescindível fazer reservas com antecedência. E viver o tempo da Bahia.
PARA O DIA, ALMAR: O RESTAURANTE DE PRAIA COM PRATOS DE CHEF (E O MEU FAVORITO DE TRANCOSO)



Almar Trancoso, na praia dos Coqueiros. Imagens: Shoichi Iwashita
Imagine um restaurante de praia em que as mesas e cabanas, distantes umas das outras, estão espalhadas por uma espaçosa faixa de areia à beira-mar, sem muvuca, na Praia dos Coqueiros, a 800 metros ao sul do Quadrado. Idealizado por Marcel Leite e Fernanda Andrade, segunda geração da família proprietária da pousada e restaurante Capim Santo, o Almar é um belíssimo projeto de gastronomia, dolce far niente e sustentabilidade.
Como parte da estrutura, está um salão coberto com um bar-lounge e restaurante (com mesas e cadeiras e serviço à mesa), onde brilham os materiais naturais como a madeira, a palha e a cerâmica. Na praia, a música é — felizmente — o som das ondas e o Almar ainda conta com um bar de sucos preparados com ingredientes orgânicos e saudáveis, espaço para esportes na areia e também a possibilidade de esportes aquáticos como caiaque e canoa havaiana.
No cardápio, os peixes de pesca artesanal — um resgate à essência de Trancoso que foi, por muito, um vilarejo de pescadores — são maturados em uma câmara fria na cozinha aberta, e verduras e legumes agroflorestais são trabalhados na brasa de forma talentosa pela jovem chef paranaense Victoria Fiechter, no restaurante desde a abertura em dezembro de 2024.
Além dos peixes impecavelmente preparados que podem vir acompanhados de farofa e vinagrete, a acelga grelhada servida com uma glace feita a partir da redução de um caldo de legumes tostados, chilli crunch (um molho picante chinês) e creme de castanha-de-caju fermentada é um exemplo da criatividade que faz os comensais agradecerem.
O Almar fica na praia dos Coqueiros, abre todos os dias das 10h às 17h e é prudente fazer reservas.
PARA O DIA E A NOITE, UXUA: COZINHA CRIATIVA E FARM-TO-TABLE AO LADO DA PISCINA ICÔNICA



Restaurante & Bar Vida do Uxua, no Quadrado. Imagens: Shoichi Iwashita
No sofisticado universo criativo e conceitual desse que é um dos mais incríveis hotéis do mundo, parece que o ciclo se completa. Se antes era difícil encontrar ingredientes orgânicos para a cozinha do hotel, durante a pandemia, o Uxua comprou duas propriedades — um sítio e uma fazenda à beira-mar, que se tornaram o Uxua Roça e o Uxua Maré, respectivamente —, onde eles implantaram hortas e pomares orgânicos em sistema agroflorestal e, agora, colhem grande parte dos ingredientes para os pratos assinados pela chef Juliana Pedrosa, que voltou ao hotel no fim de 2025 depois de cinco anos.
Não só. No Uxua Vida Lab — projeto do hotel que conecta a gastronomia à saúde e ao bem-estar —, uma especialista em fermentação transforma o leite das vaquinhas do Uxua Roça em queijo, e é também responsável pela produção dos queijos veganos, dos kombucha e dos legumes fermentados presentes no cardápio. São vários os destaques: o arroz de kimchi é acompanhado de cogumelos e tempura de couve-flor; o risoto de beterraba com emulsão de wasabi é delicioso apenas, assim como a imperdível berinjela assada com tahine, recheada com cuscuz de couve-flor, creme de castanha de caju e miso de grão-de-bico. O cardápio versátil ainda conta com saladas, sanduíches e pratos com peixes e frutos do mar.
O Organic Festival, projeto do Uxua que toma conta das locações mais incríveis de Trancoso e região a cada ano, foi estímulo também para que outras iniciativas que conectam a comida à responsabilidade ambiental na região se consolidassem. O que fez com que o hotel consiga hoje comprar a produção orgânica de vários outros pequenos produtores da região.
Além do décor pensado nos mínimos detalhes e ao lado de uma das piscinas de hotel mais lindas do Brasil, almoçar e jantar no Uxua é delicioso, saudável e sustentável; mas, para não-hóspedes, é preciso fazer reserva, sujeita à disponibilidade.
O restaurante do Uxua abre todos os dias, das 12h30 às 22h30 e não-hóspedes precisam ter uma reserva confirmada para entrar no hotel e acessar o restaurante. Telefone para reservas: +55 73 99950-6440.
PARA A NOITE, GINGER: BAR ONDE TENHO JANTADO, TÃO BOA É A COMIDA



Bar Ginger, na rua do Beco, uma travessinha na entrada do Quadrado. Imagens: Shoichi Iwashita
Em localização inusitada na entrada do Quadrado, com mesinhas ao ar livre ocupando a viela que dá acesso ao Capim Santo e o calçadão alto do imóvel em frente, o Ginger é onde todo mundo se encontra em Trancoso. Apesar de ser um bar, comandado desde 2019 pela proprietária elle-même Ana Paula Barbosa, o Ginger é dos meus lugares favoritos para comer; das raríssimas opções em Trancoso consistentes ao longo das visitas, e do tempo.
O cardápio é enxuto do jeito que a gente gosta, traz inspirações asiáticas, fruto das temporadas de Ana Paula na Tailândia e Berlim. Não deixe de provar a refrescante salada de papaia verde tailandesa, o bao (o pão chinês cozido no vapor) recheado com cogumelos e o nasi goreng, o arroz frito indonésio na versão vegetariana. Nos drinques, além dos coquetéis-assinatura, o bloody mary da casa leva katsuobushi (o peixe bonito seco e ralado), togarashi (o shichimi, uma pimenta japonesa feita com sete ingredientes, daí o nome “shichi”, “sete” em japonês) e molho de cogumelo ostra #UmamiPuro.
O Ginger abre de terça a domingo, das 18h à meia-noite, e fica em uma viela à esquerda na entrada do Quadrado; a mesma viela que dá acesso ao Capim Santo.
PARA O DIA, PRAIA DAS TARTARUGAS: PRAIA DESERTA E ALMOÇO-COM-VISTA SOBRE A FALÉSIA



Praia das Tartarugas, com acesso pelo condomínio Terravista Villas, entre Trancoso e Arraial. Imagens: Shoichi Iwashita
Uma das características mais marcantes da topografia das praias do nordeste brasileiro — especialmente esse cantinho da Bahia —, são as belas falésias e os altiplanos costeiros, com 25 a 50 metros de altura (como o próprio Quadrado), com belíssimas vistas para o mar. E, nenhum outro restaurante representa tão bem essa paisagem quanto o Praia das Tartarugas.
Aberto em 2017, dentro do condomínio Terravista e reinando sozinho quase de forma privativa em uma praia deserta, o Praia das Tartarugas oferece duas experiências que se complementam. Ao chegar, você vai descer por um túnel escavado dentro da falésia para chegar à praia, onde ficam — em frente a esse paredão imponente que é resultado de milhões de anos de formação geológica — as tendas com cadeiras e esteiras, e o serviço de bar com um cardápio de comidinhas (não se preocupe com a longa escada, pois tem um funicular que leva os clientes para cima e para baixo o tempo todo).
Aí, mediante a reserva para almoço — possível às 13h ou às 15h — você sobe para comer em uma das seis tendas que abrigam as mesas com a belíssima vista para o mar e o paisagismo do restaurante. No cardápio, eu amo o risoni de tomate assado e defumado, com straciatella de búfala e pesto de manjericão com pistache e o robalo preparado na folha de bananeira com molho de moqueca de camarão e abóbora. Destaco também as versões veganas da moqueca e do bobó, ambas feitas com banana-da-terra e pupunha assada.
Após o almoço, você pode descer novamente para a praia. Só é preciso saber que é preciso caminhar um pouco para chegar ao restaurante. Dentro do condomínio, o estacionamento mais próximo está a 500 metros de caminhada, passando pelas nada belas ruínas do que ia ser o hotel Txai de Trancoso.
O Praia das Tartarugas abre todos os dias, das 10h às 17h. Reservas são obrigatórias para se conseguir acesso pela portaria do condomínio Terravista. O telefone para reservas é +55 73 99815-4149
PARA O DIA, NO FIM DE SEMANA, FLORESTA: ALMOÇO EM UMA TENDA NO MEIO DE UM SERINGAL CENOGRÁFICO



Restaurante Floresta, com acesso pelo condomínio Fazenda Rio da Barra, ao norte da praia dos Nativos. Imagens: Shoichi Iwashita
O Floresta ocupa um cenário tão improvável quanto encantador para um destino de praia: uma floresta cenográfica de seringueiras não muito longe do mar. Assim como a Praia das Tartarugas, o acesso ao restaurante se dá por um condomínio — neste caso, o Fazenda Rio da Barra —, o que faz com que as reservas sejam indispensáveis para ser liberado na portaria.
Inaugurado em 2019, a proposta do restaurante idealizado por Fernando Droghetti — o mesmo à frente do bar e restaurante Jacaré, na entrada do Quadrado — tem dois pilares que se fundem: comida de roça feita em fogão a lenha preparada por dona Jandira, sua cozinheira há mais de 20 anos.
O serviço funciona em formato bufê, com preço fixo preço (com exceção das bebidas e da taxa de serviço). A cada dia, um prato principal conduz o menu, acompanhado de guarnições e sobremesas. Tem o dia do bobó de camarão, tem o dia da feijoada… mas o ponto constante — e um dos grandes méritos da casa — é a ilha vegana, sempre muito bem resolvida, preparada com ingredientes orgânicos vindos de uma roça própria.
Aqui, porém, um detalhe faz toda a diferença na experiência: a mesa onde você vai se sentar. Casais ou grupos pequenos costumam ficar acomodados no casarão colonial onde estão a cozinha e o bufê. Explico isso porque o grande destaque do Floresta são as tendas cobertas por lona, espalhadas pela propriedade, que abrigam grandes mesas para grupos e oferecem vistas abertas e belíssimas para o seringal.
Por fim, é preciso se atentar aos dias de funcionamento. Tem épocas que o Floresta abre de sexta a domingo; tem épocas que só abre aos sábados e domingos. Por isso, ligar com antecedência para confirmar horários e garantir a reserva é sempre fundamental.
O restaurante Floresta está localizado dentro do condomínio Fazenda do Rio da Barra, abre para almoço nos fins de semana e reservas são obrigatórias. Telefone: +55 73 99804-2323.
PARA O DIA, MORENO: BAR DE PRAIA COM SUCOS SAUDÁVEIS E DE TODAS AS CORES



Moreno, na Praia dos Coqueiros. Imagens: Shoichi Iwashita
Extensão praiana do Muru — o bar imperdível que é quase uma performance artística no Quadrado —, o Moreno segue os valores dos sócios Jullian Hamamoto e Bruno Vieira na criação de uma experiência contemporânea, saudável, sem gênero e rica conceitual e visualmente. E está bem no fim da passarela sobre o mangue que dá acesso à Praia dos Coqueiros.
No cardápio enxuto — incluindo um ótimo PF com tempura de cogumelos e uma salada com inspirações tailandesas —, os destaques são os sucos funcionais como o detox que, além dos ingredientes clássicos, leva ainda spirulina e chlorella (uma microalga de água doce repleta de vitaminas e minerais), e o suco pró-bronze que leva cenoura, laranja, manga, gengibre, purê de abóbora, óleo de coco e pycnogenol, um ingrediente natural ótimo para a pele. Outros sucos atendem ainda às necessidades extras dos viajantes: tem o imunidade, o ressaca e o afrodisíaco.
Com cores que remetem aos diferentes tons de pele (daí o nome do restaurante), a cabana com um varandão que dá na praia abriga o bar, a cozinha, um lounge, mesas para almoço e uma loja. Objetos aleatórios garimpados pela arquiteta Bianca Vilela, que incluem boias de barco e peças de cerâmica do Zé, se transformam em luminárias e outros elementos decorativos (só atenção para as belas caixas de som de madeira feitas sob medida).
O Moreno fica na praia dos Coqueiros, abre todos os dias das 10h às 17h e é prudente fazer reservas.
PARA O DIA E NOITE, SILVANA & CIA: NENHUMA OUTRA MOQUECA NA BAHIA TERÁ ESSE CENÁRIO



Silvana & Cia, no Quadrado. Imagens: Shoichi Iwashita
Há quarenta anos no Quadrado, nascida na casinha vizinha ao que é hoje o restaurante, quando Trancoso se resumia a essa praça retangular, Silvana — descendente de Pataxó e irmã da Vitória, que também tem um restaurante a poucos passos daqui — é uma instituição de Trancoso. Em termos de moqueca, ela e a Casa de Tereza em Salvador são meus endereços favoritos.
Mas o que completa a experiência é o cenário, apesar do serviço simples: comer ao ar livre, embaixo de uma frondosa amendoeira no Quadrado, vendo a igrejinha de São João Batista. Essa combinação de fatores, junto com a própria Silvana e seus filhos que ajudam na administração do restaurante, fazem com que não exista algo mais genuinamente trancosense.
Apesar dos pratos que foram sendo incorporados ao cardápio ao longo do tempo, a pedida aqui é a moqueca. É ela mesma quem prepara diariamente a base do prato, que leva azeite de dendê, leite de coco, muita cebola, alho, tomate e biri-biri, essa frutinha ácida típica da região — mas sem coentro e pimentão! —, que depois é acrescida de peixe, peixe e camarão, lagosta ou pupunha com banana-da-terra (versão vegetariana).
Cada moqueca serve duas pessoas, mas pode ser pedida em porção individual, quando é cobrado 60% do valor do prato. Sempre servida com arroz, pirão, farofa e pimenta — essa combinação dos deuses — só não se esqueça de colocar bastante molho sobre o arroz, misturar com a farofa e o pirão, dar aquela turbinada no prato com a pimenta da casa e ser muito feliz. Nunca consegui pedir sobremesa na Silvana, porque aqui a gente só para de comer quando raspou as panelas, não quando a fome passou.
O restaurante Silvana & Cia fica no Quadrado e abre de segunda a sábado, das 13h às 23h. Fecha aos domingos (mas às vezes abre, não custa ligar para confirmar). Desde 1982. O telefone é 73 / 98108-7928
PARA A NOITE, SÃO JOÃO BATISTA: AS MELHORES PIZZAS E LANCHES DE TRANCOSO


São João Batista, pertinho do Quadrado. Imagens: Shoichi Iwashita
Quando se passa uma temporada no sul da Bahia, é comum que paulistanos acostumados com boas pizzas — ou seja, feitas com massas de fermentação natural e longa — sofram de abstinência. Mas se o Maritaca é daqueles restaurantes para ver-e-ser-visto com uma pizza caríssima pelo que entrega — com aquele discurso que os próprios paulistanos inventaram de “massa fininha” que não faz mais o menor sentido, ainda mais quando os ingredientes utilizados não têm qualidade —, a São João Batista é o único endereço possível de pizza em Trancoso; apesar de o chef paulista Paulo Sitolini Neto também servir bons lanches, como o sanduíche de falafel com um ótimo pão, tzatziki e um falafel nada seco, como se deve.
Aberto em 2015, o lugar é simples, com mesas e bancos, mas o que importa aqui são os pães e a massa para pizza de fermentação natural e maturada que o chef produz em sua própria cozinha usando um blend de farinhas nacionais e italianas orgânicas moídas em pedra. Não deixe de pedir a pizza clássica de margherita, feita com a muçarela das búfalas da região, molho de tomate feito na casa e gordas folhas de manjericão, e também a pizza de abobrinha grelhada, servida com muçarela de búfala, pesto de abobrinha e parmesão. (Caso você vá também para Caraíva, o único endereço possível para pizzas é O Forno.)
A pizzaria São João Batista fica na rua Bom Jesus, atrás do Lá no Dom e ao lado da loja Ori, pertinho do Quadrado. Abre todos os dias das 18h30 às 22h30.
PARA A MANHÃ, A TARDE E A NOITE, SANTO CAFÉ: O MELHOR CAFÉ DE TODA A REGIÃO



Santo Café, pertinho do Quadrado. Imagens: Shoichi Iwashita
Você não vai encontrar outro café na costa do extremo sul da Bahia que tenha uma máquina La Morzocco para extrair o seu espresso. Menos ainda com o nível de cuidado do proprietário Vinicius Azevedo, que utiliza exclusivamente alguns dos melhores grãos do Brasil.
Com um deque coberto e mesas ao ar livre na agradável praça arborizada em frente ao Maritaca, o Santo Café é ponto de encontro — e de muitas reuniões — entre os trancosenses e viajantes. E, por estar próximo ao Quadrado, é o lugar perfeito para ver as pessoas indo e vindo.
São vários os métodos de extração oferecidos — Hario V60, Aeropress, Clever, Kalita Wave, Chemex, Syphon, Moka —, todos finalizados à mesa, com exceção do espresso. O cardápio é amplo e inclui sanduíches, sucos e smoothies, e até massas e saladas para uma refeição rápida. Ainda assim, os grandes destaques — e acompanhamentos perfeitos para um bom café — são o sonho (perfeito) e os bolos, todos feitos na casa e servidos em fatias, expostos em uma vitrine central na área interna, onde está também um pequeno empório onde você pode comprar vinhos, os incríveis chocolates bean-to-bar da Magian Cacao, cerâmicas do Calá e acessórios de café selecionados.
O Santo Café fica na praça Canto Verde, em frente ao Maritaca, e abre todos os dias, das 8h às 22h.
PARA A NOITE, CAPIM SANTO: PEDAÇO DA HISTÓRIA DE TRANCOSO


Capim Santo, na rua do Beco, uma travessinha na entrada do Quadrado. Imagens: Shoichi Iwashita
Com mesas espalhadas por vários ambientes em meio ao jardim exuberante deste restaurante e pousada que são um charme só, a história do Capim Santo — e da Silvana e d’O Cacau — se confunde com a história de Trancoso (e, aqui, eu amo jantar descalço para pisar no chão de cimento queimado).
Aberto em 1985 em um beco discreto na entrada do Quadrado, o restaurante tem um menu vasto com muitas opções de saladas, peixes, frangos, carnes, massas e opções vegetarianas/veganas; pratos bem executados e bem servidos, mas que nem sempre encantam. Com algumas combinações datadas e um geral sem muita identidade — talvez para oferecer o máximo de opções para os hóspedes —, o Capim Santo seria bem mais interessante se tivesse um cardápio mais enxuto, mais bem resolvido, entregando só o que se faz de melhor, com uma atenção cada vez maior para a qualidade e a procedência dos ingredientes.
O que me faz voltar ao Capim Santo é saber que essa é exatamente uma das preocupações da nova geração à frente da administração, representada por Marcel Leite, filho dos fundadores Fernando Leite e Sandra Marques, que nasceu e cresceu em Trancoso, e é um entusiasta da permacultura, um sistema que segue princípios ecológicos na agricultura e na arquitetura, com o objetivo de criar comunidades humanas sustentáveis. Na temporada, é o único restaurante da nossa lista que trabalha com dois horários fixos de serviço, com reservas para jantar às 19h ou às 22h (para o segundo serviço, só é preciso se atentar para o fato de que a cozinha encerra os pedidos às 23h). Só não deixe de comer de sobremesa a trilogia de capim santo, formada por panna cotta, brigadeiro e sorvete desta planta medicinal originária da Índia que se adaptou bem em terras brasileiras e que dá nome à pousada e restaurante.
O Capim Santo fica na rua do Beco, 55, e abre de segunda a sábado, das 19h às 23h. Fecha aos domingos. Telefone: 73 / 3668-2700 e Whatsapp 73 / 9990-5817.
PARA O DIA, THE BROD: PÃO PARA COMPRAR E LEVAR



O The Brod fica mais no interior de Trancoso, próximo da praça da Independência. Imagens: Shoichi Iwashita
Não sei que seria de mim morando na região, se não fosse o The Brod. Com um excelente pão multigrãos de fermentação longa e natural, sempre que passo por Trancoso, vou até lá e compro uma leva para fatiar e congelar para comer pão bom todos os dias. Sempre me faz pensar na quantidade de gente afluente que vive e frequenta a região e a quase nula oferta de coisas simples como um bom pão.
Desde dezembro (e não sei se será apenas para o verão), eles criaram um cardápio de comidinhas e cafés para quem quiser comer lá mesmo, em mesinhas instaladas na pequena varanda e na calçada.
O The Brod fica na rua Tancredo Neves, 72, e abre de segunda a sexta, das 8h às 16h, e aos sábados, das 8h às 13h.
PARA O DIA E A NOITE, FASANO TRANCOSO: UM CLÁSSICO – E EXCELENTE – ITALIANO (RARIDADE POR AQUI)


O restaurante Fasano Trancoso fica dentro do hotel na praia de Itapororoca, ao sul do Quadrado. Imagens: Shoichi Iwashita
Comida italiana pode ser básica, confortável, mas ela exige ingredientes de qualidade e técnica para conseguir as texturas ideais de uma massa, de um risotto, de uma sobremesa típica. Aqui no sul da Bahia, mesmo em restaurantes cujos proprietários são italianos, não raro a gente se decepciona com massas cozidas demais, risotti sem cremosidade, “tiramisù” sem mascarpone e que chega à mesa congelado (e incomível). Mas isso não é mais um problema com a abertura do hotel Fasano Trancoso. {Leia a crítica completa da minha hospedagem no hotel, clicando aqui.}
Com restaurante aberto para não-hóspedes mediante reserva, espere por um ambiente amplo e contemporâneo, com bar, lounges e vistas para o deque, a enorme piscina do hotel e a praia, e pratos clássicos como o ravioli de mozzarella de búfala com molho de tomate e manjericão, e muitas receitas que levam peixes e frutos do mar, como o linguini com lambreta e camarão, o gnocchi com lulas douradas e tomate, o robalo com caponata e chardonnay.
Além dos pratos italianos, uma Seleção Baiana completa o cardápio com moquecas — de peixe, de camarão ou mista — e bobó de camarão, para uma ou duas pessoas, sempre acompanhados de arroz, farofa e pirão. Para finalizar a refeição, tem a excelente cocada com sorvete de rapadura, cachaça e especiarias, mas poder comer o tiramisù do Fasanão de São Paulo (montado à la minute e um dos meus preferidos no mundo), aqui, à beira-mar, é das coisas que nos fazem voltar ao Fasano Trancoso.
O Fasano Trancoso fica na praia de Itapororoca, na estradinha de Itaquena. Abre todos os dias para almoço e jantar, sendo o almoço das 13h às 17h, com reserva até às 14h, e jantar das 19h à meia-noite, com reserva até às 20h30. Telefone: 73 / 3018-2929
PARA A NOITE, O CACAU: SEM MESAS AO AR LIVRE, SEM CHEF E SÓ COM COZINHEIRAS NATIVAS DE LONGA DATA


O Cacau fica no Quadrado. Imagens: Shoichi Iwashita
Escondidinho ao lado da histórica igreja de São João Batista, O Cacau é o único restaurante que não tem mesas ao ar livre no Quadrado. Mas nem precisa. Em um salão amplo e sem paredes, instalado em um terreno mais amplo ainda e rodeado por uma rica vegetação, O Cacau, junto com o Capim Santo e a Silvana & Cia. formam a tríade de instituições trancosenses, fundado por pessoas que estão no vilarejo há, no mínimo, 40 anos.
De uma época quando a única maneira de chegar a Trancoso era a pé ou de barco. Sem chef e apenas com cozinheiras nativas, o cardápio d’O Cacau foi sendo construído ao longo do tempo, com influências pretas e indígenas, e não dá para não comer aqui os minicarajés da Dora, nome da proprietária do restaurante (fala-se “Dôra”), acompanhados de um molho de camarões secos descascados, vatapá e vinagrete, e o carpaccio de polvo; e pratos como o stroganoff de lagosta ou o Camarão Nativo, servido com molho de coco verde e pimenta-rosa (aqui, aroeira), lascas de coco torrado e arroz cozido na folha de bananeira. De sobremesa, vá pela cocada de forno (que mais parece um bolinho), servido quente com sorvete de creme.
Os pratos são bem servidos (se pedir miniacarajé de entrada, divida entre duas pessoas), o menu poderia ser mais enxuto para focar nas receitas mais emblemáticas e na qualidade da execução, mas vale a visita.
O Cacau fica no fim do Quadrado, perto da igreja, e abre todos os dias, das 17h às 23h. Telefone: 73 / 3668-1266.
QUANDO O TURISMO CRIA DEMANDA PARA UMA ALIMENTAÇÃO SEM VENENOS
A gente sempre tende a achar que, ao viajar para destinos de natureza, distantes dos grandes centros urbanos, vai comer melhor por ter acesso a cereais, hortaliças e frutas sem agrotóxicos, produzidos por pequenos agricultores. Um engano. Porque a realidade pode ser pior: por falta de educação e informação, esses pequenos agricultores usam agrotóxicos de forma indiscriminada e não só colocam em risco suas próprias saúdes — a grande maioria das vezes, não têm os equipamentos de segurança necessários para aplicar os venenos —, a de suas famílias, a das comunidades locais e as nossas, como também as paisagens que são um dos motivos pelos quais viajamos.
Trancoso era assim até há alguns anos. Ouvi dizer uma vez que um produtor vendia sua produção como “orgânica” porque usava a metade da quantidade de agrotóxicos sugerida pelo fabricante; por pura ignorância… E como culpá-lo? Mas, em grande parte por conta de iniciativas vindas do turismo, como o Organic.Festival, idealizado desde 2018 pelo hotel Uxua com o apoio do hotel Capim Santo — que educam, promovem o diálogo, mas, principalmente, estimulam os produtores ao criar demanda comprando sua produção —, hoje conseguimos não só comer bem em Trancoso como também comer de forma verdadeiramente saudável, no sentido mais amplo do termo.
Diante da dificuldade de abastecimento, hotéis como o Uxua, o Capim Santo e a Tutabel estão investindo na criação de suas próprias lavouras, ao mesmo tempo que trazem especialistas para desenvolverem seus projetos e educar pequenos produtores interessados. Em novembro de 2021, fui visitar o começo de uma agrofloresta capitaneada pelo Marcel Leite, segunda geração de proprietários do hotel e restaurante Capim Santo. Também fui à nova fazenda à beira-mar do Uxua na praia de Itapororoca, o Uxua Maré, onde a mata nativa local está sendo estudada, e plantas e frutas que nascem de forma espontânea viram ingredientes da cozinha e do spa do hotel. Ou seja, o resultado a gente vive ao se hospedar e jantar nesses empreendimentos responsáveis.
Matéria originalmente postada em setembro de 2014 e atualizada em março de 2022 e janeiro de 2026.
E CONFIRA O NOSSO GUIA COMPLETO DE TRANCOSO:
— Trancoso: Informações Práticas
— Trancoso: O Quadrado
— Trancoso: Praias
— Trancoso: Hospedagem
— Trancoso: Restaurantes
São as melhores dicas para quem frequenta o extremo sul da Bahia!
Muito obrigado pelo comentário gentil, Amanda! Um abraço, @iwashitashoichi