Tudo o que você precisa saber para planejar a sua viagem de luxo para o deserto do Atacama, no Chile
O vulcão Licancabur emoldurado por uma árvore centenária do deserto em um passeio de pôr do sol organizado pelo hotel Nayara Alto Atacama. Algarrobos e tamarugos sobrevivem aqui graças a raízes que descem muitos metros até alcançar a água subterrânea. Imagem: Shoichi Iwashita
O planejamento de uma viagem para o Atacama não poderia ser mais fácil: basta escolher um bom hotel. Todos os melhores hotéis incluem no valor da estadia as refeições, os traslados, os ingressos e os passeios com carros e guias próprios. E o melhor é que são quatro as opções de hotéis muito bons; alguns mais, outros menos exclusivos. No dia do check-in, uma reunião com o time de experiências do hotel dá uma introdução à região, e é quando se discute os passeios ao longo dos próximos dias da estadia, os horários, as altitudes, os cuidados — principalmente, com a hidratação — e com o que se vai vestir, já que as temperaturas podem de ir de um extremo a outro em pouco tempo. E não há maior luxo do que ter conforto e segurança em meio a paisagens tão inóspitas.
Aí, só é preciso saber que, assim como nas viagens de safári, passa-se bastante tempo no carro, percorrendo longas distâncias (uma, duas horas) para chegar e voltar das paisagens-destino — lindas, únicas e completamente diferentes umas das outras: salares, lagoas, gêiseres e o próprio deserto, tudo com suas muitas cores, plantas e animais, das vicunhas aos flamingos, do branco ao verde passando pelo ocre da terra e dos muitos minerais. Para alguns passeios, como os distantes gêiseres de Tatio, é preciso madrugar, já que as nascentes entram em erupção no começo da manhã. Na volta, é hora de aproveitar o spa do hotel, recuperar o corpo da altitude e secura extremas.
Outra questão que gosto de levar em consideração é que, diante das paisagens de tirar o fôlego, eu gosto de silêncio durante os passeios; o Atacama é uma viagem que é pura contemplação. Pelo menos na primeira vez, evite viajar com aquele amigo falastrão-engraçadão ou em grandes grupos. É daquelas viagens que, quanto menos gente, melhor.
——
Quer contar com a expertise Simonde para planejar a sua viagem? Nós temos uma parceria com a mais exclusiva agência de turismo de luxo do país. Enquanto ela nos oferece a estrutura necessária para o trabalho, eu assumo o planejamento e a curadoria de experiências da sua viagem, usando meu repertório e contatos para que você colecione lindas memórias. Para isso, basta me mandar uma mensagem direct pelo Instagram no @iwashitashoichi, clicando aqui.
INFORMAÇÕES PRÁTICAS

O azul profundo da Laguna Miscanti, a 4.100 metros de altitude, aos pés do vulcão de mesmo nome, entre os tufos dourados de paja brava, o capim que resiste ao frio e ao vento do altiplano. Ela e a vizinha Miñiques — que formam as célebres lagunas altiplanicas — já foram uma só, até que a lava de uma erupção do vulcão Miñiques as separou. Imagem: Shoichi Iwashita
COMO CHEGAR AO ATACAMA
A sensação de pousar no aeroporto de Calama CJC — o aeroporto mais próximo de San Pedro de Atacama, a 1h30 de carro — é a de aterrissar na areia do deserto em meio a um enorme jardim de torres eólicas a-perder-de-vista, que nos faz sentir em um cenário apocalíptico de ficção científica. Partindo de São Paulo, o tempo total de viagem é de aproximadamente 10 horas, contando com os voos para Santiago e Calama, tempo de conexão, tempo de aeroporto e traslado. O aeroporto de Calama é pequeno, mas funciona bem na velocidade da entrega das malas. Só não tem bebedouro nem wi-fi. No trajeto entre Calama e San Pedro, você já terá uma bela introdução às paisagens do destino com as impressionantes paisagens do Valle de la Luna no meio do caminho.
QUANDO IR
Entre junho e agosto, considerada a baixa temporada, é sempre a melhor época para explorar o Atacama. É mais frio (as manhãs podem ser congelantes nos lugares de alta altitude), venta mais, mas os lugares estão mais vazios, sem as multidões que chegam em ônibus de turismo. E isso muda completamente a viagem. Basta vir com as roupas e acessórios adequados para as condições climáticas e você estará confortável. Nos lugares mais “úmidos” da região do Atacama, pode chover nos meses de janeiro e fevereiro.
QUANTOS DIAS FICAR
Quatro a cinco noites: dois dias para descansar (a viagem entre o Brasil e o Atacama acaba sendo longa por conta dos voos, tempo de aeroporto e conexão, mais o traslado de carro), aproveitar o hotel, aclimatar o corpo e fazer os passeios de menor altitude, e os demais para os destinos mais altos e distantes.
OS MELHORES HOTÉIS PARA SE HOSPEDAR NO DESERTO DO ATACAMA

O restaurante do Nayara Alto Atacama, no vale de Catarpe: construções baixas, cor de terra e cobertas de palha, desenhadas para se confundir com os paredões da Cordillera de la Sal. Imagem: Shoichi Iwashita
As pequenas redes de hotéis presentes no Atacama, na Patagônia e no Peru praticamente iniciaram esse conceito de hotelaria de luxo em destinos inóspitos com todas experiências inclusas na América do Sul, oferecendo o melhor dos mundos entre natureza extrema vs. praticidade, conforto, gastronomia e segurança. E há quatro nomes a se ter em mente na hora de fazer sua reserva.
O Awasi Atacama é o mais bem localizado em San Pedro do Atacama e o mais exclusivo: pouquíssimas acomodações, gastronomia excelente (quase inacreditável o que eles conseguem fazer em qualquer um dos hotéis deles) e um guia e um carro privativos por quarto para que você faça todos os passeios no seu tempo e do jeito que quiser. O Explora, bem focado em aventura, oferece a possibilidade incrível de combinar o Atacama com o Salar de Uyuni, já que eles possuem três lodges no meio do caminho até o salar na Bolívia. Aí, tem ainda o Nayara Alto Atacama, na foto acima, cercado pelas montanhas avermelhadas do vilarejo, com mais quartos, ótima gastronomia e passeios em grupo, e também o Tierra Atacama, um projeto lindo de arquitetura, com uma piscina com vista de tirar o fôlego para o vulcão Licancabur, mas que deixou bastante a desejar no serviço e na gastronomia durante a minha estadia.
O fato de que grande parte das refeições será feita no hotel faz com que a gastronomia que o hotel oferece seja um ponto importante de consideração na hora da escolha.
DICAS PRÁTICAS E O QUE LEVAR NA MALA

No Atacama, o ar é tão seco e limpo que o olhar alcança dezenas de quilômetros sem esforço: do Valle de la Luna, é possível a cadeia de vulcões dos Andes, com o quase-onipresente Licancabur à direita. Imagem: Shoichi Iwashita
— Leve um kit completo de hidratação: hidratante para o corpo, para o rosto, para os lábios, para as mãos, umidificador de olhos e para o nariz. Ainda no quesito hidratação: quando estiver lá, beba água o tempo todo, mesmo sem sede.
— Proteção solar, já que o sol em altitude é bem agressivo e não tem sombra na grande maioria das paisagens. Protetor solar potente para o corpo, o rosto e os lábios; chapéu com aba larga que faça sombra no rosto e na parte traseira do pescoço, óculos escuros, mangas longas e calças compridas.
— Roupas para o frio intenso e também para o calor ao-mesmo-tempo. Como as temperaturas mudam drasticamente entre as diferentes altitudes e o horário do dia — e o vento pode fazer a sensação térmica cair drasticamente — leve roupas para se vestir em camadas (como na neve): jaqueta robusta, touca, cachecol e suéteres de gola alta de cashmere, segunda pele e meias altas e grossas de lã merino, botinhas confortáveis para caminhar bastante e luvas. Sempre levo também aqueles patches que aquecem luvas e botas por dentro. Aí, você vai tirando as roupas pesadas conforme a temperatura vai esquentando.
COMO LIDAR COM A ALTITUDE
San Pedro de Atacama fica a 2.400 metros de altitude — e vários dos passeios mais incríveis, como os Gêiseres de Tatio e as Lagunas Altiplânicas, sobem para além dos 4.000 metros. O mal da altitude pode acometer qualquer pessoa, independentemente de condicionamento físico. Os sintomas mais comuns são dor de cabeça, cansaço desproporcional e falta de ar; em casos mais severos, náusea e insônia. Os bons hotéis têm oxigênio disponível na recepção e guias equipados para emergências. Algumas dicas práticas: evite álcool e cafeína nas primeiras 48 horas (ambos pioram a desidratação e a adaptação à altitude); não faça passeios de alta altitude no primeiro dia; e, se o médico autorizar, a acetazolamida (Diamox) é um medicamento comprovadamente eficaz na prevenção do mal da altitude. Consulte-o antes de viajar.

LEIA MAIS: